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Aurora


Por: BCWB


Já teve a sensação de sonhar e ter certeza de que tudo aquilo aconteceu?


Ou a sensação de nunca estar só quando as luzes se apagam?


Sempre nos encontramos no mesmo lugar, um quarto escuro com paredes velhas e, uma cama com lençóis brancos, não tenho certeza de onde fica porque sempre que abro os olhos já estou lá e ela nunca conta como chegamos ali.


Quando estamos juntos ela sempre tem um ritual, fica me olhando fixamente como se pudesse ver o que acontece na minha cabeça, algumas vezes parece um anjo outras parece um bicho caçando. Nunca tinha visto nada parecido.


Desta vez não consegui me mexer, estava não sei como paralisado, mas por dentro queimava de desejo e quando fechei os olhos senti o toque da mão dela subindo por meu joelho.


Nesse momento me descontrolei e só queria uma coisa: pegar aquela mulher e rasgar o corpo dela inteiro e foi quando consegui, enfim, me soltar que abri os olhos: ela tinha sumido.


Fiquei louco, sentia o perfume dela, senti sua presença e até o toque de suas mãos, não poderia só sonho!


Isso acabou me deixando atordoado por que essa não fora a primeira vez que ela entrava nos meus sonhos, um rosto desconhecido, um corpo quente, cheio de curvas, um olhar que parecia uma lança afiada e aquela boca que me fazia perder o controle só de pensar.


Fiquei obcecado e todo dia pedia para ela vir, mas do mesmo jeito que aparecia ela também sumia.


Até que um dia sem pensar muito e bem cansado adormeci no sofá, sem pensar em nada...apenas deitei e fechei os olhos e quando dei por mim ela estava lá e nossa como era linda, com um vestido transparente deitada embaixo de mim com os olhos fixos nos meus.


Puxei-a para mim e minha mão deslizava por seu corpo, passando dos seios até as coxas e quanto mais excitante mais ela pedia.


Ela me provocava dizendo meus desejos secretos, e fazendo perder os sentidos enquanto pedia minha alma.


Com o passar dos dias me senti muito fraco, quanto mais ela aparecia mais fraco eu ficava...sim ela estava drenando toda minha energia vital.


Não sei como sair dessa situação e não tenho forças para pensar em uma solução.


Decidi ligar para um amigo e pedir ajuda e prontamente ela me atendeu e sem questionar falou que levaria um padre, um pastor qualquer um que pudesse ter forças contra esse ser que me enfeitiçou.


Por mais que eu repetisse para mim mesmo que não era real, não era suficiente porque quando pensava nas formas do corpo dela só enxergava uma mulher.


Depois que falei com meu amigo fiquei 3 noites sem sonhar com ela, confesso que senti um misto de alívio e saudades, então ela voltou.


Mais provocante e mais persuasiva.


O que eu poderia fazer a não ser me entregar?


Ela sussurrava promessas no meu ouvido enquanto seu corpo passeava pelo meu...era irresistível.


Já não saia mais de casa e nem forças para segura a caneta eu tinha, então quando meu amigo veio me visitar mostrei esse diário para ele e pedi para que continuasse a escrever.


A partir daqui sou eu Júlio que escrevo a história de Henry.


Foram três dias acompanhado seus delírios, rastejo pelo chão tentando chegar até o banheiro e vendo de perto sua vida indo embora.


Henry chamava sempre por Aurora, com esse nome ele tinha diálogos estranhos desde suspiros a reações de agressivas, ele queria sair daquele mundo, mas não conseguia.


Na noite do segundo dia consegui que um padre fosse vê-lo, expliquei que estava indo buscá-lo ali perto e que em 5 minutos estaria de volta.


Ao chegarmos encontramos Henry de joelhos, olhos e boca abertos com a expressão mais aterrorizante que já vi na vida.


No chão próximo aos seus joelhos esqueléticos um peço de papel escrito assim:


"Eu trouxe o beijo da morte."

Era tarde demais, Aurora tinha completado seu ciclo e levado a alma de meu amigo.


Por um instante achei que fosse alguma amiga do trabalho, mas não havia ninguém na sala. O dia acabou e fui pra casa.

Confesso que um pouco atordoado e mais uma vez peguei no sono ali mesmo no sofá e quando dei por mim de novo a voz me chamou, era ela.


Quando olhei lá estava ela, deitada na minha cama na posição em que uma submissa tem que estar, de joelhos, cabeça baixa, nua, mãos e pés atados.


Ela sabia dos meus desejos mais secretos, todos eles.


Acordei e mais uma vez percebi que foi outro sonho, estava diferente e entendi que um pedaço de mim tinha sido retirado e foi quando lembrei de uma história que ouvi há muitos anos atrás, sobre demônios que usam o sexo para sugar sua energia vital.


Depois de tantos encontros e de tudo que vivi tenho certeza que ela é um desse... Uma Súcubos.


Estou fazendo sexo com um demônio e estou fascinado!


Decidi, não vou trabalhar hoje, quero que ela venha mais uma vez e sim ela veio, mais voraz e com um apetite mil vezes maior que o comum.


Embora pareça loucura saber que um demônio está dominando minha cabeça e meu corpo, já não consigo mais tira-la de mim.


Droga!


Talvez eu esteja maluco ou não sei mais o que pensar e nem o que fazer.

Dizem que a Súcubos vive de energia vital, a minha ainda pulsa.


Minha decisão está tomada.


Antes disso quis deixar registrada minha história, minha carta de despedida.


Vou com ela, morrer para viver ao lado de uma Súcubos?


Morrerei de qualquer forma... Quem me garante que agora estou vivo?