slider-1.png
  • Dica HQ

GUARDIÕES DO LOUVRE, de Jiro Taniguchi

Atualizado: Jul 1

Um dos últimos trabalhos do mangaká antes de seu falecimento em 2017.



Anos atrás, o Museu do Louvre e a editora francesa Futuropolis decidiram realizar um projeto inovador: convidar diversos artistas para criarem narrativas gráficas que tenham o museu como cerne e inspiração. Enki Bilal, Nicolas de Crécy, Marc-Antoine Mathieu, Éric Liberge, Christian Durieux, David Prudhomme, Etienne Davodeau e Jiro Taniguchi foram os artistas escolhidos.


Esse último criou GUARDIÕES DO LOUVRE, um trabalho fascinante que mostra um elo entre Europa e Japão e como essas duas culturas alimentaram uma a outra através do fascíni0 que europeus e japoneses tinham entre si.


Na história, um artista japonês está acamado, com uma febre insistente, pois estava sob um fuso horário diferente e havia acabado de participar de um agitado festival de quadrinhos em Barcelona. Porém, mesmo fraco, quis passar em Paris para visitar a cidade, em especial o Museu do Louvre.


Após enfrentar uma longa fila, o artista passal mal dentro do museu e desmaia. Ao acordar, o museu estava vazio. Como que em um delírio, uma estranha mulher se aproxima dele para recepcioná-lo e levá-lo pelos enormes salões do Louvre. Ao ser questionada, ela se apresenta como Nice, a Vitória da Samotrácia.




O visitante continua em seus "devaneios", como numa dimensão à parte, e continua a encontrar os "guardiões", mestres da arte, como Jean-Camille Corot, Vincent Van Gogh e outros, ao mesmo tempo que vai conhecendo a história do museu, sendo a parte que mais chama atenção a história de como foram salvas as obras durante a Segunda Guerra Mundial.


O trabalho de Taniguchi é belíssimo! O seu detalhismo e cuidado em bem representar um dos locais mais famosos da França torna o mangá um portal para uma viagem pelo mundo da arte. Também é grande homenagem particular aos artistas europeus do passado. Só há um porém em toda obra: é uma HQ muito curta!



Para quem não conhece o autor, vale ressaltar que ele gostava de produzir trabalhos mais contemplativos, isto é, não há muita ação, nem situações muito dramáticas. Jiro leva o leitor, através de seu personagem central, para uma viagem, uma busca, para conhecer e reconhecer o mundo a sua volta, descobrindo o novo de cada instante. É assim também em O Homem que Passeia (Devir, 2017), O Gourmet Solitário (Devir, 2020) e um tanto em Seton (Panini, 2008).


Infelizmente, apesar da extensa bibliografia, Jiro Taniguchi é pouquíssimo publicado e republicado no Brasil. Este ano foi lançado As Crônicas da Era do Gelo em dois volumes, que atualmente estou lendo.



Por fim, vale mencionar que o mangaká era muito conhecido e elogiado pelos seus trabalhos na França, onde foi nomeado em 2011 Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres (Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras) pelo Ministério da Cultura.


Mais do que recomendado, inclusive pela edição brasileira, que possui capa dura e ótimo acabamento.


Obs.: por ser um mangá, a leitura é em sentido oriental.


GUARDIÕES DO LOUVRE foi publicado em 2018 pela Pipoca & Nanquim, originalmente lançado em 2014 pelo Louvre e pela Futuropolis em 2014 como Les Guardiens de Louvre (Louvre Collection) e, no mesmo ano, pela Shogakukan como Sennen no Tsubasa, Hyakunen no Yume.


Nota: 4,5/5,0.


P.S.: Caso tenha gostado, visite @DicaHQ no Instagram para mais!