• Evandro Pontes

Lavando roupa suja em público




Tempos atrás Olavo de Carvalho alertou que a esquerda não lavava roupa suja em público.


Advertiu que, sempre em uníssono aos olhos do público, chegavam com as conclusões após debates e brigas homéricas "a portas fechadas" (coloquei entre aspas pois a gramática requer que o termo seja acompanhado das preposições "de" ou "com" por causa do "ablativo"/"locativo" da locução "portas fechadas"; portanto "de portas fechadas" ou "com as portas fechadas" ou até "sob portas fechadas", entendeu, boomer?).


Pois bem, não há porta sem paredes e não há paredes sem teto.


Em algum lugar esses debates ocorriam.


Sim, Olavo está certíssimo. O ideal é que elas ocorram "sob portas fechadas", mas entre o bom e o ótima, evitar que elas ocorram (ainda que publicamente) é decerto a pior alternativa.


E como explicar, então, a razão pela qual a direita não consegue ter esses debates "de portas fechadas"?


Simples: essas "portas" não existem. Não há sequer portas abertas para a direita, quanto menos condições de fechar (por dentro) as que lhe podem ser eventualmente abertas.


A esquerda tinha esses debates "com as portas fechadas" dentro de partidos, de departamentos universitários, dentro de sindicatos.


Hoje, as têm dentro do próprio governo federal, em jatinhos, em ONGs e até em celas de presídio. Sem prejuízo das discussões em suas dezenas de partidos e departamentos universitários que estão integralmente à sua disposição.


A esquerda sempre teve estrutura (ao menos física) para ter seus "debates" e quando lhe falta, improvisa os debates na cárcere (isso já desde Gramsci).


A direita não.


A direita só conta com as redes sociais.


Como "fechar as portas" nas redes sociais?


Não há para onde ir, essa é a verdade.


Esse é o preço que a direita paga por não ter, como Olavo já alertou, uma Universidade ou ao menos uma faculdade de direita, um jornal de direita sem vínculos pessoais com o governo (cuja redação permita debates "a portas fechadas").


Enfim, esse é o preço pago pela direita ao não ter ao menos um único partido que abrigue debates de interesse dos conservadores. Isso os obriga a ter seus debates em público.


Infelizmente a direita não tem outra alternativa: tem é que lavar roupa suja, mesmo, no único espaço que lhe deixam à disposição - na ágora, na praça pública, onde ainda é ouvida.


Até quando, não sabemos.


Talvez até que a esquerda liberte os seus e mande para a cadeia quem é de direita. E parece que isso não está longe de acontecer.


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