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Conhece-te a ti mesmo: Conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria.

Por Marcus Aurelius


Nosce te ipsum – Conhece-te a ti mesmo. É uma frase esculpida na entrada do oraculo de Delphos e é a base metodológica de vários estilos filosóficos.


No Brasil (quiçá no mundo) os princípios de moral e ética estão perdidos e soterrados há décadas sob a lápide do esquecimento. O velho e antiquado homem de família, preocupado com sua fé em Deus, honra, trabalho e cuidado com os pais, filhos e esposa, teve seus últimos representantes nascidos nos anos 30/40, e aqueles que os precederam há muito deixaram esse mundo. Desde então a sociedade brasileira sofreu com um movimento de desconstrução de valores nunca visto antes e que teve sua conclusão nos anos 60.


Mario Ferreira dos Santos demonstra isso com uma clareza impressionante em seu livro A Invasão Vertical dos Bárbaros. Vale aqui citar ao nobre leitor os temas que ele aborda, para que perceba que, quando da publicação de seu livro, Mario denunciava, o que denominava como bárbaros, estavam fazendo para destruir aquela sociedade brasileira em toda sua estrutura promovendo a: valorização da força e do corpo em detrimento da inteligência, disseminação do mau gosto, exploração exacerbada da sensualidade em todos os aspectos culturais, vulgarização explicita propagada por todos os meios de comunicação, valorização do crime, do malandro, do que toma vantagem sobre outro, valorização do que é inferior por meio da deturpação das artes, literatura e música em formas grotescas e repugnantes, banalização de todo tipo de crime e da corrupção, retorno ao tribalismo, valorização da memória mecânica em detrimento ao conhecimento (decoreba em desfavor do aprendizado), a aceitação do que é medíocre, o abandono do ideal perfeito, a entrega do homem a voluptuosidade e ao caos, o abandono da razão e da busca pela verdade... e, além destes e outros mas, principalmente, o abandono do cristianismo.


Mario relata que os bárbaros, quando da publicação de seu livro em 1967, haviam tomado conta de tudo e a cada dia conseguiam estabelecer sua barbaridade como a cultura dominante. Apesar das denúncias e do esforço do autor, os bárbaros foram exitosos e hoje eles são o que chamamos de sociedade brasileira. Se você, brasileiro, tem menos de 70 anos, muito provavelmente você nasceu como bárbaro e quanto mais jovem for, é quase certo que seus pais já o nasceram de igual forma e talvez até mesmo seus avós já sejam bárbaros desde o nascimento.


Entender o que se perdeu em matéria de ética e moral é o primeiro passo para que você descubra o que é o conservadorismo, afinal, esta ideologia está intrinsecamente enraizada no que chamamos de bons costumes como a honestidade, retidão na fé cristã, valorização do que é divino, belo e perfeito, o repudio as obras de satanás e a todos os pecados, luxuria e prazeres carnais que afastam o homem de Deus.


Por esses valores estarem a tanto tempo perdidos, dificilmente você encontrará alguém que o possa ensinar que esteja fora, por exemplo, de uma igreja ou em antigas organizações sociais que ainda respiram (sendo que estas em sua grande maioria estão associadas a Igreja Católica). Algo que pode lhe ajudar a descobrir o que foi perdido é a leitura e o estudo do que foi escrito no passado por autores conservadores e religiosos. A santa Bíblia deve ser o primeiro livro que você tem que ler e conhecer em todos os aspectos para que entenda a origem de todo o pensamento conservador. E numa visão brasileira, o livro A Invasão Vertical dos Bárbaros é uma leitura mais que indicada para entender o contexto cultural brasileiro atual e tudo que se perdeu no passado e precisa ser recuperado e vivido por você.


Outro ponto importante que o leitor deve ter em mente sobre si mesmo além do fato de ser um bárbaro por formação e, provavelmente, filho e neto de bárbaros, é de que absolutamente toda a educação que você teve até hoje foi a educação mais medíocre e deplorável de todas. Você com certeza cresceu estudando em escolas (públicas ou particulares, não importa, ambas são iguais em quase todos os aspectos) cujo material de estudo foi tudo menos o necessário para lhe formar como pessoa que pudesse buscar a sabedoria ou desenvolver a capacidade de sua inteligência. Os livros de estudos que você teve contato, todos, foram livros que em essência são o resumo de resumos de outros resumos, cada um pior que o outro em conteúdo e qualidade. Você foi ensinado a questionar tudo, a desenvolver a crítica sobre tudo, a crer que é capaz de entender qualquer situação bastando que leia ou estude sobre qualquer tema superficialmente. Se em algum momento, você se sentiu inteligente ao formar uma opinião rapidamente sobre algum assunto que lhe é novo, em poucos minutos após realizar uma pesquisa na internet, bem, esse é um claro sinal de que sua forma de pensar segue exatamente esses vícios de aprendizado, e isso o conduzirá ao fracasso no seu projeto cultural sem que você se dê conta.


Da mesma forma como você nasceu bárbaro sendo gerado por pais bárbaros, você foi educado na famosa e tão pouco conhecida, mas muito comentada, metodologia de Paulo Freire. Seus professores e os professores deles se formaram nessa metodologia, todos mimetizando exatamente o que esse pensador pregou. Você inclusive mimetiza a doutrina educacional de Paulo Freire e a ela você estará preso até que entenda o que essa doutrina é.


A relação aluno professor estabelecida em nossa sociedade, prega que o professor é um orientador que deve conduzir o aluno para que ele próprio aprenda por seus meios e, nesse processo, o aluno também possa ensinar o professor em um sistema de aprendizagem contínua e de via dupla. Nessa conjectura, o professor deve cuidar para que o aluno forme o que é chamado de senso crítico. O aluno deve ser encorajado a questionar tudo – sociedade, política, religião, pais e até o próprio professor. Questionar é uma ação de descoberta do aluno e que não pode, de forma alguma, ser constrangida.


Se as palavras do parágrafo acima lhe fazem algum ou total sentido, então você é um perfeito discípulo de Paulo Freire. Ao contrário dessa breve descrição da metodologia do assim titulado Patrono da Educação Brasileira, é de suma importância que você tenha contato com uma educação adequada para a formação do seu intelecto conservador e supere a limitação intelectual na qual vive. A formação pedagógica do antigo conservador passava por estudos de línguas como inglês, latim e grego além da própria língua materna. A leitura e estudo de clássicos dos filósofos gregos, a história romana desde sua origem, os grandes generais e poetas romanos, a história grega, dos antigos helenos e seus poetas, educação religiosa cristã centrada nos estudos da bíblia e na história de todos os impérios que surgiram e se foram, mas descritos e profetizados na própria bíblia. O estudo das belas artes como música, arquitetura, esculturas e pinturas – e por belas artes me refiro as artes clássicas de grandes obras do passado. O estudo das ciências matemáticas, em sua forma pura, não apenas cálculos inúteis, mas a origem da trigonometria, álgebra, geometria e aritmética, que dão ao aluno a consciência clara sobre o porquê do surgimento desses estudos e sua aplicação prática na vida. O estudo da literatura clássica, contos, romances, histórias fantásticas e biografias. O estudo de literatura dos poucos escritores brasileiros que realmente trazem algo edificante para o leitor. Em resumo, isso é o que compõe a educação clássica a qual você jamais foi apresentado e sem a qual você jamais poderá alcançar o conhecimento necessário para que você se torne um conservador de fato.


Para que você supere esse estado de bárbaro e discípulo de Paulo Freire, é necessário que siga um breve conselho do professor Olavo de Carvalho: é preciso primeiro que você estude e fique inteligente. Isso não é algo rápido, pelo contrário, o processo de educação e formação intelectual (mesmo a básica) é demorado e exige muitas horas de leitura, estudo e reflexão. E é necessário esse estudo para que você esteja preparado para conduzir seu projeto conservador, para que você consiga identificar os vícios da barbárie e do mimetismo de Paulo Freire. Sem estudo e auto reflexão, você jamais conseguirá superar essa condição e, se você cometer o erro de ignorar essa orientação, o destino do seu projeto será o mesmo de um cego conduzindo outro – o tropeço na mais visível pedra que sempre esteve ali, parada, sem que você ou seus seguidores consigam ver.

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