• Gabriel Paculdino

A Macrização de Bolsonaro


É sabido por todos os seguidores do Prof. Olavo de Carvalho, que "nada está na realidade política de um país que não esteja antes na sua literatura". Trata-se de frase célebre do pensador Hugo Von Hofmannsthal, repetida frequentemente pelo filósofo brasileiro.


Também é verdade que a política de um país costuma seguir o exemplo de seus vizinhos, seja positiva ou negativamente. Ainda que não o siga efetivamente, o exemplo das nações próximas a um país permeia o imaginário de seus cidadãos, tornando possível, ou ao menos esperado, acontecimento análogo.


Foi debate exaustivo no Brasil a perda de Mauricio Macri na eleição à presidência argentina, para o presidente comuno-peronista Alberto Fernández. Esta perda, como bem deve recordar o leitor, foi precedida de profundas críticas à moleza de discurso e de iniciativa de Macri, que iniciou bem seu governo, mas se deixou levar pelo discurso moderado, inclusivo, negociador, tão caro às políticas de centro - seja esquerda, seja direita, esta última, o caso de Macri.


Os debates entre youtubers, analistas políticos et caterva, giravam sempre em torno do enfraquecimento do discurso combativo e das ações liberais/conservadoras, condutas usuais no início de mandato do ex-presidente, que foram determinantes para sua eleição e popularidade inicial. A pedra vinha sendo cantada, era praticamente unânime a tese de que, caso continuasse abrindo espaço à tergiversação, Macri acabaria, involuntariamente, perdendo seu mandato, ou, no melhor dos cenários, não teria chance em sua reeleição. Dito e feito, ocorreu o esperado e preconizado.


Nós, brasileiros, temos um grande defeito: analisar meticulosa e cirurgicamente a situação que ocorre no estrangeiro e não conseguir identificar o mesmo quadro quando ocorre aqui, bem debaixo de nossas narinas, com todas as suas particularidades. Ora, uma sucessão praticamente idêntica de acontecimentos, pelas regras da mais elementar lógica, não pode dar em resultados diferentes.


Há algum tempo, esta ShockWave News tem alertado o Presidente da República, seus ministros e sua base aliada no Congresso acerca do perigo que circunda a abertura às negociações com políticos centristas e a inércia no combate às pautas caras ao Conservadorismo.


Alertamos, diariamente, que a venda da pauta conservadora e liberal - economicamente falando - custará caríssimo ao Governo Federal, vide a experiência de nossos hermanos.


Quanto isto ocorre, a horda de apoiadores cegos do planalto se prontifica, às pressas, a defender suas condutas, sem qualquer tipo de análise crítica, feito torcida de futebol. Ditos conservadores chegam ao disparate de utilizar pautas, termos e linhas de raciocínio completamente progressistas, sem sequer notar.


A sorte de Macri foi ter conseguido finalizar seu mandato sem ter sido, antes, chutado de lá. Mas o fato é que sua legislatura única pavimentou o caminho e, em certo modo, melhorou as coisas no país para que a esquerda voltasse com toda a força, força esta que mostrou sua face mais obscura no dia de ontem, quando o Senado argentino aprovou, quase por unanimidade, o assassinato de bebês no ventre de suas mães.


É histórico: onde quer que um governo que se intitule de direita enfraquece no combate ao progressismo, a esquerda voltará passando o carro em todas as pautas caras ao conservadorismo.


Este é mais um apelo para que o Presidente volte seus olhos mais para o Brasil e menos para Brasília, como nos prometeu em seu, agora, moribundo Plano de Governo.

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