• Gabriel Paculdino

MTurismo cria soviete para denúncia de estabelecimentos que descumprirem regras de combate ao COVID

O Ministério do Turismo do Governo Bolsonaro, chefiado pelo deputado Marcelo Álvaro Antônio, criou um certificado para os estabelecimentos turísticos - bares, hotéis, pousadas, restaurantes, dentre outros - que cumprirem as medidas de combate ao Coronavírus. O selo Turismo Responsável está disponível para 15 modalidades de estabelecimentos que tenham correlação com a atividade turística e atingiu, nesta semana, a marca de mais de 24 mil estabelecimentos contemplados.

À primeira vista, pode parecer uma medida meramente inútil, haja vista que as recomendações dadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde, em sua grande maioria, não têm pé nem cabeça - veja o artigo que publiquei no SWN sobre o uso de máscaras. Ainda assim, fosse apenas uma recomendação ou sugestão, não haveria tanto mal.

No entanto, o que mais chama atenção não é sua inutilidade, mas a possibilidade - real e provável, diga-se de passagem - de transformar o turista numa espécie de soviete, ocasionando o fechamento ou, ao menos, a punição dos estabelecimentos turísticos brasileiros, que, não bastasse já tivessem de suportar a estrondosa queda no setor, causada pelas quarentenas Brasil afora, agora terão de tomar medidas complexas e, muitas vezes caras, além de fiscalizar condutas dos hóspedes a fim de evitar denúncias.

Isso acontece porque, além de fornecer o selo Turismo Responsável, o MTurismo fornece, no mesmo selo, um QR Code que direciona o turista ao site do Ministério, onde existe um canal de denúncias de descumprimento, por parte dos estabelecimento, das medidas obrigatórias ao funcionamento "limpo e seguro".

Logo, além de ter a obrigação de adotar as medidas impostas pelo Ministério, gastando tempo e dinheiro em sua implementação, os estabelecimentos poderão ser penalizados caso algum turista resolva, a seu bel prazer, encontrar alguma desconformidade na conduta do estabelecimento.

Este canal de denúncias vem para somar às outras histerias que tomaram conta de todo o mundo com a pandemia de COVID-19 e, a seu modo, ajudar a fechar o caixão das empresas turísticas, já arruinadas pela quarentena que durou quase o ano de 2020 inteiro e que, pelo cenário que vem se desenhando, voltará com toda a força neste final de ano, até que, em fevereiro, venha o Carnaval e possamos retornar às ruas, como se nada tivesse acontecido.

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