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A Era de Ouro da Internet Acabou

Por Ju Ginger


Reprodução

Toda grande forma de arte e plataformas passam por suas eras boas e sua fase ruim.


Teve um momento em que aquilo estava em seu auge, uma era onde tudo parecia estar em perfeita harmonia, uma era de ouro do metal, da MTV até mesmo uma era de ouro dos jogos; uma era de ouro de civilizações, mas com cada era de ouro também vem uma queda, um tempo em que os dias de glória anteriores parecem estar para sempre fora de alcance, nenhum rei governa para sempre e todas as coisas boas devem chegar ao fim, mesmo na internet.


Até meados dos anos 90 a internet era um lugar muito diferente. Os jogos online estavam em sua infância, as salas de bate-papo do UOL com estranhos aleatórios eram a mídia social da época, na verdade eu me lembro de ser uma pré-adolescente entrando em uma sala de bate-papo pela primeira vez no computador e como essa comunicação era incrível. Você até tinha fóruns básicos de internet nos anos 90, e o ICQ podia ser ouvido da sala a cada nova mensagem recebida. As pessoas que usavam a internet eram principalmente nerds, porém nos anos 2000 atingiu o mundo e mudou para sempre. O início a meados de 2000 foi uma época em que a Internet cresceu e floresceu em algo mais do que apenas um programa em sua área de trabalho, ela evolui para um Rede de Comunicação Global, a Idade de Ouro da internet havia começado.


2000 - 2010


Durante aqueles dias, a internet era um lugar mágico onde os jogadores podiam discutir teorias e estratégias em fóruns da internet. Os jogos online agora haviam alcançado esta nova fronteira onde você podia entrar no chat de voz com outros jogadores. Messenger, Skype...todos esses programas criaram a oportunidade de fazer amigos e começar relacionamentos por meio de mensagens instantâneas.


As mídias sociais eram algo completamente diferente. Ainda selvagem, onde sites como o MySpace e até mesmo o YouTube ofereciam a personalização e auto expressão por meio de seus perfis e canais. O YouTube era uma plataforma nova e empolgante onde vídeos e informações fluíam tão livremente e tão abertamente que tantos pequenos criadores ou cineastas floresciam. Uma plataforma que ofereceu tanta liberdade criativa e tantas oportunidades com seu público crescente que acabamos tendo o início de outros sites de mídia social, que da mesma forma que o YouTube, eles não eram restritivos e nem pareciam grandes corporações.


O Orkut e o Facebook em seus primeiros dias foram uma maneira útil de manter o contato com amigos da vida real, participar de grupos de interesses semelhantes com desconhecidos e dividir seu dia a dia. Blogs eram nossos diários "ao vivo" para compartilhar pensamentos e o MYSpace, é claro, que foi o rei das mídias sociais de 2005 a 2008, trouxe toda a liberdade para novos artistas crescerem independentemente de terem ou não uma gravadora. Os fóruns de games permitiam aos usuários criar sua página e discussões, convidando amigos, algo totalmente inovador e cativante.


Todos essas plataformas e recursos foram, com o passar do tempo, reduzidos e atenuados.


Entre no Reddit, vá para o YouTube, no Facebook, até mesmo no Twitter, As fotos do perfil e talvez algumas outras pequenas coisas são diferentes, mas quase todos parecemos iguais agora. Aquela era de ouro chegou ao fim durante um evento importante em 2009: O Facebook superou o MySpace e rapidamente se tornou o projeto para o surgimento dos demais sites de mídia social que o seguiram. O estilo de usar um design estéril simplificado, uma forte ênfase nas conexões sociais e, finalmente, algo mais sutil. Provavelmente algo ainda mais importante que ocorreu foi o desencorajamento do anonimato.


Quando o Facebook cresceu e atingiu uma popularidade imensa, lembro-me de pensar como era estranho que as pessoas usassem seus nomes da vida real e fotos de si mesmas em seus perfis. Em fóruns de jogos e outros sites tinhamos sempre um nome de usuário (nickname) acompanhado de um avatar que não tinha nada a ver com a pessoa ou era apenas representativo para algo que você gostava muito -ou detestava-, mas o Facebook, que foi originalmente projetado para estudantes universitários, foi a plataforma que normalizou a transparência e a abertura completa entre seus usuários. Neste momento a Idade de Ouro da internet chegou ao fim.


Parece que, de muitas maneiras, eles armaram isso para nos controlar e estão fazendo isso por meio de monopólios. O Google controla sua pesquisa, o YouTube o algoritmo do que deve assistir, Instagram/Facebook suas compras, e assim por diante.


Não é segredo que empresas como o Facebook, o Google e o Twitter se tornaram titãs da era digital, consolidando e controlando uma grande porcentagem do tráfego da Internet e da comunicação online.


Os fóruns de jogos e salas de bate-papo que você cresceu usando agora são cidades fantasmas. Seu espaço foi tomado por algumas plataformas administradas por um pequeno grupo de empresas cujas políticas ditam o que você pode ou não dizer.


Vamos encarar os fatos, a internet se tornou corporativa. Em primeiro lugar na lista temos o Facebook de Mark Zuckerberg. O Facebook começou como uma plataforma para você e seus amigos baterem um papo e agora é mais um feed de notícias com artigos de notícias sensacionalistas irritantes e possivelmente falsas, sendo compartilhadas e promovidas pelo algoritmo. E enquanto você olha fixamente para seu celular, Mark Zuckerberg coleta todas as suas informações pessoais e provavelmente as vende para anunciantes e para o governo chinês. Pode parecer que o Facebook está perdendo a relevância, eu pessoalmente não o uso há anos e quase não conheço ninguém da minha idade que o faça, mas o Facebook tem uma empresa que tem uma influência compreensível de dados e poder sobre a comunicação online não apenas no Facebook, mas também no Instagram.


As coisas ficaram tão ruins que até mesmo o cofundador do Facebook, Chris, afirmou que a plataforma precisa ser dividida e regulamentada. Já que Mark, sozinho, pode decidir como configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem em seus feeds de notícias, quais configurações de privacidade podem usar e até mesmo quais mensagens são entregues. Ele define as regras para distinguir o que é discurso de ódio e o que é ofensivo e pode optar por derrubar um perfil ou excluir postagens que não estão de acordo com sua agenda política.


A plataforma online menos complexa e ainda mais divisora ​​é o Twitter.


Considere o tempo entre um pensamento que surge em sua cabeça e a digitação de que o pensamento está separado apenas por alguns segundos, então quando você tem uma plataforma onde celebridades e influenciadores compartilham suas declarações políticas, opiniões controversas e divulgam seus colapsos mentais juntamente com um limite de caracteres e a capacidade de não apenas responder, mas ver todas as outras respostas e ser notificado por elas, você tem uma receita para algumas das formas de argumentação mais retardadas, pouco eficientes e improdutivas que inundam o site diariamente. Dezenas de respostas vão e vem em um bate boca com outro usuário que tem apenas 200 seguidores. Argumentos no Twitter geralmente acabam sendo sugados por um buraco negro.


O subproduto mais profano do Twitter continua sendo a cultura do cancelamento.


E finalmente o YouTube. O YouTube deu imensa liberdade criativa para seus usuários, a capacidade de criar vídeos cativantes que atraem o público de fã, mas hoje em dia, em conjunto com todos os outros sites de mídia social, o YouTube tornou-se progressivamente mais estrito com suas regras e a aplicação delas. Onda após onda do adpocalipse com a desmonetização, suprimindo resultados de pesquisa e a censura geral, chegando ao ponto de mudar as diretrizes para acomodar o controle dos canais detro da plataforma.


Essas políticas limitam muito o tipo de conteúdo que é promovido e incentivado pelo site. Alguns canais proeminentes foram banidos pelo YouTube por motivos muito questionáveis ​​e devido ao clima das políticas e o que é promovido, provavelmente nunca veremos outro canal como o Filthy Frank, paródias musicais ácidas e ousadas, críticas políticas pesadas -a não ser que você seja de esquerda ou liberal -.


O YouTube está apenas interessado em promover celebridades de programas de televisão. Agora o Youtube é sobre eles e não sobre você.


Essa é a direção que a Internet em geral tem tomado em um espaço censurado e restritivo consolidado da Era de Ouro da Internet.


Grandes corporações detêm tanto poder quando se trata de comunicação online que não há alternativas verdadeiras ou competição justa para mantê-los sob controle.


Ok, qual é a solução?


Bem, uma delas é plataformas menores, criadores de ideias e espaços que não fazem parte do establishment. Apoiando canais próprios, com sites separados das grandes redes sociais e plataformas corporativas. Crie seu próprio site. Acima de tudo, crie algo único, porque é isso que tornou a internet tão incrível em primeiro lugar.


Agora quero encerrar lhe fazendo uma pergunta: Haverá outra era de ouro da internet no futuro?

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