• Evandro Pontes

A jogada de Dória



O governador João Dória Jr. já lançou a sua estratégia anti-Bolsonaro e que ele acredita que poderá credenciá-lo na liderança de uma ação de Centro (moderado) e que ao mesmo tempo neutralize a esquerda petista (de quem ele se aproximou por intermédio de Haddad e de Cauê Macris, que conseguiu reunir votos do PT e do PSDB para apoiá-lo, Macris, na presidência da ALESP).


O trunfo de Dória está na vachina, a tal da Coronavac, do laboratório chinês Sinovac e produzida pelos militantes do Instituto Butantan.


Vamos descrever aqui o que provavelmente pode ocorrer assim que o plano de vacinação de Dória, o PEI (Plano Estadual de Imunização) for posto em prática.


A situação política de Dória hoje é muito ruim. Ele vem implementando medidas ditatoriais em cima da desculpa do vírus chinês.


Além disso, Dória transformou a vachina em um cavalo de batalha político: sim, Dória politizou completamente a questão da vacina. isso está mais do que claro e nem ele mesmo é capaz de negar essa questão, ao preferir por um tipo específico de vacina.


Dória sabia que ao apostar na vacina de origem chinesa, atrairia o desconforto dos chamados "militantes ideológicos". Dória tem usado isso como isca para atrair para si uma divergência ideológica que ele, como empresário, irá reverter com "resultados".


O governador de SP usa de uma série de medidas impopulares: proibição de missas, lockdowns, arrocho contra o comércio de rua e a vacinação compulsória (esta, uma isca lançada por Moro e Mandetta e mordida por Jair Bolsonaro na sanção da LEI CORONGA). A fórmula maquiavélica só pode ser compreendida por quem já leu A Confusão Demoníaca de Olavo de Carvalho.


Dória tem suportado bem a pressão e deve insistir nessa linha até conseguir um bom número de vacinados. Não será necessário vacinar todos - apenas uma parte, suficiente para fotos, filmagens e ações de marketing.


Os resultados negativos colhidos até agora (tanto em número de infectados quanto em número de mortes) já vem sendo jogado na conta do governo Federal. Há sérias desconfianças de que esses resultados sejam manipulados. Basta consultar o "Portal da Transparência / Cartórios" e observar os números relativos a óbitos em 2020.


A probabilidade de ocorrer manipulação reversa para alcançar uma brusca reversão desse quadro de mortes e infectados não pode ser descartada.


Após a vacinação compulsória no Estado, veremos números de morte e infecções despencar e Dória há de capitalizar politicamente em cima desses "resultados". Gráficos com "V" invertido circularão ao montes.


Essa estratégia fica absolutamente transparente quando percorremos o blog pessedebista, O Antagonista. O blog tem investido em massivas postagens pro-Dória, pro-vacina e em tom alarmante, que há de ser revertido assim que os resultados da vacinação pipocarem em pesquisas. O tom alarmante não será abandonado: pelo contrário, será apresentado em situação inversa, gritando por um quase heroísmo, similar aos gritos de pastores neopentecostais quando anunciam a "salvação" de alguma alma perdida. A técnica d'O Antagonista é a mesma desses pastores.


Na outra banda do espectro político, a direita, que hoje dorme em berço esplêndido, repetirá o que sempre faz: dirá que os números são fraudados.


Fazem isso quando as pesquisas lhes desagradam e quando as urnas não mostram o que gostariam de ver. Farão isso novamente quando os números (manipulados ou não) de Dória começarem a sair em meados de 2021, favorecendo-o politicamente e construindo a sua imagem de "bom gestor" e de uma pessoa preparada para "enfrentar crises".


Com base no marketing desses resultados, Dória deverá vestir o uniforme de Templário contra o vírus, de herói que derrotou a doença, de "déspota esclarecido" que salvou vidas por meio de sacrifícios justos, de governante iluminista e iluminado que manteve a ciência acima da ideologia e não teve preconceito contra uma solução chinesa, mas que funcionou. Esse há de ser o seu discurso.


Dória ainda vai retomar a retórica anti-PT e pro-Lavajato, vai trazer Moro de volta, vai voltar a falar em "bandido bom é bandido morto" e vai jogar toda a responsabilidade pelos números paulistas anteriores à vacinação compulsória na conta de Jair Bolsonaro. Com a ajuda de Moro, vai ainda jogar na conta do PR alguma coisa relacionada a corrupção, mas apenas como cereja desse bolo todo.


O político usará os Memoriais em Homenagem às Vítimas do COVID-19 para aplacar em Bolsonaro a pecha de "genocida". Dória vai usar e abusar de imagens (falsas ou verdadeiras, isso pouco importa, como diria Scott Adams) para emocionar a população contra a suposta "insensibilidade" de um político diante de uma doença que "matou milhares" e contra o qual pairam desconfianças relacionadas a temas que Moro vai emplacar em benefício de Dória.


Essa será a jogada de Dória para tirar Huck dos bastidores, atrair a "esquerda moderada" para si como catalizador de tendências "ao centro" e que luta, com resultados, contra os extremismos e assim pavimentar a sua ação como candidato viável ao Planalto.


Dória já conta, hoje, com o apoio ostensivo de Maia e dos Antagonistas.


Em menos de 5 horas só nesta manhã O Antagonista já soltou nada mais, nada menos do que 10 postagens sobre vacinação. É uma média de uma postagem a cada meia hora. Paralelamente, foram 7 postagens negativas contra o governo apresentando números de suposta piora na economia e na saúde. Há ainda 3 postagens favoráveis aos políticos do PSDB relacionadas ao imbroglio das eleições na Câmara e no Senado.


No hebdomadário manietado pelo mesmo grupo, a capa ostenta o embate nos bastidores entre Dória e Huck.


Essa estratégia dará certo?


Não sabemos ainda. Mas ela depende basicamente de um único fator: de Jair Bolsonaro e de sua disposição para aderência ao seu projeto eleitoral de 2018, abandonado em 2020. Se o abandono seguir com vistas a manter o chamego com o Centrão bem aceso, as chances de Bolsonaro tendem a despencar.


Se Jair Bolsonaro retomar o seu discurso de 2018, as chances de Dória ficam diminuídas.


Eis a razão pela qual seus auxiliares diretos e que estiveram todos na campanha de Geraldo Alckmin insistem tanto para que Jair abandone o único trunfo capaz de manter Dória na insignificância política.



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