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Guedes assusta o PT com seu esquerdismo

Atualizado: Ago 6



O Ministro Paulo Guedes fechou a sua reforma tributária simplesmente dando uma de liberal que aumenta impostos.


Sim, é isso mesmo: ele não propõe uma simplificação do sistema tributário, redução de impostos ou redução da carga – ele faz o oposto. Pior: e se vangloria com a seguinte frase – “desmontamos a narrativa do PT! A esquerda ficou desorientada! Demos um susto danado em todo mundo”.


Isso seria uma ótima piada nas mãos do Monty Python, mas infelizmente é mais uma declaração de um dos ministros principais do governo Bolsonaro, mostrando como eles são astutos e jogam um baita Xadrez D4 ao fazer coisas que nem o PT sonhou ou conseguiu negociar com o Centrão no passado.


Ele se vangloria de dar um susto no PT com o seu esquerdismo e pegar um dos "sonhos molhados do PT" e empacotar isso de forma bem pior do que todas as propostas tributárias já imaginadas pela trupe de “econo-asnos” da esquerda.


Ao excluir as empresas optantes do Simples Nacional, o Ministro acha que deixou o “empresário pobre” de fora da sanha arrecadatória do Centrão (leia-se, Governo Bolsonaro) para pegar o “rico malvadão”, essa gente nefasta que carrega nas costas o capitalismo. E não falo aqui do grupelho que opera o globalismo empresarial – esses, meu caro amigo, minha doce amiga, estão lá nas suas offshores sem ser incomodados pela Receita local. Ou alguém aqui acha quem Lemann ou o Soros estão ligando pra essa porcaria de reforma de tributária do governo Bolsonaro?


Quem está com o “ânus na mão” é o empresário que está acima do Simples Nacional e gera emprego e renda para uma infinidade de pessoas. São médios comerciantes, empreendedores à moda antiga, industriais, enfim – gente que carrega o país literalmente nas costas e ainda tem que ficar lidando com as invencionices de gente como Lemann e Soros, para acomodar LGBTs em seu quadro de funcionários para melhorar seu score de “crédito social” perante os 4 monopolistas do mercado financeiro brasileiro.


Guedes atacou essa gente e ainda se saiu com essa bizarra observação de que “pregou uma peça no PT” ao roubar o projeto “deles”.


A estupidez não para por ai.


Ele invoca equivocadamente Ronald Reagan, um dos caras que fez, sim, uma reforma tributária nos EUA, mas por intermédio de dois gigantescos Tax Cuts, um em 1981 e outro em 1986. O de 1981 gerou o famoso Economic Recovery Tax Act of 1981 (ERTA), também conhecido como Kemp-Roth Tax Cut, uma revolução na forma como o cidadão americano pede reembolso por excessos fiscais do governo.


Qual a semelhança dessa bosta de reforma tributária de Guedes com o Kemp-Roth Tax Cut? Respondemos: ZERO.


Guedes simplesmente usa o nome de Reagan de forma, no mínimo, equivocada.


A reforma proposta pela dupla Guedes/Bolsonaro é simplesmente um aumento da carga tributária para pagar os excessos que vêm sendo cometidos pelo governo com o caixa dos recursos públicos a fim de garantir a eleição de 2022 e a felicidade do Centrão.


Isso não é apenas um estorvo futuro para o bolso do brasileiro – vamos dar o nome correto às coisas: é uma canalhice mesmo.


Esse mesmo Guedes que criou um marco legal das StartUps modulado pela experiência chinesa, me sai com essa de “assustar o PT”.


As coisas ficam ainda mais graves na comparação com os EUA quando analisamos o regime societário de dividendos no Brasil e nos EUA. No Brasil a distribuição de dividendos é mandatória, qual seja obrigatória por força de dispositivo expresso em lei. Não há como fugir dessa tributação de dividendos no Brasil pois sua distribuição é obrigatória em montante no mínimo equivalente a 25% do lucro. Demais recursos podem se tornar reservas de capital, mas para isso o trâmite burocrático interno nas empresas é tão infernal e a certeza de não tributação por glosa é tão questionável, que nunca vale a pena reter lucros no Brasil.


Nos EUA não. A opção de reter os lucros e não distribuí-los, reinvestindo o dinheiro na companhia é algo que chega a ser automático. A Microsoft e a Apple, por exemplo, nunca distribuíram dividendos em toda a sua história societária. De onde vocês acham que surgiu o iPhone 2, 3,... X, 11, 12...? Tudo decorre de uma inteligente opção de não distribuição, onde a companhia usa seus próprios recursos “de graça” e tira a empresa da garagem tornando-a uma das maiores empresas do mundo. Amazon, SpaceX, Tesla e outras companhias da “nova economia” também trabalham assim.


E no Brasil, como funciona? A Petrobrás, por exemplo, é o oposto – nunca deixou de distribuir seus lucros. E quando ela precisa reinvestir em suas pesquisas ela faz o que? Usa parcelas de lucro não distribuído? Não! Ela tem que ir ao banco, pegar dinheiro emprestado e pagar os juros com o resultado que obtiver no fim do ano – todos perdem: acionistas, que recebem um lucro menor e veem as ações apreciarem mais lentamente, administradores, que ficam presos a burocracias e deixam de usar os próprios recursos para ter que obrigatoriamente “passar o pires” entre os quatro bancos e assim por diante. Ganham os 4 bancos, sempre.


Isso torna essa reforma tributária mais perversa ainda pois sem tirar a trava de distribuição obrigatória, o empresário não tem como fugir dessa tributação nem que ele queira reinvestir o lucro na própria atividade. Parte disso tem que ser distribuído e, logo, acaba sendo retido pela boca do Leão.


Se não bastasse tributar lucros, se não bastasse manter o regime de dividendos obrigatórios, a tosca reforma de Guedes ainda esbarra com questões operacionais: o próprio projeto admite que não haverá gente suficiente na Receita para dar conta da fiscalização. Aí criam todo um aparato de transferências e criação de corpos técnicos, sem dizer como é que vamos pagar mais funcionários e tendo a Reforma Administrativa já dada como morta.


Além disso, aqui é Brasil, Ministro Guedes!! Oraporra!! Com a tributação dos dividendos a Receita voltará a ter que fiscalizar dez vezes mais aquelas maracutaias que o povo fazia para disfarçar a distribuição. E o governo admite isso ao estabelecer uma série de novos postos na Receita.


Bem – não haveria como passar uma reforma tributária mais desastrosa simplesmente “roubando as ideias” do próprio PT e saindo com essa de “dei um susto neles”; mas Guedes se superou e conseguiu: além de ser um projeto altamente progressista, abjeto, prejudicial, anticapitalista, confiscatório e caricato, o projeto é mal feito pois impõe um regime jurídico tributário sem rever a parte societária e deixar as regras sobre dividendos como estão. Some-se a isso a impossibilidade de fiscalizar e a absoluta situação precária na Receita para analisar todos os casos de distribuição de recursos e ver onde é dividendo disfarçado e onde é “indenização” ou outros regimes de fluxo financeiro justificáveis.


Guedes de fato “deu um susto em todo mundo” – mas desta vez o pessoal não assustou com o teor da reforma ou com a postura cuckhold, assustou mesmo foi com a burrice estrondosa e dílmica dessa reforma.