• Davi Eler

As sete virtudes cristãs (5/7): Justiça



No mundo atual, a visão de justiça foi totalmente deturpada. Nossa sociedade entende que uma pessoa justa deve ser neutra e que aquilo que a maioria decide sempre será justo, correto e moral. Esses são alguns exemplos de como perdemos de vista o verdadeiro conceito de justiça, principalmente a justiça cristã.


O ser humano tem um anseio por “justiça” e até mesmo os povos que não conheciam o Cristianismo tinham um código moral. Obviamente eles não tinham uma lei dada pelo próprio Deus — como os hebreus — mesmo assim tinham uma estrutura jurídica. O código de Hamurabi talvez seja o exemplo mais famoso disso que eu estou falando.


Entretanto, com a queda, o pecado original se instaurou na humanidade e, com isso, nos tornamos seres totalmente perversos. Dessa forma, qualquer estrutura, código ou conceito humano se torna falho, pois nós somos seres falhos.


E sendo assim, essa aparente justiça que nós ansiamos é, na verdade, só uma satisfação própria. Não queremos, por exemplo, que o assassino de nossa mãe seja morto, pois é o certo. Mas muitas vezes queremos o certo somente para alimentar nosso ego ferido, para que assim possamos nos sentir melhor. Não me refiro de forma negativa ao fato de ser justo o meliante ser morto por tal ato, mas a questão aqui é a intenção em nosso coração.


O próprio Paulo em Romanos 3:9-23 diz o seguinte: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito:


Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz.

Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei, o diz para que se cale toda boca e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos (e sobre todos) os que creem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

O apóstolo deixa muito claro neste texto que TODOS nós fomos encerrados na incredulidade, outra expressão que ele também usa em Romanos 11:32. Então se não podemos confiar em nosso “senso de justiça”, em nossos “códigos morais” ou “conceitos de correto”, em que confiaremos?


Bom, precisamos de um código de leis que seja feito por um ser realmente e plenamente justo, bondoso, amoroso, misericordioso e santo. Onde será que podemos encontrar isso? Obviamente é uma pergunta retórica. No Livro que muitos dizem ser machista, homofóbico e outras coisas. Na verdade, é nele que encontramos a real justiça. Uma justiça amorosa, bondosa, misericordiosa e santa, mas não esqueçamos, JUSTA.


E agora, com o verdadeiro conceito de justiça e com o único código moral realmente correto, nós podemos ser justos. Por meio dos ensinamentos bíblicos entendemos que devemos dar a tudo e a todos o que é devido, isso inclui a minha pessoa e Deus. Também devemos pagar e cobrar um valor justo pelas coisas: se estivermos em posse de um objeto emprestado, devemos nos responsabilizar por ele etc.


A partir da ótica correta da justiça e da moral — que vem da Bíblia — nós podemos agir também de forma moral e justa, não porque nós somos bons, mas pelo motivo da Santíssima Trindade — autora da Bíblia — ser boa por essência. E por meio dos decretos de Deus, do sacrifício e do exemplo de Cristo, além da transformação que o Espírito Santo efetua em nós, conseguiremos agir de forma moral e justa.


O ponto principal é: se todos os cristãos do Brasil agissem assim, nosso país estaria em uma situação bem diferente. Então, que nós nos perguntemos: mesmo tendo recebido o sacrifício de Cristo e sendo habitação do Espírito Santo, será que estamos agindo de forma moral e justa? Se não estamos, qual o motivo de nossa negligência?


Como queremos “arrumar” o país, se não arrumamos nossa casa, se para nossa própria família, vizinhos ou irmãos da igreja não damos o devido exemplo? Aliás, mais uma simples pergunta: você conhece todos os membros de sua comunidade cristã?


Jamais mudaremos o cenário macro (nacional) enquanto o micro (família, bairro, igreja etc.) não for impactado. E uma das melhores formas de atingir estas esferas é por meio do bom testemunho, sendo exemplos para as pessoas ao nosso redor.


Até a próxima e fiquem com Deus.