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  • F. Wronski

Há 47 anos chegava ao fim o New York Dolls

Hoje faz 47 anos do fim da formação original da banda nova iorquina New York Dolls. E nada melhor do que relembrar a história dessa que foi umas das grandes influências de bandas consagradas da cena punk nova iorquina.


A HISTÓRIA


Uma garagem, guitarras, baixo e bateria: rock simples e direto, tocado muito alto, pegando na veia. Esta história começou durante os anos 1960, com o surgimento de inúmeras bandas americanas em resposta à invasão britânica capitaneada pelos Beatles e os Stones, baseadas em um despojamento musical que se cristalizaria no som demencial de grupos como o Velvet Underground, os Stooges e o MC5. Serviu de estopim para a explosão do punk em 1976 e continua a ser contada até hoje, através de sua influência em diversas tendências do rock contemporâneo. Esta história tem um capítulo especial reservado para as bonecas de Nova York.


No visual, os Dolls levavam às últimas consequências - beirando o escracho total - a androginia sugerida pelo glitter que se projetava nas figuras de David Bowie e Marc Bolan: maquiagem pesada, bijuterias e roupas femininas. Em termos musicais, foram essenciais no processo de criação de uma estética típica do rock nova-iorquino, que mais tarde floresceria nos trabalhos do Television, Talking Heads, Blondie, Ramones e outros.


Formado no fim de 1971, o grupo era composto originalmente pelo vocalista David Johansen, os guitarristas Johnny Thunders e Rick Rivets, o baixista Arthur Kane e o baterista Billy Murcia. Logo, Rivets foi substituído por Sylvain Sylvain, e assim os Dolls começaram a se apresentar no cenário local, causando sensação. Em novembro de 1972, durante a primeira tour inglesa da banda, Billy Murcia morreu de overdose, em Londres. De volta a Nova York, os Dolls só retornam à ativa no ano seguinte, já com Jerry Nolan na bateria.


Então, gravam seu álbum de estreia, com produção de Todd Rundgren (ex-Nazz), que contava com faixas antológicas como "Personality Crisis" e "Looking for a Kiss", que retratavam fielmente a fúria primitiva do som do grupo. Em 1974, eles gravariam seu segundo e último disco oficial, que, junto com o primeiro, tornaram-se legendários.


Não menos legendário foi o nome escolhido para produzir Too Much Too Soon: George "Shadow" Morton, um dos grandes produtores do começo dos anos sessenta, criador das Shangri-Las e fundador da Red Bird Records, ao lado de Phil Spector, Jerry Leiber e Mike Stoller. Morton reforçou a vertente rhythm and blues da banda, que desta feita optou por inserir quatro covers entre as dez faixas do disco. Resultado: "Stranded in the Jungle" (sucesso do grupo vocal The Cadets em 1956), "(There's Gonna Be a) Showdown" (da dupla Gamble & Huff, mestres do soul da Philadelphia), "Don't Start Me Talkin'" (do bluesman Rice Miller, ou Sonny Boy Williamson) e "Bad Detective" (de K. Lewis) transformaram-se em clássicos instantâneos na interpretação dos Dolls.


O material próprio do grupo também não deixava por menos, especialmente nas faixas compostas por Johansen e Thunders: "Babylon", "Who Are the Mystery Girls?", "It's Too Late" e "Human Being", que já soltavam as faíscas que originariam o incêndio que tomou conta do circo do rock dois anos depois.


Apesar da aclamação da crítica, tanto New York Dolls como Too Much Too Soon foram retumbantes fracassos comerciais, o que precipitou o fim da banda em 10 de setembro de 1974, depois de um curto período em que foram empresariados por Malcolm McLaren.


Johansen e Sylvain continuaram a se apresentar como New York Dolls até 1977, com vários músicos acompanhantes, até partirem para erráticas carreiras solo (assim como Thunders, depois de um breve período ao lado de Nolan nos Heartbreakers). Hoje em dia, Johansen atende pela alcunha de Buster Poindexter, um impagável entertainer. Das outras bonecas, nenhuma nova notícia. Mas, seja como for, as marcas deixadas pelas "assassinas de batom" continuam vivas.



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