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Felipe Neto e o lumpemproletariado

Atualizado: Abr 15

A casta “intelectual” da esquerda brasileira é advinda de uma miscigenação de visões do marxismo. São elas a escola de Frankfurt – uma espécie marxista da teoria crítica de Kant -, o Gramscismo – expoente italiano da revolução cultural marxista - e a boa e velha revolução armada, pregada nas versões Leninista, Stalinista, Trotskista e Maoísta.


Com o passar dos anos, no entanto, foi-se deixando cada vez mais de lado a visão guerrilheira da revolução, principalmente após os seguidos fracassos que este modelo teve aqui no Brasil, bem como ao redor do globo. Assim, as versões gramscista e frankfurtiana ganharam cada vez mais força, respectivamente.


Gramsci dá ao intelectual orgânico – classes falantes, sejam elas intelectuais ou não – o papel de protagonista da subversão social, modificando o status quo de maneira sutil e silenciosa, preparando o terreno e causando desordens morais e sociais que irão, mais tarde, propiciar a tomada do poder sem resistência da população.


Na mesma esteira, a Escola de Frankfurt encontra na exploração das minorias o “novo proletariado” - os sujeitos oprimidos pelas classes dominantes - que, dos controladores dos meios de produção, passaram a ser, concomitantemente, os brancos, os homens, os heterossexuais, os magros, os esteticamente privilegiados, os honestos e tutti quanti.


Embora, para os alemães, todas as minorias fossem importantes à causa, havia nos indivíduos à margem da sociedade - mendigos, ladrões, deficientes de todo tipo, corruptos, prostitutas, pedófilos, travestis, dentre outros – um papel de vanguarda na revolução, de forma que tudo que fosse realizado para benefício destes seria aproveitado para a implementação do status revolucionário. Esses indivíduos são chamados de lumpemproletariado.


O lumpemproletariado brasiliense encontra, hoje, sua representação mais fidedigna no youtuber Felipe Neto: sujeito sem qualquer vivência intelectual ou moral, que se ocupa de influenciar – negativamente, diga-se de passagem – as crianças e adolescentes tupiniquins. Mais recentemente, tem se aventurado, ainda que desprovido de qualquer cultura ou conhecimento, a analisar o cenário político com ares de entendimento, análises estas que têm sido levadas em consideração, ao arrepio de tudo e de todos, pelos mais altos membros dos poderes Legislativo e Judiciário.



Neto foi convidado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, a dar pitacos políticos - no melhor estilo aluno de ensino médio - em live realizada no canal do YouTube do próprio TSE. Sem nenhuma argumentação, fosse a mais simplória delas, ocorreu a conversa, tendo sido o adolescente de 30 e poucos anos apresentado como autoridade e influência no assunto.


A confusão e inversão de valores causada por um evento destes tem método e objetivos bem claros: ridicularizar o verdadeiro intelectual e santificar o intelectual orgânico. Assim, os intelectuais e estudiosos, que já são escassos no Brasil desde sempre, deixarão de vez de ter voz.


Levados ao ostracismo pela taxação de insanidade, terão sua opinião cada vez mais tida como “teoria da conspiração” ou “anticientífica”, enquanto o novo proletariado, em especial o lumpem, alçará voos ainda mais altos, com as bênçãos do mainstream e de “autoridades” como o Min. Barroso.



A menos que se crie uma intelectualidade conservadora sólida no país, não veremos evolução no quadro acima pintado. Deus tenha misericórdia do Brasil.