• Evandro Pontes

2022 é hoje


Moro jantou recentemente com Huck.


Dias atrás, foi recebido por Doria.


Doria corteja Moro desde que ele saiu do governo, mas sem sucesso.


Doria cortejou Huck também em idos de fevereiro deste ano por uma "frente ampla" de centro. Foi tratado com desprezo.


Doria quer liderar uma cruzada anti-bolsonarista, mas o fato é que o grupo que se organiza nessa cruzada (Moro-Mandetta-Huck) não aceita a liderança de Doria.


As condições para Doria entrar são claras: ele abandona a corrida presidencial e começa a se mexer pela própria reeleição para o Palácio dos Bandeirantes, apoiando o grupo para o Planalto. "Ou dá, ou desce". Minha aposta é que Doria não descerá (notem como estou evitando processos...).


Embora o grupo conte com Maia, Doria conta com um ativo importante: deputados ex-bolsonaristas que lhe são fieis e podem fazer estragos contra o "outro Centrão". Falo de Joice e Frota.


A diferença entre Joice/Frota, de um lado e Bia Kicis de outro (a líder do "outro Centrão" junto com Ricardo Barros) está na curva de aprendizado. Frota foi muito mais ligeiro para entender os trâmites da casa legislativa em que atua. É fraco nas redes, mas é bem mais forte e astuto que Bia onde interessa: no Congresso.


Os deputados da base bolsonarista são péssimos: toscos, arrogantes, muito limitados intelectualmente, se perderam totalmente nas redes ostentando uma atuação ridícula nas comissões parlamentares, em projetos de lei, na judicialização de temas importantes, na atuação fiscalizatória e até mesmo na política partidária. Nas redes, não passam de "boomers" passando vergonha no débito e no crédito todos os dias.


Pior: tornaram-se parasitas do nome BOLSONARO e ao meu ver, são tão surfistas quanto os que se voltaram contra o presidente: de Hélio a Bia - são TODOS surfistas. Nenhum deles tem luz própria. Nem mesmo o filho Eduardo, um dos melhores deputados da legislatura 2014-2018 e que se tornou um youtuber de qualidade bastante questionável. Não tem talento para o ofício, apesar de ser simpático e verdadeiramente bom moço.


Os poucos deputados da base que atuam em projetos específicos (Chris Tonnieto, Felipe Barros) são micro-exceções que fazem trabalho gigantesco em frentes específicas sem mudar o cenário do bolsonarismo. Dão o sangue no Congresso e não perdem tempo nas redes. Mas são poucos e a eles nenhum tipo de apoio é dado. São deputados com luz própria mas que os demais, por inveja ou inapetência, vivem tentando ofuscar. Desse resto ai, logo, tudo surfista...


E por falar nesse lado do Centrão, Bolsonaro avança suas alianças com ex-presidentes: botou Collor no bonde que já tinha Temer e Sarney. FHC é do time de Huck. Lula e Dilma estão lá, com Ciro, naquele autismo sindical típico deles.


Com o PP e o PTB a tiracolo do bolsonarismo, e aquelas movimentações patifes com Ciro e Lula, 2022 vai se desenhando como uma grande disputa do Centrão pelo Centrão.


Não será a eleição para ver quem vai governar o Brasil - isso não precisa de eleição: quem manda no Brasil é o Centrão, ponto final, está acabado.


A disputa em 2022 é para ver quem vai mandar no Centrão.


Bolsonaro lidera uma ala do Centrão - o Centrão velho, tradicional, que tinge o cabelo de acaju, fala "nordestês" e come frango assado de garfo e faca, e farinha de colher.


Na outra ponta, o Centrão "Prudente e Sofisticado" ostenta disputa mais sangrenta: Moro e Huck já entraram num acordo sobre quem vai sair liderando o grupo - esse acordo conta com o assentimento de Mandetta. Huck é "o cara" deles (e talvez até (((deles))), sendo que jamais será o (((meu)))).


O próximo passo é tirar Doria da liderança mas deixa-lo na jogada, dentro do grupo, oferecendo os serviços de Frota na contenção. Doria ainda tem Kassab e Meirelles, peças importantes para esse fascio do Centrão prudente.


Há ainda Amoedo.


Tão logo Huck tire Doria do núcleo de líderes, assim que tiver sucesso em persuadir Amoedo a aceitar um Ministério em seu provável governo, Huck montará o seu "super-time" do sapatênis.


Uma chapa Huck (PR) e Moro (VP) com o apoio de governadores como Doria e Caiado e contando com Mandetta e Amoedo entre seus ministros, trazendo alguém como Gustavo Franco ou Armínio Soros Fraga para a fazenda deixará muito eleitor prudente e sofisticado com mais entusiasmo no olhar do que quando Doria olha para Frota.


Não achem, entretanto, que o fiel da balança dessa disputa há de ser a Faria Lima: longe disso. A Faria Lima sempre estará com quem ganhar.


Desta vez os militares entraram para a política e não entraram para brincar. O fiel da balança dessa disputa estará no generalato. Hoje Santos Cruz e Rego Barros são parte do "braço forte" que não teria o menor problema em apoiar esse projeto que pretende ter Huck na liderança. Esses dois seriam, assim como Tarcisio, nomes certos num ministério Huck. Não descartem nem mesmo a presença de um Paulo Guedes, que, poucos sabem, mas antes de aceitar a tarefa de ser o Posto Ipiranga, andava pra cima e pra baixo com Huck ao seu lado. Era o "Professor" de Huck até surgir o convite de Bolsonaro ainda na campanha.


Voltando à caserna: há militares dentro do governo que não teriam, item, o menor problema em mudar de lado. Refiro-me aos técnicos e aos aldo-rebellistas (soi disant "pragmáticos"): o já citado Tarcisio, bem como Ramos e Pazuello. Isso sem contar Mourão, que obviamente vai se bandear para esse lado com vigor e na hora certa, como ótimo general de infantaria que foi e ainda é.


Restará com o capitão os poucos que lhe são verdadeiramente fieis e aliados de todo momento: Heleno e, com muita sorte, Azevedo e Braga Netto (este, nem de "todos" os momentos).


Lula e Ciro não passarão de dois Daciolos sem a Gloria de Deus na boca e nenhum militar em seu apoio.


A disputa pelo Centrão está aberta. Quem ganhar, leva o Brasil de brinde em 2022.


Mas e os conservadores, Pontes?


Ah..., os conservadores que se fodam. NINGUÉM LIGA.

2 comentários
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