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  • Mr.Blue

As sete virtudes cristãs 3/7: Amor




Muitas pessoas confundem o amor cristão com pacifismo, como se Jesus fosse um hippie. Cristo foi o ser mais manso a pisar nesta terra, mas ele não era um pacifista. Lembremos de cenas como ele expulsando as pessoas que estavam vendendo coisas no templo na porrada, quando ele chama os fariseus de “raça de víboras” — não me parece uma expressão muito bacana — ou quando ele mesmo diz que “não traz paz, mas sim a espada” (Mateus 10:34).


As pessoas não entendem que Deus é, sim, amor, mas também é ira contra o pecado. Não existem dois deuses na Bíblia, o Deus do Antigo Testamento e do Novo é o mesmo, ele só agia de formas diferentes. Mas então, se o amor cristão não é o amor de um hippie, o que é essa virtude e pra que ela serve? Bom, é isso que responderei neste artigo.


O amor cristão é, assim como todas as virtudes citadas até agora, um presente de Deus. Ganhamos dele um amor sobrenatural para que, assim como Jesus Cristo, possamos amar nossos inimigos. Pois é, esta verdade tão importante foi esquecida: nós precisamos amar nossos inimigos como Nosso Senhor nos amou. Já que eu e você também éramos adversários dele, seus maiores ofensores, mesmo assim Ele nos salvou da danação eterna.

Dietrich Bonhoeffer, um teólogo alemão — que foi morto por Hitler por pregar o evangelho — em seu livro “Vida Em Comunhão”, faz uma diferenciação muito precisa sobre o amor humano que ele chama de anímico, e a virtude teologal que recebemos, a qual ele chama de amor espiritual. Segue um trecho do livro, da página 25:


“Exatamente neste ponto é que começa o amor espiritual. Por isso é que o amor anímico se transforma em ódio pessoal ao encontrar-se com o autêntico amor espiritual que não deseja, mas serve. O amor anímico tem em si mesmo sua meta, sua obra, seu ídolo que ele adora, ao qual tudo deve estar sujeito. Cuida, cultiva e ama a si mesmo e nada mais no mundo. O amor espiritual, no entanto, procede de Jesus Cristo, serve somente à Ele e sabe que não tem acesso imediato ao outro. Cristo está entre mim e o outro. Eu não sei o que significa o amor ao outro previamente, com base na concepção geral de amor, resultante de meu desejo anímico. Perante Cristo, tudo pode muito bem ser ódio e o pior tipo de egoísmo. Somente Cristo, me dirá, por sua Palavra, o que é o amor. Contra todas as ideias e convicções próprias, Jesus Cristo me dirá como, na verdade, é o amor ao irmão. Por isso o amor espiritual está ligado exclusivamente à Palavra de Jesus Cristo”.

Este trecho é simplesmente fantástico! O autor nos mostra que a fonte da virtude do amor verdadeiro não é o desejo anímico (psíquico), mas sim a Palavra de Jesus Cristo. E seu objetivo não é o de atender aos caprichos de nossa alma egocêntrica, mas sim servir. Assim como Cristo, o maior de todos, veio a Terra para servir e não para ser servido. Dessa forma, nós também devemos utilizar este amor sobrenatural que foi derramado sobre nós para servirmos a todos ao nosso redor.


Outro trecho do mesmo livro também me impactou muito (página 27):


“O amor anímico vive do desejo obscuro incontrolado e incontrolável; o amor espiritual vive da clareza do serviço da verdade. O amor anímico produz escravidão humana, dependência, constrangimento; o amor espiritual cria a liberdade dos irmãos sob a Palavra. O amor anímico germina flores artificiais de estufa; o amor espiritual produz os frutos que se desenvolvem sob o céu aberto de Deus, sob chuva, tempestade e sol, sadios, como agrada a Deus”.

Mais um trecho sensacional! Bonhoeffer nos ensina uma importante lição aqui. O autor faz uma narrativa de contrapontos: coloca o amor anímico (natural) de um lado, o amor espiritual (sobrenatural) de outro e mostra suas diferenças. Sem Cristo e sua Palavra, nós não teríamos acesso a este amor espiritual, o sangue do Filho nos concede esta graça.


Porém, eu gostaria de ressaltar o ponto no qual ele diz que o “amor espiritual vive da clareza do serviço DA VERDADE”. Nós não vivemos à serviço do bem-estar alheio, nem do nosso, mas sim à serviço da Verdade. Quem foi mesmo que disse que era a Verdade, o Caminho e a Vida?


Pois é, nosso compromisso não é deixar as pessoas alegres, falar o que elas querem ouvir, nem em ajudar aos pobres. Nosso compromisso é com a Verdade, nós servimos à Ele. E por sermos servos deste Senhor, nós o obedecemos, sendo caridosos, sendo pacientes e complacentes.


Muitos podem chamar a nós, cristãos, de arrogantes por isso. Mas o fato é que nós fomos salvos pela Verdade, e somente aqueles que foram libertos pelo sangue Dele tem acesso à Ela. Mas, por termos este acesso, nós ajudamos a todos ao nosso redor, pregando a Palavra com caridade financeira, orações e a lista segue...


Contudo, meus irmãos cristãos, será mesmo que estamos agindo com este amor espiritual que o teólogo alemão nos apresentou? Será que estamos refletindo o amor de Cristo, que não age por seus desejos, mas em serviço à Verdade?


Talvez estejamos agindo com este “amor anímico, que vive do desejo obscuro incontrolado e incontrolável”. Temos que tomar cuidado, nos policiar sempre, e orar para que o Espírito Santo nos mostre os erros e nos dê força para vencermos nossos pecados. Pois sem Ele e sem o sangue de Cristo, não conseguiríamos e ainda continuaríamos servindo ao pecado e satisfazendo nossos desejos.

Até a próxima e fiquem com Deus.