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  • Dica HQ

KEN PARKER VOL. 1, de Berardi & Milazzo

Apesar de ser um título antigo (1977 na Itália, 1978 no Brasil), é a primeira vez que me interessei em dar uma conferida neste fumetti (como são chamados os quadrinhos na terra da Sergio Bonelli Editore).



Como conheço pouco das produções de temática faroeste, fica-me difícil comparar. Porém, asseguro que muitas opiniões que encontro tem a mesma conclusão: Ken Parker é um faroeste bem diferente, distinto de algo estrelado por um John Wayne, por exemplo.


A Editora Mythos voltou a publicar o personagem – há mais de dez anos sem republicação no Brasil – em uma edição capa dura e papel offset (excelente para trabalhos em preto e branco). Devido ao anúncio de pré-venda, acabei adquirindo este primeiro volume num preço justo.


Neste primeiro volume, há uma explicação introdutória sobre a HQ e quem são seus autores. Logo depois, começa a primeira história: “Rifle Comprido”, seguida de “Mine Town”.



Em “Rifle Comprido”, o leitor é apresentado aos irmãos Kenneth “Ken” Parker e William “Bill” Parker, caçadores das montanhas do oeste selvagem americano do ano de 1864. Logo após uma negociação, o jovem Bill é assassinado por ladrões e inicia-se uma história de vingança. Ken acaba se alistando nas fileiras dos “casacas-azuis” (exército americano) para descobrir quem foram os assassinos de seu irmão. "Rifle Comprido" é nome que o índios locais dão a Ken devido à sua arma de cano longo.


“Mine Town” continua a história de Parker ainda como soldado, tendo que enfrentar outros ladrões, mas desta vez bandidos mais ousados que roubaram o próprio exército americano.




Cenários ermos, animais selvagens, militares isolados, indígenas e bandidos são alguns dos ingredientes da HQ.


Num primeiro instante, a arte de Ivo Milazzo não surpreende, pois desenha personagens com muito nanquim e muita sombra, sem trabalhar os detalhes. Porém, nos quadros em que ele fecha a cena, aí sim podemos ver sua habilidade como desenhista, pondo certa riqueza nos detalhes.



Mas a devida atenção tem que ser dada ao roteirista, Giancarlo Berardi, cujo nome é muito conhecido para os amantes do fumetti. Desde seus primeiros trabalhos Berardi sabe criar um personagem substancial, com personalidade e ideias próprias. Em KEN PARKER, ele consegue equilibrar momentos de ação (tem muito “bang-bang”), diálogos reveladores e impactantes e apresentação do mundo em que Parker habita.


Sabe-se que, além de escrever, Berardi gosta de rascunhar os leiautes, isto é, ele mesmo planeja como serão desenhadas as páginas – o que dá pouca liberdade ao desenhista, mas o que importa é a obra funcionar. A fluidez da narrativa gráfica faz com o que o leitor não perca o ritmo de leitura e entenda o que está acontecendo, como um bom filme bem dirigido. E Berardi é mestre da narrativa.


E como surgiu KEN PARKER?



A inspiração básica da dupla de amigos Milazzo e Berardi foi um filme que fez certo sucesso na época, estrelado por Robert Redford: “Mais Forte que a Vingança”, do diretor Sydney Pollack, de 1972. O nome original do filme é Jeremiah Johnson e foi baseado no livro The Mountain Man do escritor Vardis Fisher. Por sua vez, a obra literária foi baseada na vida do montanhês John “Liver-Eating” Johnson (nascido John Jeremiah Garrison Johnston).




O nome veio da insatisfação do editor, Sergio Bonelli, com o primeiro nome escolhido pela equipe criativa: Jedediah Baker (clara referência ao personagem interpretado por Robert Redford), que parecia um tanto complicado para os leitores da península itálica. Para simplificar, "Ken Parker" foi o nome que agradou a todos.




A HQ é uma ótima leitura, ágil, com certa profundidade, que permitirá o leitor acompanhar o desenvolvimento e as aventuras do caçador montanhês.


Vale observar que Berardi também é o criador da personagem Julia Kendall (também em fase de publicação pela mesma editora), uma criminóloga investigativa que rende ótimas histórias policiais. Qualquer dia comento sobre os seus três primeiros números.


KEN PARKER VOLUME 1 foi publicado em 2021 pela Editora Mythos, reunindo as duas primeiras edições originalmente lançadas em 1977 pela Editoriale CEPIM (atual Sergio Bonelli Editore).


Nota: 4,5/5,0.