• Evandro Pontes

Dória e Pazuello tentam marcar território



Em reunião ocorrida há pouco entre governadores e o Ministro Pazuello, a estratégia de Dória que destrinchamos aqui, se confirmou: a Dória pouco importam as questões científicas - sua jogada está toda associada a uma única vacina e ao prazo próprio que ele, Dória, estabeleceu para torná-la disponível no Estado.


Ao estabelecer um prazo mínimo de 60 dias, ações de flexibilização visando o Carnaval podem acabar prejudicadas e isso, politicamente, pode ferir a estratégia de Dória de forma sensível. Dória pretende começar a colher "resultados" antes do meio do ano para se apropriar deles ao longo dos doze meses seguintes, chegando em Agosto de 2022 de forma mais ou menos incontestável.


Outro ponto foi em relação à vacina específica: o Ministro disse que atenderia critérios de "demanda e preço", se comprometendo a não discriminar e nem priorizar medicamentos por sua origem. A "origem" é importante para Dória, pois ele quer usar essa cartada para jogar a militância conservadora de Bolsonaro contra o seu núcleo positivista.


Neste caso e especificamente em relação ao argumento "demanda e preço" do Ministro Pazuello, a resposta de Dória foi ad hominem, lembrando que o Ministro já foi desautorizado "de forma deselegante" pelo PR Jair Bolsonaro.


Dória, que simula fazer "política elegante" publicamente e age de forma infantil nos bastidores, gerou ainda desconforto com outros governadores, como Ronaldo Caiado (DEM-GO). Caiado teria ficado desconfortável com a insistência de Dória ao tentar fazer com que o estado de SP "se arvorasse na frente de outros".


Mas não se engane, leitor: Caiado não faz isso por amor ao povo goiano - ligado ao ex-Ministro Mandetta, o governador de Goiás já trabalha nos bastidores, silenciosamente, pelo sucesso de Luciano Huck como líder do grupo que vai unir esse Centrão fino, sofisticado e elegante.


Dória, de agora em diante, passa a lutar ostensivamente contra tudo e contra todos, pelo direito de concorrer a uma "disputa final" com Bolsonaro. Agindo assim, certamente sucumbirá, pela quantidade de desafetos que vem colecionando.


O Governador de SP, que está orientado e motivado por razões políticas, acusa todos os demais daquilo que ele mesmo, Dória, está fazendo: direcionar suas decisões na área de saúde pública por motivos políticos e que nada tem a ver com questões científicas.


Este episódio soma-se a inúmeros outros na lista de atos de improbidade administrativa fartamente praticados pelo político do PSDB, cuja fatura há de lhe chegar uma hora.




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