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Milkshake de Baunilha



By Miss Wilder

Em 2007, tivemos a chance de conferir uma performance brilhante de Daniel Day Lewis, no filme Sangue Negro (Paul Thomas Anderson). O personagem reflete e muito o que acontece com algumas pessoas que se deixam levar pela ambição demasiada, cobiça e materialismo.


Desde os tempos de Adão, quando expulso do Paraíso, o homem para ter seu sustento, tem de trabalhar e com o suor de teu rosto, ter o merecimento e o retorno. Ao longo da História podemos perceber inúmeras alterações nesta concepção, passando por sistemas como feudalismo por exemplo, até chegarmos a Revolução Industrial, onde o ápice da transformação ocasionou no chamado Darwinismo social.


No início do filme, percebemos esta concepção do trabalho duro, que muitos afirmam enobrecer o homem. Daniel Plainview é um cara que almeja algo grandioso, e que tem ambição suficiente para isso, tanto que quase se mata em uma escavação, assim como nas primeiras explorações de petróleo. Ao que parece, não há limites para se alcançar a fortuna almejada.


No decorrer da trama, após um início difícil, aparece outro personagem também ambicioso e apelativo, Eli Sunday, um pastor que surge como um contraponto, e que leva Plainview à ações extremas, como na cena memorável, em que há sangue, depois de uma revelação de esquema de desvio de petróleo da terra de Sunday direto para poço do outro. “I drink your milkshake!”


De uns tempos pra cá, tal comportamento se intensificou na sociedade dita contemporânea e moderna. Ambição, cobiça e materialismo: três palavras que afloram cada vez mais e corrompem o ser humano, levando-o a tomar medidas extremas em nome de comodidade, dinheiro e bens materiais. Mas será que é só isso que importa? Trabalhar, ou até mesmo usar de artimanhas nada honestas, para se garantir, e o próximo que corra atrás da própria sorte?


Resumidamente falando, a vida consiste em um básico tripé: material (pois é preciso trabalhar, afinal ninguém vive de luz), emocional (família e amigos) e espiritual (Divino, Fé). Quando a coisa aperta, infelizmente, o primeiro tripé à ser descartado é o espiritual, pela simples razão de ser imaterial e de não resolver o problema de imediato.


Tal atitude vale realmente à pena? Lembre-se toda ação tem uma reação e consequência. No final do filme, creio que teremos uma resposta plausível aponto de olhar para si mesmo, e ter a humildade de reconhecer no lugar em que você se encontra na vida.