• Davi Eler

As sete virtudes cristãs (1/7): Fé




O desconhecimento dos cristãos modernos acerca dos símbolos de sua fé é algo que me assombra. Eu realmente não entendo como as pessoas desprezam os signos de sua crença. A não ser que elas não creiam de verdade, já que sabem mais dos símbolos de outras crenças do que da qual elas dizem professar.


O Cristianismo é uma fé prática, mas também intelectual, as duas coisas andam juntas. Eu conversei exatamente sobre isso com o Fernando Melo no episódio do meu podcast, o “Confissões”. Lá, tentamos entender o que fez com que o cristão moderno (brasileiro), tomasse asco do conhecimento, pois é nítido que isto é bem diferente dos seguidores de Cristo dos séculos passados.


Mas você deve estar se perguntando o que isso tudo tem a ver com este artigo. Bom, se não sabemos nem mesmo quais são as virtudes cristãs, quem foram os pais da Igreja, ou os dez mandamentos, nem mesmo o Pai Nosso, será que somos dignos de carregar o adjetivo de “cristãos”?


E para tentar ajudar as pessoas que desconhecem os principais símbolos de nossa fé e os conceitos basilares, como Trindade, eu comecei o meu podcast, e agora eu farei isto por escrito também. Pois cheguei tardiamente à conclusão de que a solução do nosso país não está na cultura, mas sim na religião.


Estamos onde estamos pelo simples motivo de nossa nação inteira estar servindo à um deus falso. Se estivéssemos no Antigo Testamento, Deus já teria acabado conosco.


Então, para tentar ajudar minha comunidade local e nacional, eu decidi focar todo o meu trabalho intelectual em fazer de nossa nação cristã novamente. E com este intuito, eu começo esta série de artigos sobre as sete virtudes cristãs, conhecimento fundamental para o cotidiano de quem se chama de “seguidor de Cristo”.


Bom, vamos então para o tema deste primeiro artigo: a fé. Em primeiro lugar gostaria de ressaltar que irei apenas apresentar o tema; caso o leitor queira se aprofundar, terá que fazer por suas próprias pernas. Mas aqueles que quiserem alguma ajuda minha, basta deixar um comentário no post e eu tentarei auxiliar da forma que me for possível.


Explicado então todos esses pontos, vamos para o tema em si. Neste artigo específico serei mais breve, pois já gastei parte do texto introduzindo a série. E para que não fique muito longo, sou obrigado a ser mais raso, mas não deixarei os principais aspectos desta virtude passarem.


Em primeiro lugar é necessário entender que a virtude da fé não se trata de um fideísmo, o Cristianismo não tem esta característica. Nossa fé é, sim, racional, vários doutores do Cristianismo deixaram isso claro.


Contudo, a razão é limitada e não explica todas as coisas, também não é capaz de abstrair toda a realidade, pois para isso teria que estar acima dela e até entender isso é racional. E é nesses pontos que entra a fé.


Quando falamos de Trindade, por exemplo, usamos nossa razão para criarmos um conceito e entender que ele é bíblico. Mas ao mesmo tempo, também é um mistério que Deus escolheu não revelar totalmente para nós.


Porém, a virtude da fé não se trata somente disso. O ser humano é uma espécie dotada de fé, — não digo somente no sentido religioso — nós temos fé nos outros e até em coisas.


Deixe-me dar um exemplo: você provavelmente está sentado, assim como eu, e neste momento nós dois temos fé de que a cadeira vai nos aguentar. Esta confiança é baseada em uma série de informações (que nós também confiamos) e em nossa experiência e razão. Todas estas coisas são nesse instante objeto nossa fé.


Mas como vocês devem imaginar, a fé como uma virtude teologal é diferente. Em primeiro lugar, não é algo que todos tem, é um dom que Deus dá a alguns (os cristãos). Pois somente com este presente conseguiríamos crer em coisas como a Trindade, a inerrância e autoridade absoluta das Escrituras, além da plena humanidade e divindade de Cristo.


Para crermos em todas estas coisas sobrenaturais, Deus credita a nós um dom: a fé. Este ato nos é apresentado, por exemplo, em Efésios 2:8, no qual o apóstolo Paulo diz o seguinte:


“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”.

Aqui nos é ensinada uma importante lição: esta virtude da fé, exclusiva aos cristãos, vem de Deus, e não de nosso esforço, conhecimento ou sabedoria. Estas coisas têm serventia gigantesca, sim, mas nossa fé vem do próprio Senhor, Ele confiou este dom a nós.


E para concluir este artigo, eu gostaria que todos nós nos perguntássemos: o que estamos fazendo com este dom que nos foi entregue pelo Criador do universo? Estamos fazendo o melhor uso dele, como por exemplo, estudando para fortificá-lo? Ou estamos negligenciando-o, pois escutamos por todos os lados que “a religião é o oposto da ciência, ela é inócua de fatos e intelecto”?


Devemos dar uma resposta para Deus sobre o presente que nos foi confiado, por duas razões: a primeira e mais importante, é a gratidão, que é fácil de entender. Mas sei que, para algumas pessoas, isso não basta.


Então vamos à segunda razão: lembre-se que você será cobrado por Deus sobre suas boas obras, pois todos prestaremos contas no fim dos tempos. Se, por exemplo, eu sou bom em esportes, mas usei isso para me engrandecer em vez de engrandecer a Cristo, prestarei contas.


Então que possamos, a partir de hoje, dar uma resposta digna à Deus por tudo que Ele fez e entregou a nós.


Até a próxima e fiquem com Deus.