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Devemos ser mais como os Sábios do Oriente e menos como Jerusalém.


Por Anônimo



A chegada dos sábios do oriente ás terras de Judá é um dos eventos mais marcantes da história do cristianismo.


Mesmo que lembrada apenas durante as festas natalinas, ela é fonte de inspiração para uma infinidade de obras literárias, cinematográficas e artísticas, além de ser o foco de discussões acaloradas sobre a forma como realmente aconteceu, entre outras questões.


Meu objetivo aqui não é debater se eram 3, 30 ou 300 que viram cristo, muito menos discutir se é certo coloca-los no presépio ou não, mas trazer um olhar distinto para essa tão conhecida história, um olhar que vai além de presentes e grandes jornadas de fé.


Assim como os pastores ouviram anjos proclamando a chegada do salvador (Lucas 2: 08 a 20), os sábios também depararam-se com um fenômeno incomum de origem celestial.

Sendo eles estudiosos dos astros, assim imaginamos, o aparecimento de uma estrela de brilho indescritível trouxe temor e fascínio. Um evento de tamanha magnitude só poderia significar que algo grandioso estava para acontecer.


Apenas duas coisas eles sabiam, a primeira era que a estrela anunciava a chegada do rei dos judeus, a segunda era que eles deviam encontrá-lo para poderem adorá-lo.


Para chegar até seu objetivo, eles precisaram deixar suas famílias, o conforto dos lares, e ir em direção a uma terra distante e possivelmente desconhecida, enfrentando toda sorte de desventuras pelo caminho.


Tal jornada não pode ser motivada por vaidade e interesses mesquinhos, mas sim por uma vontade de origem sobrenatural, vontade de unir-se com o Salvador. Mesmo antes Dele executar seus feitos maravilhosos, eles sabiam que deviam adorá-lo.


Ao chegarem em Jerusalém, os sábios foram procurar pelo menino rei no palácio do rei Herodes, um lugar óbvio para procurar um nobre. Estando na presença de Herodes, eles o interrogaram, procurando descobrir onde estava o que era nascido rei dos judeus.


O evangelho narra que Herodes e toda Jerusalém perturbaram-se com os questionamentos dos sábios (Mateus 02:03), talvez por medo ou por inveja.


A verdade é que nenhum dos que estavam ali souberam apontar onde estava o Salvador, foi necessário reunir um conselho de sábios para interpretar as esquecidas escrituras e indicar que o Senhor havia de nascer em Belém da Judeia (Mateus 02: 04).


Quantas vezes nós, cristãos, agimos como Jerusalém e dificultamos a chegada de alguém até Cristo?


Temos pouco conhecimento das escrituras que nos impede de servir como guia, ou simplesmente somos impertinentes. Questionamos as motivações, agimos com arrogância, até mesmo com desdém.


Devemos tomar cuidado com nossas motivações e nossas atitudes, examinar se não estamos sendo barreiras na vida de alguém que busca um encontro com Cristo.


Frequentar uma igreja, receber os sacramentos e estar em comunhão com os santos são coisas de fundamental importância para viver uma verdadeira vida religiosa.

Mesmo rodeado de homens piedosos e tendo as virtudes como prática diária, o diabo ainda vai nos tentar.


Ainda que ele não consiga nos afastar de Deus ou da comunhão com os santos, ele vai tentar de todas as formas possíveis usar a nossa vida e nossas atitudes como ferramenta para impedir que outros cheguem a Cristo.


Ele soprará palavras de vaidade e arrogância nos nossos ouvidos. Essas palavras podem ser plantadas no coração e vão germinar em atitudes maliciosas e na língua enganosa. Até uma vida virtuosa pode ser usada como pedra de tropeço na vida dos que estão ao nosso redor.


O conhecimento, muitas vezes, pode nos deixar entorpecidos, de coração endurecido, insensíveis as necessidades dos que não pertencem ao nosso grupo de sábios iluminados.


Inventamos desculpas para nós mesmos, dizendo que essa ou aquela pessoa não tem salvação, que esse ou aquele grupo são de hereges gnósticos que propagam o islã.


Temos que vigiar para que o nosso conhecimento não seja fonte de pensamentos pedantes e atitudes esnobes, e rogar a Deus que Ele nos ensine a humildade, nos mostre que não somos nada diante Dele, que nosso conhecimento é um grão de areia sem valor se comparado a sabedoria infinita Dele.


Devemos ser menos como Jerusalém, tolos, com questionamentos fúteis, apressados no falar, e ser mais como os estrangeiros do oriente, sempre vigilantes em busca de sinais celestiais e prontos para adorar, mesmo que isso nos custe o conforto do lar e talvez nossas vidas.

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