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  • Michel Barcellos

Estado laico?


Exaído de TriCurioso https://images.app.goo.gl/eBcmGzGgYr5SKrWT8

O conceito moderno de separação entre Igreja e estado é falso. Ele não é falso porque faz algo que não deveria ser feito, mas por afirmar poder fazer o impossível.

O estado pode ser anterior ou posterior à lei, mas é nela que ele se sustenta. A lei, por sua vez, se sustenta na razão e a razão se sustenta no artigo de fé de quem apresentou aquela razão.


O povo que aceita determinada lei, tacitamente aceita a fé que a originou, no que não contrapõe a própria fé do povo.


Por exemplo, em sistemas jurídicos que a razão compreendia que o pertencimento a um povo exigia a ligação com o ancestral comum desse povo, um sujeito vindo de fora seria tratado como estrangeiro ainda que tivesse nascido no mesmo país onde vigorasse esse sistema jurídico.


É por isso que os israelitas não aceitavam os samaritanos. Viviam no mesmo país, seguiam a mesma lei, a mesma religião, mas não faziam parte da mesma nação.


Isso porque a razão que fundamentava a lei tinha como base a fé em determinada pessoa, que apresentou a razão da forma que lhe pareceu correta.


Sócrates foi acusado de negar os deuses, quando na verdade os estava examinando. Por buscar qual era a fonte da razão é que ele apresentou novas concepções dos deuses, e parte do povo não compreendeu. Graças a seu amor à sabedoria, Sócrates conseguiu compreender à fé grega melhor do que os outros gregos, a partir da razão. Pois a razão impõe uma fé.


A teoria moderna de separação entre estado e Igreja não separa a razão da fé, pois isso é impossível. O que ela faz é suspender a informação sobre a qual fé a razão se remete, para que o povo não perceba o deslocamento da fé a partir da nova razão apresentada.


Então as razões são apresentadas e o povo crê que elas tratam apenas de questões seculares. Com a suspenção da informação que a razão deve se ligar a uma fé, o povo não compreende como uma lei pode impor uma mudança na própria fé, o máximo de compreensão que se atinge é que uma lei pode se opor a uma fé.


Pela suspensão da informação de que a razão deve aderir a alguma fé é que toda concepção de ser humano e sociedade pode ser mudada e positivada em lei sem que o povo entenda como isso influencia na vida cotidiana.


Então, em 300 anos o povo já fala e pensa de acordo com as perspectivas racionais de fé diversa da que admite professar, segue fanaticamente a um líder falso, corta relações pessoais com quem não o segue, tira oportunidades de trabalho e de negócio, faz o possível para excluir socialmente quem não segue sua religião civil, pois não lhe contaram que ele tem uma, apenas contaram que é a razão, e lhe suspenderam a informação de que a razão deve estar ligada a uma fé.


Então, como no duplipensar, o povo segue a duas fés distintas. Até o dia em que o verdadeiro inimigo chegar e clamar ser o autor dessa fé. Mas o povo não poderá mais renunciar a ela.