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Eleição de Lira e Pacheco: desdobramentos para 2022



A eleição de Lira trouxe custo alto para o governo Bolsonaro. Mas ainda não se calculou o tamanho de sua vitória no curto prazo e as consequências no longo prazo.


Antes, um pouco de bastidores: Lira conquistou a presidência da Câmara em 1º Turno com mais de 300 votos e contando com uma quantidade enorme de votos de traidores, boa parte deles vindo do próprio DEM de Maia e do PSDB de Dória.


Dias antes do pleito final, com a providencial ajuda de Aécio Neves, amigo de longa data de Luciano Huck, o PSDB foi implodido na Câmara e desta vez, o ex-cacique do PSDB pode ter saboreado um golpe de misericórdia e seu desafeto maior.


Tempos atrás Aécio e Dória entraram em sério conflito nos bastidores pelo comando do partido. Dória saiu vencedor e a carreira política de Aécio Neves foi sepultada de vez.


E assim vem procedendo Dória para conseguir a hegemonia no PSDB: eliminou primeiro Andrea Mattarazzo quando ainda estava pré-candidato a prefeito. Depois foi a vez de Alckmin, hoje praticamente cancelado da política nacional e vivendo de “bicos” que faz como acupunturista no programa de TV de Ronnie Von.


Depois de Alckmin, foi a vez de Bolsonaro. Em breve aliança com então candidato e apenas para se eleger governador, criou o BolsoDoria e menos de um mês depois, partiu para a sua especialidade – a traição.


Meses depois moveu sua mira para a testa de Aécio Neves e obteve vitória importante afastando-o do comando o partido. Algum tempo depois foi a vez de José Serra, novo alvo de Dória Iscariotes. Muito em breve seu alvo há de ser o próprio FHC, caso o PSDB sobreviva a essa onda de ataques internos que Dória promove. Há décadas não se via um político tão atroz como Dória, investindo contra tudo e todos e que em 2017, ao ser perguntado em entrevista para a Revista Época “Que formuladores de política o senhor ouve de forma mais rotineira? Quem são seus grandes estrategistas e interlocutores?”, respondeu na lata: NENHUM.


Mas é impossível sobreviver na política agindo assim, com esse grau de agressividade e prepotência: Aécio Neves é deputado federal e ainda tem influência. E assim, pôs essa influência a serviço de sua vingança contra Dória e, de quebra, beneficiou o amigo Huck, que vai liderar esse gigantesco espaço deixado pelos derrotados na vitória de Lira. Aécio sabe que é um “zumbi político” e hoje, a única coisa que pode fazer é atrapalhar alguém para beneficiar os amigos Huck e Fábio Faria.


Maia, por sua vez, tentou galvanizar a centro-esquerda e criar uma alternativa política social-democrata contra o bolsonarismo: qual seja, tentou combater o fisiologismo do Centrão, que hoje veste a roupa “neocon”, com outro fisiologismo, o social-democrata.


Ao tentar resgatar o cardosismo e atrair nomes até mais a esquerda como PT e Psol, Maia investiu na velha liderança PSDB/PFL(DEM) para catalizar apoio em face desse fantasma da “extrema direita”. Se estrepou e não foi pelo brilhantismo de Lira nem pelo cuckismo próprio de gordão chorão, mas pela astúcia de Aécio, também próximo de ACM Neto, o neto do maior parceiro de FHC e hoje maior autoridade no partido de Maia.


Maia foi fragorosamente traído por uma jogada combinada de Aécio com ACM Neto, mas não por simpatia a Bolsonaro, mas por pura vingança contra Dória. Essa jogada de bastidores, omitida por Lira, está completamente fora das vistas dos bolsonaristas de QI de dois dígitos (diga-se de passagem, a esmagadora maioria do que sobrou após o expurgo conservador).


Ao impedir que essa “social-democracia” de Maia e Dória surgisse agora pela condução do parceiro Baleia Rossi (filho do cacique PMDBista Wagner Rossi e um dos líderes do esquema das merendas durante o governo Alckmin), Aécio não impediu que ela voltasse, mas simplesmente minou a possibilidade de que a sua liderança fosse parar nas mãos de Maia e Dória.


Logo, a jogada política não foi no sentido de favorecer Bolsonaro (algo que é tido como “efeito colateral” do principal objetivo dessa manobra), mas sim eliminar Dória dessa equação. A derrocada política de Maia também é vista como “efeito colateral” dessa jogada, assim com a de Baleia, mas, no médio prazo elas podem ser recuperadas quando o espaço deixado por eles, for ocupado pelas “pessoas certas” (no entender do establishment).


E como isso vai ocorrer? Pois bem – acompanhe comigo agora, leitor e leitora, já que vocês, então, estão de posse da valiosa informação de como Lira venceu com o apoio de traidores.


O Podemos, partido de Álvaro Alicate Dias, ao fechar as portas para Moro, deixou a turma de Huck aparentemente sem opções.


“Aparentemente” porque enquanto a maioria assistia às eleições na Câmara tal qual as crianças dos anos 90 assistiam ao Castelo Ra-Tim-Bum, Huck estava em Davos trabalhando pelo espaço que ia ser criado com a vitória de Lira, algo que ele sabia que ia acontecer por conta da certa traição que Aécio aprontaria no PSDB.


Não há vácuo no poder: essa derrota, que praticamente tornou o PT um partido nanico e pode ter sacramentado o definitivo encolhimento do PSDB ao nível de um “PCdoB da social-democracia”, abriu espaço para “algo novo” que vem sendo articulado pela “turma do Huck” nos bastidores.



Há três partidos que não foram citados e estão fora desse jogo todo: Cidadania, Partido Verde e o REDE (Rede Sustantabilidade).


O PV é um partido antigo e durante décadas foi linha auxiliar do velho PSDB de Mário Covas. Quando era liderado por Fábio Feldman, auxiliar de primeira ordem do “PSDB Esquerda pra Valer”, o PV guardava íntimas relações com o grupo psdbista liderado pelo finado Alberto Goldman. Parte do PSDB migrou para o PV e outra parte manteve a relação estreita entre os dois partidos.


O REDE, todos sabemos, é criação de Marina Silva, ex-PT. É praticamente uma dissidência da esquerda ambientalista e ecoterrorista do PT, que contou com a migração de outras figuras de proa da esquerda nacional como Randolfe Rodrigues, ex-Psol. O REDE da ex-ministra petista Marina Silva foi durante muitos anos o partido político que recebeu o apoio direto de Luciano Huck. Marina sempre foi a opção eleitoral de Huck, aberta e declarada.


Huck se valeu do marinismo e tirou bastante proveito dele para aprender sobre os bastidores da política.


Por fim, temos o Cidadania.


O Cidadania é o novo nome do PPS, o Partido Popular Socialista, liderado pelo velho cacique do comunismo, Roberto Freire.


Freire começou a vida política no início dos anos 1960 (antes mesmo do “golpe de 64”) como advogado de militantes do antigo PCB (Partido Comunista Brasiliero), então liderado por Luis Carlos Prestes.


Se tornou político profissional durante o regime militar pelo MDB e com a abertura, seguiu carreira no PMDB até a regularização do PCB, onde se filiou no início dos anos 1980 defendendo a sua bandeira de sempre, o Comunismo.


Com a morte de Prestes em 1990, Freire tomou conta do PCB e começou a flertar com a social-democracia. Isso causou um racha no PCB, de onde Freire saiu em 1992 para fundar o PPS e se aliar ao cardosismo, militando nos anos 1990 ao lado do PSDB. Durante o governo Lula oscilou até se tornar oposição na época do Mensalão, mantendo-se fiel ao cardosismo e à esquerda PSDBista.


O PCB continuou existindo mas sem o dinheiro de Moscou e de Cuba, o partido se tornou uma piada. Existe até hoje, mas “não fede e nem cheira”.


Já o PPS, por sua vez, fede e cheira; e bastante até.


Para sobreviver, teve que atrair nomes do esporte, em jogada de marketing político admirável: trouxe Romário e Leila do Vôlei e se tornou um partido incômodo para o bolsonarismo no Senado.


Não apenas atletas, mas jornalistas esportivos também foram alistados por Freire, sendo o mais importante deles o polêmico Jorge Kajuru. Antes de se tornar Senador, militou no PPS até passar pelo DEM de Maia e ser eleito pelo PSB, partido que se desfiliou para voltar, recentemente, à sua casa original, o Cidadania. Outro que pode surgir nas fileiras do Cidadania tendo origem no jornalismo esportivo é o apresentador Datena. E assim o Cidadania usou o esporte para se aproximar de gente do jornalismo esportivo que, por sua vez, simplesmente migrou para o “show biz”


Portanto, além de personalidades esportivas, Freire sempre esteve próximo de personalidades do “show biz”, sendo a principal delas... Luciano Huck!


Bingo, eis a nova casa de Huck: o Cidadania de Freire, partido aliado do cardosismo, politicamente um partido de esquerda anti-lulista, enfim, “a cara” de Huck.


Essa união CIDADANIA-PV-REDE foi urdida agora em Davos e poderá ser a semente da tal “Frente Ampla” que vai enfrentar o bolsonarismo, mas com Dória, Covas, Frota e o núcleo “Iscariotes” do PSDB do lado de fora.


É esperado que nomes insatisfeitos do PSDB e que tenham sido contaminados pelo veneno destilado por Dória migrem para essa chapa ou talvez até algo que possa surgir como um novo partido dessa união entre dois médios e um nanico, todos ligados à social-democracia e à “esquerda pra valer”. Maia, um verdadeiro bolostrofo da política, tende a ser perdoado e recebido nessa casa, onde ele com certeza vai se sentir bastante protegido (tudo dependerá do aval de Moro).


Moro, Mandetta e Huck formam a trinca que vai trazer nomes como o do governador Eduardo Leite, do governador Caiado ou até mesmo do governador Zema para dentro de um projeto de oposição ao centrão bolsonarista, que poderá promover um verdadeiro estrago na cabeça dos traidores que embarcaram no bolsonarismo por cargo ou dinheiro. Gente que ontem mesmo votou pela eleição de Lira, poderá brotar desse projeto jogando gasolina na fogueira do Messias.


Essa chapa conta com o apoio massivo da imprensa mainstream (de Globo à Jovem Pan, passando por CNN, SBT, Band, Folha, Estadão, Veja e por ai vai), que poderá receber ajuda indireta do sócio de Huck, o Ministro Fábio Faria, um ás da traição política e da ajuda para os dois lados de um confronto.


Políticos do PSD, inclusive, também poderão aparecer nessa nova “legenda” ou “frente ampla” (como Fabio Trad, por exemplo) e a estratégia será deixar 2021 correr solto nas mãos de Lira, entregando assim toda sorte de projetos nesse “toma-lá-dá-cá”, a fim de extrair dele os velhos deslizes de sempre que derrubaram Collor e Dilma e impediram que FHC fizesse seu sucessor em 2002, jogando o PSDB numa sequência espantosa de derrotas ao longo de 25 anos.


Ao apostar que Bolsonaro, seguindo a fórmula política de FHC em 1998/2000 poderá colher os exatos mesmos frutos eleitorais dos erros do passado da “social-democracia”, Huck/Moro/Mandetta pretendem, numa casa cheia de “atletas” e de gente experiente nesses bastidores do “toma-lá-dá-cá” (como Freire, por exemplo), congregar nomes também ligados ao Judiciário e à Justiça como Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Deltan Dall’agnol e fileiras do “cardosismo arrependido” como Janaína Paschoal e Miguel Reale Junior. Isso sem contar aqueles nomes que ainda estão oficiando e que são simpáticos a gente como Randolfe Rodrigues e Deltan Dall’agnol (referimo-nos, obviamente, ao Ministro Barroso, que já jantou com Deltan em situações mal explicadas comprovadas pelo vazamento das mensagens da “Vaza Jato”, bem como a Ministra Carmen “Pirulito que Bate-Bate” Lúcia).


A rodada de “War” para Bolsonaro se encerrou: ele já pegou sua carta-território e agora está aguardando os exércitos roxos do Huck colocarem as pecinhas no tabuleiro e fazerem os primeiros ataques, que devem vir logo após o carnaval.


Enquanto isso, os exércitos amarelos de Dória fazem as contas do quanto precisam sobreviver até a próxima rodada, enquanto que os exércitos laranjas de Amoedo e os vermelhos do PT sobrevivem, respectivamente, com um exército cada um na Nova Guiné e em Cuba.


Bolsonaro vai precisar de muita sorte nos dados, pois do jeito que ficou, distribuiu muito mal seus exércitos no tabuleiro, deixando fronteiras com o inimigo praticamente protegidas por traidores, covardes, cucks, mentirosos, ladrões, inescrupulosos e canalhas.


Se no curto prazo parece que Bolso está próximo de conquistar seu objetivo, no longo prazo parece estar mais próximo de fazer companhia para Fernando Diniz na fila da Catho.


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