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A Era dos Covardes

Por Evandro Pontes


Se pudéssemos definir esta Era que teve início anos atrás, poderíamos defini-la facilmente como a Era dos Covardes.


Vivemos em 2020 e 2021 o apogeu da Era dos Covardes.


O sentimento humano que comanda esta Era é o medo e, em muitos casos, a fobia.


A fobia é algo superior ao medo: neste há receio de que um determinado risco de prejuízo se concretize; naquele, há pavor incapacitante, que bloqueia qualquer capacidade de raciocinar e torna o sujeito apavorado em presa de sua própria inação. No medo, o sujeito se protege; na fobia, se entrega.


Vejam o caso da homofobia – o STF gastou páginas e páginas para defini-la e enquadrá-la em “crime”, buscando classificar o que é mera aversão a certas práticas pederásticas e sodomitas, ao grau de uma repulsa incapacitante. Essa repulsa incapacitante, absolutamente consagrada agora por um verdadeiro pavor da punição, transformou o que de fato era uma aversão em verdadeira fobia.


O STF não classificou uma atitude que antes existia – ele próprio criou a fobia que antes não existia. Se antes alguém podia (ainda que sem ter, de fato, a tal aversão) fazer um gracejo ou piada sobre atos pederásticos, agora é jogado em pavor incapacitante diante do risco de prisão, ainda que, no fundo, nem sequer sinta aversão a pederastia.


No medo você se previne, na fobia, foge. Se antes as pessoas evitavam tocar no tema da pederastia por aversão, hoje literalmente fogem – hoje sim há homofobia e transfobia; antes era mera aversão às práticas, desconforto natural de quem prefere fazer as coisas da carne de outro jeito ou com uma única e mesma pessoa por toda a vida.


A juristocracia, auxiliada pela imprensa, durante esta pandemia, alçou as fobias a grau nunca antes calculados na História da Humanidade.


As pessoas estão sendo forçadas a “acreditar na ciência” e duvidar de Deus.


Mas ao mesmo tempo, são desencorajadas de ler cientistas e praticamente proibidas de ler teólogos e textos eclesiásticos.


Sim: as pessoas têm medo de ler. Medo não: pavor, fobia.


Elas acreditam no que dizem, sem lhes ser franqueado o direito de ler sobre o assunto. O simples ato de ler se tornou crime de negacionismo.


São desafiadas com uma “verdade” imposta (sim, imposta, coisa de impostor mesmo), mas ao mesmo tempo não leem sobre essa “verdade”, seja por pavor da punição, seja por medo de perseguição.


Essa anagnosofobia já é a marca desta geração que deambula pelo mundo na Era dos Covardes. Provém, certamente, de uma anagnorisisfobia que impede o covarde sequer de ir para a leitura, para a anagnosis.


Antes as pessoas deixavam de ler por preguiça, ou por mera ignorância ou por algum outro pecado venial (o vício pela repetição dos mesmos atos, estúpidos e desprezíveis em si mesmos): atualmente tudo mudou –ostensivamente não leem por puro pavor do que podem encontrar; seja no texto, seja fora dele (ao nível das punições sociais e dos “cancelamentos”).


Acreditar na ciência e não ler cientistas é apenas a ponta do iceberg: as pessoas têm absoluto pavor de ler Olavo de Carvalho.


Não se trata mais de uma olavofobia em relação à pessoa de Olavo Luiz Pimentel de Carvalho: há verdadeiro pavor de ler O Jardim das Aflições e descobrir coisas absolutamente inconvenientes. É esse pavor que foi demonstrado por um dos maiores covardes que passou pelo governo Bolsonaro: ao dizer que o Jardim era uma leitura “muito densa”, o ex-juiz e ex-Ministro Moro ostentou sua anagnosofobia e o seu pavor de descobrir que esteve errado boa parte de sua vida. Dessa covardia, manteve-se no conforto da própria ignorância para seguir errando, ele sim, como um negacionista da Verdade Encarnada.


Se o pavor de ler Olavo fosse a única marca do covarde moderno, não há nada que uma boa leitura de Platão ou Aristóteles pudesse resolver. Mas não: ai há verdadeiro pânico. É como se o leitor fosse acossado com algo mais letal do que um vírus chinês. A platofobia, uma espécie determinada de anagnosofobia, é sinal que acomete uma infinidade monstruosa de covardes em horda unida.


Pensemos nos doutores da Igreja – esses dias estava eu me aprofundando em estudos e leituras de SANTO AMBRÓSIO. Cheguei a ouvir de um “liberal” que “ele tinha medo de ler essas coisas”. Quando perguntei se já havia lido ao menos o Theory of the Moral Sentiments de Smith, escondeu o medo por trás de um singelo “só li uma resenha sobre”: covarde – tem medo simplesmente de ler.


Em outra discussão com outro liberal, dizia-me ele que a solução para o progressismo racialista estava nos liberais, que haviam pregado que “todos são iguais independentemente da raça ou origem”. Perguntei a ele se já havia ouvido falar de Jesus Cristo ao que fui interpelado com o riso amarelo dos covardes.


Se há algo mais perigoso e que atiça o pavor dessa gente covarde, é oferecer-lhes leituras morais da Patrística. O pavor incapacitante salta aos olhos e o covarde sabe que se for pego lendo SANTO AMBRÓSIO ou SANTO AGOSTINHO na Faria Lima, sua vida poderá ser cancelada para sempre. Isso faz com que ele, o “Fiel da Ciência”, tenha medo não apenas de ostentar que lê, mas o pavor já chegou ao grau da leitura em si e assim, o covarde chega a ter medo até de ler escondido.


Esse mesmo covarde não tem medo de ser pego pela esposa tocando-se enquanto vê um pornô gay: terá sempre em sua defesa a homofobia alheia; mas se for pego rezando, ai sim, “não há o que lhe ‘salve’ no catecismo da Faria Lima”, ainda que estivesse orando pela Palavra da Salvação.


Ler um Salmo então, está no ápice da anagnosofobia.


O pavor incapacitante de descobrir a Verdade Encarnada sacramenta o “Fiel da Ciência” a uma covardia de rebanho cuja imunização à Verdade dispensa qualquer vacina.


Enfim: se você não tem medo de ler O Jardim das Aflições, considere-se uma pessoa de muita coragem. Se está lendo algo da filosofia clássica, você já é um guerreiro.


Mas se por um acaso você anda rezando em público ou lendo ostensivamente algo da Patrística ou algum Santo Doutor, então, você é um herói.



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