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  • Donald Duck

Como a aproximação de Bolsonaro com o Centrão pode ameaçar a pauta conservadora

Atualizado: Abr 15


Muito tem se falado, e com razão, da recente aproximação do Governo Federal, por intermédio de seus porta-vozes, com o chamado "Centrão Fisiológico". Essa camada política, das mais antigas e aparelhadas de nossa história, tem a característica da maleabilidade de pautas, agindo sempre conforme seus interesses eleitoreiros ou de mera sobrevivência.


À primeira vista, tende-se a imaginar que este problema é meramente casuístico e, se dominarmos as pautas, conseguiremos tornar os partidos de centro em aliados. Ocorre que as consequências desta flexibilização e a consequente abertura a conchavos é parte mesma da deteriorização da pauta conservadora.


Ser conservador é não se abrir à tergiversação, às negociações em nome da "governabilidade". É asfaltar menos estradas que a moral judaico-cristã, tão vilipendiada ultimamente. É investir menos em projetos globalistas, já suficientemente financiados, e mais no indivíduo, nos pequenos pelotões, nos pequenos trabalhos, nas manufaturas.


Mais a fundo, ser conservador é não abrir mão de certos valores, que insistentemente vêm sendo esquartejados por ministros cujas pastas nem deveriam existir, numa perspectiva conservadora de governo.


Sabemos que Jair é o menos culpado pelo estado de coisas atual. Mas o fato é que a aproximação e os pedágios pagos ao progressismo em nome da continuidade de um projeto de governo que já se prostituiu em quase todas as frentes é, como vamos passar a explanar, a causa mesma de sua derrocada.


Por mais que saibamos que ser conservador é uma postura individual diante da vida - já diria Oakeshott em seu famoso "Ser Conservador"-, a insistência do governo que outrora teve esta postura em se denominar conservador é demasiado prejudicial ao indivíduo conservador. Explico.


Se você chegou até aqui, já deve ter ouvido falar na "Janela de Overton". É a teoria que explica o modus operandi da esquerda de alargar os discursos a fim de incutir novos padrões aceitáveis na sociedade. Consiste em criar narrativas o mais absurdas possível para que, quando venha a situação real, o cidadão pensante já não veja aquilo com tamanha absurdidade e passe, paulatinamente, a considerar normal determinada conduta ou ponto de vista.


Da mesma forma que a janela tem a função de aumentar a esfera de dominação do politicamente correto, para o lado conservador ela possui a função exatamente inversa. Quanto mais à esquerda está o discurso do mainstream político, mais absurda e, por assim dizer, extremista, estará a pauta conservadora.


Desta maneira, quando o governo Bolsonaro adota claramente políticas desenvolvimentistas de centro - ao melhor estilo militar de governar - e abre mão de todo o resto, de todo o seu plano de governo, mantendo a pecha de conservador em sua auto-denominação, o discurso conservador de fato vai se tornando obscuro, impensável.

Este problema, caro leitor, embora pareça ainda distante de nossas vidas, virá em breve, caso o discurso conservador não seja retomado pelo Planalto, ou, ao menos, o governo se diga abertamente de centro.


Isto porque, enquanto Jair se disser líder de um governo de pautas conservadoras - este mesmo Jair, chamado de extrema direita pela Mídia - aqueles que realmente detém um discurso conservador serão taxados por tudo e por todos de inaceitavelmente autoritários e tutti quanti, ao ponto de, com sucesso, extirpar do debate qualquer opinião sobre assuntos caros ao indivíduo conservador.


A luta contra a pedofilia, contra o feminismo, contra o gayzismo, contra o ativismo ambiental, contra o corporativismo, será posta de lado por ser extrema demais. Por ser conservadora demais. Se até o político símbolo da extrema direita, Jair Bolsonaro, está pagando pedágio para estas pautas, por que o afegão médio insiste em falar contra elas?


A onda crescente de censura - vide o caso Osvaldo Eustáquio - contra conservadores será, caso isso se concretize, caso corriqueiro no Brasil. Assim, ser conservador de verdade não será mais aceitável e passaremos a ser perseguidos pela direita permitida e por todos os seus desafetos, que, unidos a ela em um propósito maior - o de remover do mapa o pensamento extremista - formarão a Aliança pelo Centrão.


Ocorrido isto, poderemos, com grande certeza, esbravejar:


Acabou, porra!

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