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China quer mais filhos

A China anunciou que permitirá que casais tenham até três filhos, depois que dados do censo nacional mostraram um declínio acentuado nas taxas de natalidade.


Foi anunciado pela agência de propaganda oficial chinesa, Xinhua, a mudança de política será acompanhada por “medidas de apoio, que irão melhorar a estrutura populacional do país, cumprindo a estratégia de lidar ativamente com o envelhecimento da população e manter a vantagem na dotação de recursos humanos”.


A decisão ocorre apenas três semanas depois de Pequim publicar seu censo de 2020, que mostrou que a população da China estava crescendo ao ritmo mais lento em décadas.


Segundo os resultados dos últimos censos, publicados em 11 de maio, a população chinesa cresceu em ritmo mais lento nas últimas décadas. Em média, houve um crescimento anual de 0,53% ao longo dos últimos dez anos, abaixo dos 0,57% registrados entre os anos 2000 e 2010. Os censos preveem que a população chinesa pode começar a cair já a partir do próximo ano.


Por esse motivo, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou “medidas para responder ao envelhecimento da população”, principalmente a ampliação dos limites da natalidade para três filhos por casal.


O Partido Comunista Chinês não está lentamente removendo seu controle draconiano sobre seu povo, este controle ainda está lá, em vigor e mais forte do que nunca.

Não podemos perder a parte chamada "política".


O PCCh mantém a política de controle de natalidade criada há décadas atrás. De tempos em tempos ela sofre pequenas alterações de acordo como crescimento ou queda populacional.


Além do controle demográfico a "política do filho único" causou dezenas de milhares de abortos e esterilizações; perseguições, humilhação, assassinatos, etc.


Agentes corruptos e brutais do planejamento familiar demoliram as casas de alguns que resistiram. As mulheres tinham seus ciclos menstruais registrados em quadros-negros, para que todos pudessem ver. À medida que as cotas de natalidade diminuíam, as proporções do sexo masculino para o feminino tornaram-se mais distorcidas com a escolha seletiva de meninas para este fim. A China agora tem 30 milhões de mulheres a menos do que homens. O país reduziu a população que teria de qualquer forma, mas por um caminho excepcionalmente cruel.


A ampliação do plano de natalidade chinês não é um reconhecimento tácito e/ou arrependimento pelo dano causado as famílias e a nação. O PCCh nunca admitirá que "cruzou linhas".


Trinta anos atrás, o condado de Guan, na província de Shandong, lançou a campanha “100 Dias sem Filhos” sob o escudo do planejamento familiar.


As autoridades do condado procuraram controlar a população garantindo que nenhum bebê nascesse entre 1° de maio e 10 de agosto de 1991. Como atestam as contas locais, as autoridades da área fizeram de tudo para serem os “melhores” na reprodução mínima, no que alguns locais chamam de “a matança dos cordeiros". Toda mulher grávida era forçada a abortar.


Segundo testemunhas locais esses “procedimentos” às vezes não passavam de um chute no estômago. As crianças que conseguiram chegar ao mundo foram supostamente estranguladas e seus corpos jogados em fossas abertas. As famílias das mulheres grávidas foram envergonhadas.


No início dos anos 50 o governo comunista chinês iniciou uma campanha incentivando as famílias a terem mais filhos, limitando ou zerando o acesso aos métodos contraceptivos.


“Mesmo que a população da China se multiplique muitas vezes, ela é plenamente capaz de encontrar uma solução; a solução é a produção”, Mao Zedong proclamou em 1949. “De todas as coisas no mundo, as pessoas são o bem mais precioso.”


No entanto, a explosão do crescimento da população foi tendo um pesado pedágio sobre os suprimentos alimentares do país. Em 1955 o governo lançou uma campanha para promover o controle de natalidade.


A política do filho único fazia parte de um amplo programa projetado para controlar o tamanho da população em rápido crescimento da China.


Diferente das políticas de planejamento familiar da maioria dos outros países, que se concentram no fornecimento de opções anticoncepcionais para ajudar as mulheres a ter o número de filhos que desejam. Em 1978, Deng Xiaoping estabeleceu um limite para o número de nascimentos que os pais poderiam ter, tornando-se o exemplo mais extremo do mundo de planejamento da população. 400 milhões de nascimentos foram "prevenidos".


A proporção da população da China em relação ao total mundial caiu de 22% nos estágios iniciais da reforma para 19% em 2010.


Em 2016, a China descartou a política do filho único na esperança de aumentar o número de bebês, substituindo a medida por uma política de dois filhos.


Na época, também estabeleceu a meta de aumentar sua população para cerca de 1,42 bilhão até 2020, de 1,34 bilhão em 2010. Porém, a taxa de natalidade continuou diminuindo pelos 4 anos seguintes.


E novamente, o controle de natalidade foi atualizado. O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou “medidas para responder ao envelhecimento da população”, principalmente a ampliação dos limites da natalidade para três filhos por casal.


Uma pesquisa feita pela agência Xinhua trazia uma pergunta objetiva: "Vocês estão prontos para a nova política dos três filhos?". A resposta esmagadora de quase 100% dos que acessaram a enquete disseram "Não irei considerar de forma alguma". Parece que o PCCh não ficou satisfeito com o resultado e a enquete foi apagada do site da agência rapidamente.


O estilo de vida chinês também está em conflito direto com os esforços do PCCh para evitar uma "crise" demográfica. Homens, principalmente os Millenials, afirmam preferir não ter filhos - arriscam até mesmo "ir à faca" para garantir isso. As filas para realizar vasectomias parecem estar crescendo. É a tendência do “Renda dupla, sem filhos.” (em inglês, D.I.N.K. - Double Income No Kids).


Depois de décadas da política do filho único, os chineses não querem mais filhos. O aumento dos custos e outros problemas econômicos fizeram com que muitos jovens evitassem a paternidade (2/3 da população vive com menos de 3 dólares por dia (ou 15 reais/dia). A competição por escolas e apartamentos continua se intensificando.


Certamente nenhum desses problemas serão resolvidos com "políticas de controle familiar".