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Futebol – A bolha do Twitter que rege qualquer discurso ideológico no mundo

Por Albert Ranizk.


Desde sempre houveram xingamentos no meio do futebol, quando alguém ganha, o torcedor do time adversário tende a exprimir sua indignação através de todo tipo de expressões, com o advento (ou não) das redes sociais, mais ainda. Quem ama futebol e não é movido por seu lado mais emocional?


No GreNal 429 não foi diferente, onde vimos dois lances de pênalti polêmicos – um para o Grêmio, não assinalado e outro para o Internacional, este sim, sendo marcado pelo Árbitro Luiz Flávio de Oliveira – que transformaram o vivente no personagem principal e determinante para o resultado final: vitória colorada por 2x1, após 11 jogos sem conseguir vencer do coirmão e aumentando para 8 o número de vitórias seguidas no campeonato brasileiro.


Sem entrar no mérito das decisões da arbitragem (árbitro de campo, bandeirinha e integrantes da cabine do VAR), mas sim focando no discurso que se formou após o final da partida, onde torcedores do Grêmio, revoltados com os lances, dispararam para todos os lados a indignação com ofensas que iam do árbitro aos autores dos gols colorado, até o técnico Abelão.


Tenho no futebol uma paixão arrasadora, assisto jogos de futebol de botão se estiver passando na televisão. Porém para saber das notícias, ou você se submete aos programas esportivos altamente alinhados com pautas progressistas ou você morre à mingua e chorando – em tempos de fraudemia, a segunda opção é tentadora. Mas sou amante do futebola por demais, tchê.


Pois bem, em um canal no YouTube de jornalistas identificados com o Internacional, acompanho as notícias do clube. No dia 26/01/2021, foram relatadas notícias envolvendo racismo praticado por torcedores gremistas. O que me causou certa curiosidade, pois todos os integrantes do programa relatavam isso; A forma como falavam, sugeria que milhares de pessoas houvessem se libertado dos limites morais e ido ao Twitter esbravejar.


Sempre foi da minha natureza fuxicar até os mais irrelevantes detalhes, então na busca atrás das milhares de pessoas, pois algo assim seria fácil de encontrar, mesmo que esse “muitas pessoas” não fossem milhares. No garimpo, encontrei uma reportagem da Zona Mista sobre o incidente e a partir dos prints na reportagem eu fui desencavando e procurando no Twitter pelos usuários.


Destas que encontrei: Três são pessoas negras que chamaram o árbitro de mamaco. Uma delas apagou o Twitter, o outro mudou o arroba (@) e o último tem o perfil bloqueado, os três torcedores fanáticos. Ao total, encontrei 6 pessoas que xingaram o árbitro, uma que xingou os dois jogadores que fizeram os gols e uma que criticou o fato das pessoas acharem bom o técnico gremista Renato Gaúcho se ferrar e de ficarem felizes quando o Abel Braga, técnico do Internacional, está feliz. Considerando o fato que o Renato fala quase que exclusivamente besteira na coletiva de imprensa pós-jogo, não consigo ver as pessoas que não torcem pro Grêmio, adorar ele.

E eu não consegui achar mais ninguém dessas “muitas pessoas”. Mais uma vez o discurso foi gigantificado.


E com esses defensores ideológicos sempre é assim, cria-se o discurso do absurdo, não se prova nada, trazem-se fatos novos que não são comprovados, tudo no campo da subjetividade.


É também citado que a cada GreNal, são recebidas diversas denúncias de racismo, porém no site Observatório Racial – o criador do site estava sendo entrevistado – consta 21 punições de 2005 a 2018, entre estas, punições onde torcedores ofendem jogadores. São punições para vários clubes. Também realizei uma pesquisa para saber o número de casos estimados e denunciados de racismo no futebol: Em 2019 foram 56 casos, em 2020, 15 e ao procurar (não encontrei nada que dissesse o contrário) nenhum caso foi punido, não encontrei as denúncias, só encontrei discursos.


A solução apresentada na entrevista: Identificar o torcedor e caso ele seja associado, excluí-lo do quadro social. O entrevistado entende isso como uma responsabilização e não uma punição. Então ele pensa que outra solução é a intimidação do racista ao invés da conscientização, tanto pregada por esses camaradas.


Em outro momento é dito que há sempre a desumanização do homem negro, quando é trazido a pauta o árbitro da partida. Para ir de encontro ao que disse o entrevistado, em uma matéria do GE, publicada no dia 22/10/2015, o site elenca 11 situações em que há xingamentos para o árbitro da partida: Leandro Vuaden, Marcelo Mingoranci, Péricles Bassols, Vinicius Furlan, Guilherme Cereta de Lima, Rodolpho Toski Marques, Raphael Claus, Flávio Rodrigues Guerra – Homens Brancos – André Luiz Castro, Vicente Romano Neto, Wilton Pereira Sampaio – Homens Negros. Os insultos vão de “seu animal” a “Vai te f...”, normal no meio futebolístico. Até porque é um cenário onde os ânimos se exaltam.

Meu intuito não deslegitimar quem sofre racismo, mas sim quem pensa que o Brasil inteiro é racista, é sabido que árbitro de futebol apanha mais que tapete em dia de faxina, ainda mais quando há lances polêmicos.


E.


Desde que o GreNal é GreNal, sempre existiram discussões. Quem aí ficou sabendo que o zagueiro reserva do Grêmio Paulo Miranda, após o primeiro GreNal da história da Libertadores, depois de toda a confusão que aconteceu, com 3 expulsos para cada lado, disse que iria fazer uma tatuagem em homenagem a essa partida? O ano de 2020 foi marcado pelas confusões e provocações que ocorriam nessas partidas, assim como sempre foi, é clássico da rivalidade isso. Não digo que é certo, mas sempre aconteceu, então por que só agora se tornou racismo? Eu sou da época que se jogava pelada no campinho e eu era o Girafa, o Branquelo, o Poste, tinha o Negão, o China, o Índio e onde que estava o racismo nisso? No futebol profissional era a mesma coisa, quem não se lembra do zagueiro Índio, do atacante Escurinho? Há racismo hoje, mas é de uma parte muito pequena da sociedade.


O problema é fazer isso chegar aos olhos dessas pessoas sem parecer que estamos jogando areia nos olhos delas. A nossa população é 100% miscigenada, o Fantástico – Rede Globo – fazia reportagens anos atrás sobre isso. Todo mundo se esqueceu disso?

Para completar, gostaria de deixar um último comentário: Cada série do campeonato brasileiro têm ao menos 500 jogadores inscritos para as competições, temos mais a categoria de base dos clubes, algumas, como a do Internacional, que custam cerca de 8 milhões de reais por mês, tendo nas categorias sub-17 ao sub-20 mais de 100 atletas. Quantos casos realmente surgem e que são verdadeiros?


Fiquem com Deus.

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