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Almirante The Hut


Reprodução

Nas fotos da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro para a sua missão em Nova York na ONU, sagazes olhares perceberam até a cueca pra fora da calça do Ministro Sanfona, no melhor estilo “Borat Bro”.


Mas poucos se questionaram quem seria o papagaio de pirata de óculos e semblante descuidado – trata-se do substituto de Fábio Wajngarten, o Almirante Flávio Rocha.


O Almirante Rocha é um velho conhecido do Planalto e sem a menor sombra de dúvida, pode ser figura central no processo de rendição de Bolsonaro ao Ministro Alexandre de Moraes, culminada com a carta por este forjada e intermediada pelo ex-Presidente Michel Temer.


Almirante Rocha, além de ser o responsável por indicações como a do ex-quase-Ministro Decotelli, passou a integrar o governo em seu círculo mais íntimo com a ida do assessor Jorge Oliveira para o TCU.


Quando Oliveira foi para o TCU, o Almirante Rocha entrou em cena com a tarefa de aprofundar a “Jorgecracia” no governo Bolsonaro – fritar e isolar a “ala ideológica” e construir todas as pontes necessárias com o Centrão, sobretudo aquela fatia ligada ao MDB.


Almirante Rocha teve papel fundamental na aproximação do ex-Presidente Michel Temer com o presidente Bolsonaro. Foi ele o responsável pela nomeação do ex-Presidente Temer como chefe de uma Missão diplomática em agosto de 2020 em Beirute, no Líbano, quando o Brasil prestou assistência àquela nação após o ataque terrorista que vitimou 170 pessoas e deixou mais de 4 mil feridos.


Essa costura aconteceu em um jantar em São Paulo na casa de políticos do MDB.


A subchefia da Missão Líbano, obviamente, coube a ele mesmo, Almirante Rocha.


No retorno da Missão, no dia 7 de setembro de 2020, exatamente 1 ano antes da carta de rendição de Bolsonaro, o Almirante Rocha promoveu um almoço em sua casa onde estiveram presentes os ministros Paulo Guedes, Tarcísio, Heleno, Bento Albuquerque, Teresa Cristina, Jorge Oliveira, Fábio Faria (então recém empossado na função), além de Mário Frias e Hélio Lopes. O destaque, entretanto, coube para a presença do então Presidente do STF, o Ministro Dias Toffoli.


O período que compreendeu entre o 7 de setembro de 2020 e o de 2021 foi marcado por perda de liberdades, recuos, censura, pactos com Centrão, cessão de espaço e, não coincidentemente, um crescimento enorme do poder político do Almirante Rocha seguido da consolidação da presença de Michel Temer e Nelson Jobim nas articulações de “distensão” entre STF e o bolsonarismo.


Ao longo desse período, ao lado do companheiro Temer e do companheiro Fábio Faria, o Almirante Rocha também visitou a Huwaei na China, bem como esteve na Argentina, chegando a se encontrar com o presidente Alberto Fernandez em janeiro de 2021.


Em dezembro de 2020 o então chanceler Ernesto Araújo havia criticado a decisão da justiça argentina em legalizar o aborto – o Almirante Rocha fez parte da comitiva, menos de um mês depois, para iniciar ali o processo de fritura do Ministro Araújo, selando um “armistício diplomático” que tergiversaria com a legalização do aborto na terra de los hermanos.


Temer, inclusive, fez efusivas declarações a imprensa na época, salientando que o Almirante Rocha é “muito preparado intelectualmente”.


Nesse período o Almirante Rocha trabalhou intensamente para buscar um Ministério que acomodasse o ex-Presidente Temer, para que com ele viesse a tropa do “Novo Rumo para o Brasil”.


Temer, no entender de Rocha, é peça chave para aproximar o Brasil da China e do atual presidente dos EUA, Joe Biden, de quem Temer se declara “amigo”. Temer também diz ter “ótimas relações” com Xi Jinping. Intelectualmente falando, o Almirante Rocha tem excelente alinhamento, item, ao modelo político e diplomático de Biden (em especial a abordagem multilateralista) bem como ao modelo econômico chinês desenvolvimentista, que fez o Ministério da Economia dar uma guinada de 180 graus em sua política “liberal clássica” para um modelo desenvolvimentista muito parecido com o da “nova matriz econômica” de Dilma (assistencialismo, intervenção estatal, aumento de carga tributária, incremento dos gastos públicos com infraestrutura e todo o aparato anti-Chicago que Guedes resolveu abraçar).


A aproximação de Bolsonaro com o PP de Lira e Ciro Nogueira atrapalhou, por um tempo, as estratégias do Almirante Rocha, que, resiliente, nunca desistiu. Lira e Nogueira atrasaram a agenda do Almirante, mas a sua resiliência de comandante naval falou mais alto e veio a prevalecer na rendição de Bolsonaro a Moraes intermediada por Temer no dia 8 de setembro de 2021. Venceram a China de Xi e da Huwaei e o modelo político da Democracia de Biden. E Donald Trump, que se fez representado no CPAC dias antes na figura de Junior, sabe disso.


Com Temer cada vez mais próximo e Lira cada vez mais distante, a implosão de um projeto de costuras está prestes a ocorrer, deixando escombros sérios pelo caminho.


Os próximos passos cabem a um agente político oculto nessa história e muito próximo de um importante convidado do almoço de 7 de setembro de 2020 – o Ministro Alexandre de Moraes, designado pelo próprio presidente do STF de então, o Ministro Dias Toffoli, de cuidar dos temidos inquéritos que prometem demolir o bolsonarismo até o final deste ano, em troca da sobrevivência política de seu patrono, o presidente Bolsonaro.


O day after é imprevisível – a dispersão da “base” obrigará a terceira via a mendigar, entre essa turba, os votos necessários para provar que a tal da democracia brasileira ainda sobrevive, ou, male ma, se tornou uma filial do “democracismo” bideniano de cores indigenistas, ambientalistas, “generistas”, multilateralistas, vacinantes e aceleradas pelo melhor 5G do mundo.




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