• Tuka

A “prisão” de Sara



Quando a pessoa passa do nível do aceitável no quesito “carência”, fica nítido em suas ações e, em muitos casos, ela evidencia um vazio existencial tão grande que precisa de cuidado.


Fazer uso de um acessório religioso para a sua própria promoção é sintoma de algo muito mais profundo e, em cima disso, vos escrevo esse artigo.



O significado da pulseira


Segundo o livro “O Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria”, a cadeia (nome usado para descrever a pulseira) é uma forma exterior de evidenciar que você é um consagrado à Nossa Senhora.


Neste mesmo livro, São Luís Maria Grignon de Montfort nos exorta que essa devoção é muito mais interior do que exterior. Uma vez que uma pessoa se torna consagrada pelo método tratado no livro, ela vive uma vida muito mais voltada ao seu interior, à salvação de sua alma, do que para as seduções do mundo.

Atualmente, o que vemos são muitas pessoas que se utilizam dessa forma de devoção como moda e se esquecem da essência dessa devoção, que passa por imitar as virtudes de Maria Santíssima para, assim, ser formado pelo Espírito Santo na pessoa sonhada por Deus.


Usa-se a cadeia para evidenciar que você rompeu com o pecado, com a sua vida velha, que tudo o que pertence a ti, pertence primeiro à Santa Mãe de Deus.


Ela, por ser medianeira de todas as graças, leva a Jesus nossas boas práticas — assim como foi nas Bodas de Caná (João 2; 1–12) — e intercede à Seu Filho por nossas necessidades.

Carência ao extremo


No referido caso do título, percebe-se que o maior intuito de tudo foi chamar a atenção de seguidores, causando alarde e voltando os olhares de todos para a situação.


Cabe ressaltar que não estou aqui a julgar se ela é ou não uma boa consagrada, pois isso quem julga é Deus.


Trago à reflexão, aqui, o que leva uma pessoa a chegar nesse ponto: seja sua afetividade destruída por não viver de acordo com a vontade de Deus, seja por sentir-se isolada, tendo em vista as coisas que ocorreram com ela. O fato é que nenhum dos motivos elencados é justificativa para se agir como ela agiu.


Como costumo dizer para as minhas amigas carentes: “se quiser chamar a atenção, use uma melancia no pescoço e saia numa avenida movimentada dançando ula-ula”. É melhor do que você usar sua devoção como palanque.


Usar objetos de devoção para se promover é, a meu ver, uma amostra do verdadeiro caráter que se esconde com uma máscara.


Pessoas que falam muito que “são de Deus”, não tem tempo para viver com Ele. Isso é mais uma amostra de que a nossa sociedade está doente.


Ao usar um objeto devocional como holofote, ainda mais de devoção à Maria Santíssima, é mais uma prova de que vivemos numa sociedade totalmente tomada pelo que eu chamo de “anti-marianismo”.


Sinais, meus queridos, são apenas sinais.