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Doce utopia.


Por: Antonio Carlos


Num certo país, afetado por uma pandemia, as autoridades em sua costumeira incompetência e autoritarismo decretaram um regime de exceção em que as liberdades garantidas pela Constituição e a hierarquia tornaram-se letra morta.


Havia nesse país uma casta privilegiada que dizia amém a essas atitudes dos governantes.


Com a despensa e a geladeira cheia, as compras à distância, o delivery e a assinatura de Internet e TV em dia, além do salário garantido não estavam nem aí.


O vírus, disciplinadíssimo, só atacava quem desobedecia as normas de horário e sabia até mesmo o lado da rua que devia respeitar, pois as lojas do lado ímpar abriam nos dias ímpares e as pares nos demais.


Exceto domingo, quando o vírus entediado atacava ambos os lados, então a não abertura era total.


O coitadinho do vírus, por conta deste eficientíssimo sistema tornou-se mais e mais sedento de vítimas e passou então a atacar os operadores de vendas à distancia, os entregadores e os funcionários das empresas de TV paga.


Depois atacou os funcionários das empresas de eletricidade, gás e água, enfim todos os serviços que mantinham a bolha de conforto da elite.


Em pouco tempo o estoque de produtos e alimentos esgotou-se ou estragou já que não havia freezers e geladeiras funcionando, não havendo sequer gás para cozinha. Esta elite, e até mesmo os governantes, viram-se na mesma situação do restante do povo.


A fome e a falta de condições mínimas de dignidade para a vida é o melhor nivelador que existe.


Um dia desses nos depararemos com com a seguinte manchete: A PANDEMIA ACABOU. Alegria? Agradecimento? Paz? Nada disso. A humanidade não aprende. A união aparente contra um inimigo mortal e invisível é apenas isso: aparência.


No âmago do ser humano permanece o egoísmo, a falta de amor e de solidariedade, de empatia e de consciência de que estamos no mesmo barco e, que este está à deriva sem que nenhum dos pretensos capitães possa controlá-lo.


Terminada a pandemia, voltarão à tona situações que estavam apenas com menos destaque, mas que nunca deixaram de permear a vida neste planeta: mortes às dezenas de milhares por outras doenças, por conflitos armados, por ausência de saneamento, por fome e várias outras causas.


Os organismos internacionais como ONU e OMS voltarão a seu papel decorativo e inócuo no jogo de interesses, em que o último item a ser considerado é o bem estar do povo.


Os governantes continuarão a oprimir o povo com tributos abusivos e leis draconianas apoiados numa justiça que há muito deixou de sê-la.


O ser humano se debaterá num conflito sem fim em que os valores estão invertidos, a mídia podre destrói as bases, a família e valoriza o ter e não o ser.


Enfim, tal qual no dilúvio bíblico, perderemos a oportunidade de depuração que se nos apresenta e continuaremos a chafurdar no elameado caminho que nos levará ao fim.


Jesus, voltando, chorará pois nem Ele com todo Seu amor e compaixão nada poderá fazer.


Oremos e vigiemos.