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DIZ O LEITOR: Qual o papel do cristão/Igreja na sociedade?

Logo depois do período de perseguição ao cristianismo, o Império Romano se torna cristão e algum tempo depois acontece sua queda. Após temos uma confusão generalizada na Europa porque existem povos bárbaros, que não herdaram a cultura civilizacional de roma. Além disso, esses povos eram divididos em várias facções que guerreavam entre si por diversos motivos, e a grande maioria da população ficou desamparada em diversos aspectos, por questões relacionadas a administração, infraestutura, agricultura etc. Isso cai tudo na mão Igreja. Ela tinha herdado o legado cultural e civilizacional do Império Romano. Toda a noção de direito romano foi preservado graças ao monges. Só que antes da Igreja cumprir esse papel surgiram algumas figuras que deram o tônus de onde viria a ordenação de toda a civilização. A Igreja os chama de Padres do Deserto. Eram homens que tinham posições privilegiadas na alta sociedade, ricos e nobres. Eles abandonavam aquela vida e iam para o deserto rezar e jejuar. Ficar diante de Deus. Aquilo virou uma febre e as pessoas passaram a se aproximar deles, como discípulos. Então, surge um homem chamado São Bento, que começa a criar esse estilo de vida numa forma de cidade. Ou seja, se você observar a estrutura da regra de São Bento, é como se fosse a estrutura de uma cidade. Existe o líder, o monge que vai escrever as regras, o que vai cozinhar, o que vai administrar financeiramente etc. Quando surge o mosteiro beneditino e outros -- com São Bernardo de Claraval -- como a ordem dos cistercienses, eles servem como espelhos para que a sociedade se reorganize à luz da fé cristã. Então, muito do que vejo nessas pessoas com altas posições hoje em dia é uma atitude de desesperança. Porque quando a humanidade estava caótica o exemplo que a Igreja nos deu foi o de voltar para dentro dos nossos quartos -- como Jesus ensina (Mt 6) -- e orar ao nosso Pai que está nos céus. Ou seja, é o momento de você ordenar a sua alma e, depois, o meio onde vive. Criar círculos nos quais as pessoas possam, juntas, criar uma espécie de tecido social que depois servirão como faróis para aqueles que estão na perdição. O livro A Opção Beneditina fala um pouco sobre isso. No livro O Jardim das Aflições, o professor Olavo escreve que, de todas as religiões existentes, o cristianismo é a única que, no centro da sua Revelação não dá qualquer tipo de ordenação da sociedade. Por exemplo, no Islã e no Judaísmo existem leis e prescrições desse tipo, mas não no Novo Testamento. Jesus não dá paradigma algum para um Estado Cristão. Ele está demonstrando que a coroa que importa, para nós, cristãos, não é a de César, mas a de Cristo. Nesse sentido, um grande exemplo de rei católico, não muito conhecido, chamava-se Godofredo de Bouillón, um francês, que lutou na primeira cruzada que governou Jerusalém.


Ele venceu a guerra, e no momento de sua coroação como rei de Jerusalém ele negou a coroa de ouro, alegando o seguinte: "Eu não mereço ser coroado com ouro onde meu Senhor foi coroado com espinhos." Esse é o centro da fé cristã, você entender que a coroa que importa não é a de César, mas a do Cristo. Devemos desejar a coroa de espinhos, nesta terra.


Por Yuri dos Anjos. Instagram: @histcath

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