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  • Mr.Blue

As sete virtudes cristãs (7/7): Temperança





Diferente das outras virtudes que foram deturpadas, a temperança foi simplesmente esquecida. A mistura de um hedonismo piorado com a trágica evolução do romantismo resultou em um completo desprezo pela temperança.


Esse hedonismo deturpado diz que devemos fazer somente o que nos dá prazer e, diferente dos gregos hedonistas, prazer para nós, hoje, significa fazer sexo desbragadamente, ter o máximo de dinheiro possível sem nos importarmos em quem iremos pisar e nos entupir de narcóticos. Pois achamos que isso é prazer.


E do outro lado, como eu disse, a trágica evolução do Romantismo alemão, um movimento que começa com o desejo de se contrapor ao Iluminismo e com fortes linhas nacionalistas, a fim de restaurar o Sacro Império Romano Germânico. Dessa forma, trouxe para a linguagem escrita dezenas de histórias do folclore germânico, o que acabou influenciando a música também.


Mas sua evolução do Romantismo alemão não poderia ser mais trágica — bem no sentido de uma tragédia grega — já que acabou por gerar pessoas que só pensam nas emoções. No afã de destruir a narrativa iluminista do absolutismo da razão, terminaram no reinado tirano das emoções.


Ainda quero escrever alguns artigos tratando sobre a razão e o quanto as pessoas estão influenciadas pelo Iluminismo ao pensarem que ela (a razão) é superior as emoções. Mas o mais trágico é que, apesar disso, elas agem de forma romântica também. É coisa de maluco, as pessoas pensam como iluministas e agem como românticos.


Isso mostra a falta que esta virtude da temperança nos faz. E por causa de todos esses movimentos que tentam fazer com que um aspecto do ser humano sobressaia aos outros, acabamos por negligenciar totalmente a temperança.


A virtude da temperança, que também é conhecida como o “freio da alma”, basicamente nos ajuda a lidar com as coisas criadas de forma saudável. Então, para interagirmos com o sexo, com o dinheiro, com o sono, com a diversão, com drogas (nesse caso, penso no máximo em um remédio para dor de cabeça) e outras coisas de forma saudável, precisamos do auxílio desta virtude. A temperança nos auxilia a refrear nossos instintos abusadores e consumidores.

Gostaria de, como no artigo anterior, citar aqui o Papa João Paulo II. Ele conseguiu resumir bem o que é esta virtude e isso irá nos ajudar bastante no seguimento do raciocínio.


“O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e sobre o coração. Entendamos, portanto, como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espetáculo de um alcoólico ou de um drogado nos faz compreender claramente que ‘ser homem’ significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se conduzir pela virtude da temperança. Dominar a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se insensível, indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral ‘estoica’”.

Depois dessa excelente explanação sobre essa virtude, eu poderia muito bem encerrar meu texto por aqui. João Paulo II resumiu com maestria o que é a temperança. Como todas as outras, ela está intimamente ligada ao fruto do Espírito, sem o qual nós jamais conseguiríamos agir com fé, esperança, amor, prudência, justiça, fortaleza ou com a própria temperança.

Então, pessoal, gostaria agora de propor uma aplicação prática de todas estas virtudes que nós aprendemos até agora. Que possamos refletir no seguinte sentido: será que estamos agindo como Cristo nos ensinou? Será que estamos agindo como pequenos “Cristos”? Será que estamos imitando a Paulo? Pois se estamos, por qual motivo não vemos transformação?


Se somos cristãos de fato, por qual motivo meu casamento, minha relação com meus pais, com meus filhos, meus colegas de trabalho, no meu prédio e no meu bairro continuam iguais? A luz causa reação, nem que seja de fuga e desprezo. Se não estamos causando alguma reação por onde passamos, é porque estamos agindo igual aos que ali estão.


A única coisa que salvará o Brasil é o Cristianismo e, para isso, precisamos de cristãos agindo como cristãos. De nada adianta se dizer cristão, mas saber que um colega de trabalho rouba e não fazer nada ou então maltratar seu filho e/ou esposa.


Nós, cristãos, precisamos agir como tal não para salvar o país, mas em primeiro lugar porque Cristo morreu em uma cruz por mim e por você. Ele recebeu sobre si o cálice da ira de Deus, tudo isso para que nós pudéssemos ter acesso ao Pai. Então o mínimo que podemos fazer é agir em gratidão.


Até a próxima e fiquem com Deus.