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Fake News em palestra sobre Fake News



Definir o que é A VERDADE é tarefa que Santo Agostinho, pela lição de Santo Ambrosio, já resolveu há mais de 1700 anos atrás.


Item sobre o que é mentira. No De Mendacio o Santo Doutor já lembrava coisas como “piadas não são mentiras” e em que circunstâncias “mentir pode ser útil e lícito” (spoiler: nunca).


Mas a definição aqui vai, distinguindo a mentira da falsa opinião (esta, pode ser plenamente desfeita pela persuasão, aquela não – dica aqui para se debater com esquerdistas ou se entender bem o livro O Dever de Insultar, do Professor Olavo de Carvalho): “[se] pensa ou sabe a verdade de uma coisa, mas não a exprime, e diz outra no lugar daquela, sabendo ou pensando que é falsa” (3.3), temos ai um exemplo de sujeito mendaz.


Neste exato minuto, tivemos um exemplo de mendacidade no exato preciso agostiniano: em evento de gente chique na Faria Lima, o Ministro Barroso acabou de afirmar – “Ataques pessoais eu ignoro”.



Diz isso o Ministro, sabendo aquilo que Santo Agostinho chama de “verdade de uma coisa” ou “a verdade da própria coisa em si” (una rei eius quam veram): sabe Barroso que recentemente mandou abrir ação criminal (que já foi rejeitada) contra o jornalista Allan dos Santos porque teria este dito para o Ministro “virar homem”.


Se Allan me diz “vire homem” eu tomo a interpelação como “ataque pessoal” pois como eu já sou obviamente homem e assim me considero, receber tal ordem para quem já o é, configuraria uma provocação, pois teria o intuito de colocar em dúvida a minha hombridade ou masculinidade. Coloco-me aqui no lugar do Ministro como exercício retórico e para que o raciocínio reste claro, sem divergência pessoal alguma com qualquer dos dois, pois abstrata e juridicamente o caso já foi analisado neste veículo e aqui.


Pois bem – neste ponto eu concordo com Barroso: o melhor a fazer nesse caso de Allan seria ignorar.


Mas se em outros casos Barroso anteriormente ignorou o que ele e a totalidade dos seres pensantes classifica como “ataque pessoal”, neste ele não ignorou: seja porque não considerou nisso um “ataque pessoal” e sim um “ataque institucional” (refutando-se portanto a hipótese jurídica de ameaça, mentindo naqueles autos, portanto), seja porque ao dizer que ignora ataques pessoais sem mencionar que não ignorou esse, o fez para a frase ficar bonita no evento (mentido então, portanto).


Logo, no entender de Santo Agostinho, Barroso exprimiu no lugar da “verdade de uma coisa” o que o Santo Doutor afirmou ser o altera eius rei ou “outra coisa [no lugar daquela]” (sendo aquela “outra coisa” que ficou escondida no enunciado, a verdade, tornando assim o enunciado, mendaz).


O detalhe final para o palavrório do Ministro iluminista fica por conta do título da palestra que este expert se arvorou a proferir: “FAKE NEWS E DEMOCRACIA NO DEBATE ELEITORAL DE 2022”.


Ainda bem que o debate é só sobre 2022, porque este 2021 tá foda, viu...



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