• Dica HQ

CHAOS, de Felipe Folgosi

Comecemos com CHAOS!

Nada mais justo começar o meu primeiro post aqui no site da Shockwave do que dar uma olhada no trabalho do ator e escritor Felipe Folgosi.


Para quem não me conhece, estou lá no Instagram no @DicaHQ. Ávido colecionador e amante da nona arte, eu posto todo dia minhas últimas leituras.


Já fica um aviso: eu não busco comentar sobre lançamentos de quadrinhos! Eu leio muita coisa que faz um tempo que foi lançado. O que me interessa é encontrar boas histórias, não histórias novas.


Por exemplo, a história em quadrinhos Chaos, lançada em 2019 após ter sucesso ao conseguir financiamento coletivo. Com desenhos e cores de Emílio Utrera, a HQ é continuação de Aurora e faz parte de uma trilogia que será concluída com Omega, projeto que está atualmente em fase de campanha de financiamento.


Chaos é um tanto diferente de Aurora. Enquanto este tratava de uma história mais sobrenatural com uma influência das ideias transumanistas, aquele trabalha o tema do globalismo, um só governo mundial, homogêneo e altamente controlador.

A história começa com o cientista Ryan Costello fugindo de casa com Cláudia Santos e seus filhos. Ela era a esposa de Rafael (protagonista da primeira parte), com quem teve Annabelle e Gabriel. Ryan e eles estão fugindo das autoridades há tempos devido aos acontecimentos de Aurora. Vale esclarecer que o menino herdou as faculdades do pai, como telepatia e telecinese, e é extremamente poderoso, embora ainda uma criança.



Logo de início já vemos algo tenebroso: as pessoas pelos EUA (e em outros lugares do mundo) estão sendo tatuadas com uma assinatura digital, um tipo de dispositivo que as permite se identificar, viajar, realizar transações e... serem localizadas em qualquer lugar do mundo. Ryan, totalmente avesso a essa loucura ditatorial e ao sistema, foge com Cláudia e as crianças. Por sorte, eles não estão sozinhos: um velho amigo, Murphy Newman, está formando um grupo de resistência com um grupo de agentes governamentais rebeldes e auxilia Ryan em sua fuga.

Vamos acompanhando duas coisas: a formação de um governo mundial graças aos esforços da ONU (com direito a velhas promessas de erradicação da pobreza e da fome) e a formação do grupo de resistência contra o domínio global, encontrando outras pessoas com poderes incríveis, como a vovó russa Snezhana e a garota islandesa Arja.



Uma das partes mais interessantes é o momento que mostra a existência de um projeto de um supercomputador quântico, que irá permitir o controle da humanidade através de chips (das tatuagens) em escala global e em tempo real, retirando a liberdade do ser humano, forçando-o a se limitar a uma égide puramente materialista.

Eu lembro a primeira vez que ouvi falar sobre computador quântico, nos anos 2000. Foi através de uma entrevista do cientista e espiritualista Amit Goswami, que estava participando do primeiro projeto de computador quântico. Na entrevista, ele falava como o computador quântico traria mudanças estratosféricas.


Sobre o quadrinho em si, percebe-se que Felipe Folgosi melhorou muito seu roteiro entre Aurora (2015) e Chaos (2019), dando mais dinamismo e mais desenvolvimento aos personagens. A narrativa gráfica também está bem melhor, com boas transições de cenas, deixando tudo mais fluído.

O traço de Emílio Utrera é bom, mas nada espetacular. Porém, seu trabalho de cores está incrível. Os efeitos que ele consegue criar dão um toque a mais no trabalho. As cenas na neve e as cenas noturnas são excelentes.

Agora, é aguardar o final da trilogia (o público ama trilogias!), pois ficou aquele gostinho de “quero mais”.


Para quem não sabia que o ator da novela Olho por Olho (1993) era também roteirista de história em quadrinhos, ele tem outros trabalhos: Knock Me Out!, Um Outro Dia e Comunhão. Quem quiser adquirir, basta enviar mensagem diretamente para ele no Instagram @felipe_folgosi.


Espero que tenham gostado desta primeira dica. Para mais dicas de quadrinhos, acompanhe o @DicaHQ.