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A criminalização do sensacionalismo e o “sensacionalismo permitido”

Atualizado: Set 14

Por Evandro Pontes

Wikimedia Commons File:Félix-Joseph Barrias - Camille Desmoulins. Wikipedia

Desde que o mundo é terra de Adão, o sensacionalismo fez parte do abilolamento humano.


Não se trata de um monopólio da esquerda, nem da direita, nem do Centrão, nem do centrinho: mas, convenhamos, é quase que um oligopólio boomer.


A merdofalação alimenta, em ambos os lados, uma importante fonte de receita pois boa parte do público brasileiro tem prazer em se alimentar de fezes vocabulares.


Pagam por isso: seja com assinaturas, com “superchats”, com doações e com toda sorte de ajuda.


Certa feita comentei com um youtuber: “não sou contra o que você faz e até acho interessante, mas me espanta que te paguem por isso”.


Hoje não me espanta mais nada.


Desde Catilina o sensacionalismo integrou um método não só de se fazer política, mas de fazer história (seja a de longo prazo, a História com “h” maiúsculo, seja a curto prazo, que tem sido chamada de “jornalismo”).


A Revolução Francesa é produto de um sensacionalismo praticado por Camille Desmoullins e depois por Marat.


Carlos Lacerda quase derrubou Getúlio com sensacionalismo e, graças ao sensacionalismo de Samuel Weiner, Getúlio sobreviveu aos sensacionalistas para se suicidar deixando uma carta sensacionalista.


Por uma jogada de marketing narrativo, Trump cunhou no sensacionalismo o termo fake news e essa arma se voltou contra ele – de vítima, o sensacionalismo que o atacava o transformou em vilão. Bolsonaro pegou essa onda e agora sofre do veneno criado por Trump: o velho e já conhecido “sensacionalismo” virou fake news e suas primeiras vítimas são hoje os vilões.


De modo geral hoje o jornalismo, não só no Brasil mas no mundo, está morto.


Antes havia uma clara divisão entre jornalismo (História de curto prazo) e sensacionalismo (merdofalação ajustada ao nível do entretenimento e de absolutamente nenhuma credibilidade).


Hoje não há mais.


E a liberdade de expressão assegurava lugar a ambos, em uma coexistência até então sadia: só jornalismo sério é chato, só merdofalação, pior. E pela liberdade de expressão e o equilíbrio entre o insulto e a sátira menipeia, o leitor escolhe e decide o que lhe informa e o que lhe diverte.


As redes sociais, entretanto, contribuíram muito para transformar toda e qualquer atividade outrora classificada como jornalismo em puro ato de sensacionalismo. Foi neste ponto que a divisão acabou e tudo virou sensacionalismo, leitor virou escritor e todos viraram jornalistas sem leitores.


Não se pesquisa mais, não se investiga mais, não se relata e nem se apresentam notícias e informações ao leitor: tudo é um grande e incessante exercício de sensacionalismo – desde os mais simples artigos de opinião com “viés cristão” até a mais cafajeste cobertura de algum evento político pela “grande imprensa”. Resultado: não se lê mais, fala-se muito.


Todos, sem exceção, são sensacionalistas.


Hoje nem mesmo as aparições marianas em Fátima são tratadas com a Caridade Católica que merecem: tudo passa a ser alvo de sensacionalismo pontuado com a expressão “gravíssimo”.


O Youtube é a terra do sensacionalismo por excelência.


Nando Moura sobrevive disso até hoje. O MBL pratica o mais desabrido sensacionalismo desde o minuto zero de sua existência, assim como cada um dos ministros do STF quando se dispõem a aparecer publicamente.


O petismo e seu “Lula Livre” são inegáveis peças de sensacionalismo diário.


Políticos de toda natureza sobrevivem de sensacionalismo: do Dória ao PCO, de Boulos ao governador Leite com seu falso “ar moderado”, de FCH e a sua trupe de “estarrecidos” ao Centrão e seu parça Bolsonaro, de Amoedo e seus tuites carbonários ao espancamento de Joice por Gasparzinho, não há hoje uma exceção na política.


Damares Alves, então, nem se fala: uma máquina de sensacionalismo bem ao tom típico dos neopentecostais com cargo na estrutura estatal.


Veículos como Folha, Estadão, Globo, Veja, IstoÉ, Jovem Pan, CNN são o mais puro suco do sensacionalismo: se tomarmos por base as notícias de vacinas, Covid, gráficos com mortes, debates em mesas redondas sobre o “estado de saúde de Paulo Gustavo”, Copa América, moticiatas sem máscara, bravatas que “ameaçam a democracia”, lá estará a marca inefável do sensacionalismo em todos esses veículos sem exceção.


Esses veículos alimentam boomers de Centro, liberais, de esquerda, social-democratas, petistas e toda a sorte de paspalhos com sensacionalismo esdrúxulo, pueril, cretino e nefasto, que se escandaliza com pandemia e com o Afeganistão com o mesmo ímpeto escandalizante. É uma gente pobre de espírito que vive escandalizada com algo, desde um deputado que quer “dar surra de gato morto em ministro até o gato miar” até uma Copa América ou uma Olimpíada “no meio de uma pandemia”.


De todos esse veículos, entretanto, talvez o mais violento na prática do sensacionalismo seja o blog “O Antagonista”: ali são três “jornalistas” diferenciados, inteligentíssimos e comandando uma equipe grande, com quem o trio contribui com a experiência de ao menos três décadas praticando o “fino do sensacionalismo”, equiparável ao nível de se escandalizar de seus leitores. São sujeitos inteligentes que tem leitores com alto grau de instrução, o que faz com que seus escandalozinhos se elevem a um gigantismo típico dos pedantes e arrivistas que integram essa seita de doentes morais e intelectuais chamada liberalismo.


Diariamente pregam um ataque ao Poder Executivo, com o claríssimo intuito de desestabilizar a nação e romper com o “Estado Democrático de Direito” estimulando uma “quartelada as avessas” para colocar o General Mourão no lugar do atual presidente eleito. Dão ouvidos a outros generais igualmente empenhados na derrubada do Poder Executivo (caso, p. ex., do Gen. S. Cruz).


Segundo os critérios do próprio STF e do TSE, essas mídias praticam ataques às instituições e promovem desordem e ofensa a um dos Poderes da república (no caso, o Poder Executivo) com mais gravidade do que a outra parcela, igualmente sensacionalista, fazia até tempos atrás contra o Legislativo e, recentemente, de forma mais intensa, contra o Judiciário, pois se um defende abertamente o takeover no Poder Executivo, a outra parcela quer tirar Ministro do STF de sua cadeira usando a perigosa arma do “gato morto”.


Pois é desse outro lado, o centrinho, os neocons, os boomers didireita é que precisamos tratar agora.


É notável que o “sensacionalismo permitido” tem passado não apenas incólume, mas tem sido transformado em arma para os sensacionalistas de toga.


Como resposta, essa direita neoconservadora, que não passa de um “centro liberal” com pinceladas “anti-aborto” (que, como mostramos no Affair Resolução 617, só são invocadas quando convém), pratica um sensacionalismo para chamar de seu: “it’s time”, “gravíssimo”, “a casa caiu”, “Renan chora na cama”, “as incoerências da esquerda” e por ai vai.


É uma técnica tanto política quanto jornalística mergulhada na absoluta ineficácia.


E essa ineficácia decorre do fato de que a disputa de narrativas pela via do sensacionalismo é uma disputa de força e não de persuasão. Vence esse embate quem detiver a força (institucional, in casu).


A direita neocon que apoia Bolsonaro sempre teve a certeza que a ocupação do Palácio do Alvorada foi sinal de força suficiente para que o seu sensacionalismo prevalecesse sobre o da “mídia tradicional”, mas descobriram que o apoio do Poder Judiciário aos outros pesou mais que a falta de apoio do Executivo a eles.


E neste pormenor, esse Judiciário que apoia o sensacionalismo liberal e social-democrata, deu um golpe de misericórdia no sensacionalismo neocon: determinou a desmonetização de vários veículos que, de uns tempos pra cá, passaram a literalmente se alimentar de sensacionalismo.


Isso é obviamente um desatino, um absurdo e descortina o que já sabemos: só um lado pode praticar sensacionalismo, segundo a vontade suprema do Judiciário que segue sem ser reformado.


O que eu acho disso?


Eu, honestamente, não vejo solução quando a força (institucional) se impõe e, do seu lado, não há força suficiente para reagir. Os atos institucionais praticados por uma parcela das Instituições decretaram a prevalência de um tipo de sensacionalismo sobre o outro.


E nesse caso específico a solução não pode ser por meio da força bruta (institucional), do embate sensacionalista. A única saída que vejo é: parem de fazer sensacionalismo, caralho!!!


Ajam como adultos e comecem a comecem a fazer sátira séria, jornalismo sério e tratar o seu leitor como gente grande, ainda que ele não seja.


Crianças só se tornam adultos mimados porque se acostumam, desde cedo, a serem tratados assim. O leitor é a mesma coisa: quanto mais você mima seu leitor, pior ele se torna.


Faça seu leitor amadurecer e acordar pra vida: mostre ao seu leitor A VERDADE – só assim os sensacionalistas do outro lado o temerão de fato e a força dos seus argumentos prevalecerão sobre o volume da sua voz.


Se você mantiver o seu leitor dependente do seu sensacionalismo, mantê-lo sob o sono dos boomers vai atentar, ao fim e ao cabo, contra a sua própria liberdade de expressão e você pagará caro pelo seu próprio sensacionalismo (que há de ser chamado agora e sempre de fake news).


Faça o seu leitor acordar pois mantê-lo dormindo foi um péssimo negócio pra você, querido neocon.


Repito: pare de fazer sensacionalismo pois o “sensacionalismo deles” te derrotou – o seu é crime, o deles é denúncia.


Como diria Santo Ambrósio, “o Demônio busca o barulho...”.


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