• Evandro Pontes

Natal, uma tradição



A grande esmagadora maioria das pessoas que deseja brincar de conservadorismo, chega no Natal com o seu momento derradeiro de pantomima circense-cultural.


Neocons adoram seguir a “tradição” do Natal, sem saber o que é Natal e, na quase totalidade das vezes, sem saber o que é uma tradição.


Uma tradição é um ritual fixo que é repetido ao longo dos séculos e passado de pais para filhos. Não é algo que se imita com base naquilo que se vê na tevê.


É algo recebido.


A tradição, entretanto, é um ritual com propósito; ela é um ritual repetido que contém algo mais. A tradição contém, acima de tudo, uma mensagem de educação moral e um guia de ação.


Do contrário, escovar os dentes todas as manhãs não seria uma questão de higiene, mas de “tradição”.


A tradição, logo, é um ritual que repete um percurso narrativo e dessa repetição, lições são extraídas.


É esse sutil detalhe que separa uma Ceia de Natal de uma simples escovação de dentes.


O Natal é um ritual religioso.


Ao longo dos anos, o enorme esforço em torná-lo um ritual pagão foi muito bem sucedido, a começar pela distorção da figura do Menino Jesus culminando com a heresia máxima de destruição da santidade de Santo Nicolau de Mira, o Taumaturgo.


Todo ritual religioso embute um sacrifício.


O Natal é um sacrifício que hoje nem mesmo padres católicos o compreendem bem. Pastores protestantes, não conheço um (mesmo porque, a eles, a parte do Santo Nicolino não entra na tradição)


É o sacrifício da Virgem Maria, que carregou a dicotomia da castidade versus a natividade do filho do próprio Deus que se discute no Natal: essa é a tradição que se transfere – da mãe que se sacrifica pelo Mundo. Embute, assim, o sacrifício de uma família da Galiléia que viajou até o sul de Jerusalém, em Bethlehem (hoje núcleo dominado pelo Hamas, na Judeia) para realizar o milagre da Natividade e da Encarnação, em meio a uma perseguição infanticida de Herodes, o “Grande”.


É o sacrifício de toda uma família (e, por isso, a Sagrada Família) em nome de toda a humanidade, que hoje sequer dá a essa Família o reconhecimento que ela demanda, de projeção das Luzes da Eternidade para todas as demais famílias do mundo.


O ímpio prosperou.


O Natal foi destruído não só pela ação dos que se alinham ao anticristo e ao anticristão, mas por aqueles que, ao dizerem se alinhar, passam absolutamente nenhum ritual, ensinamento ou lição do sacrifício. O vírus e os governadores da pandemia são apenas “o ponto final” desse capítulo lamentável da morte do Natal.


Distorceram o papel de Nicolau de Mira, o santo e mártir que se sacrificou pelas crianças e pela família, em especial pelas mães, deixando lições de maternidade essenciais.


Nicolau foi o responsável pela salvação de crianças, ou melhor, pela ressurreição de três crianças que haviam morrido de fome.


A história de Nicolau de Mira, o Taumaturgo, é riquíssima e foi contada por Miguel, o Arquimandrita, no Século IX (provavelmente entre os anos 830 e 840). São Próculo (400dC) e Simeão, o Metafrasto (912dC) também dedicaram estudos sobre a vida de São Nicolau de Mira. Mas é mesmo no capítulo xxx da Biblioteca Hagiográfica Grega de 1348 (capítulo escrito por Miguel, o Arquimandrita antes da publicação da compilação da BHG) que a vida do Bispo Nicolau é contada com detalhes, em especial seus milagres. Os manuscritos originais estão no Arquivo Apostólico do Vaticano (erroneamente chamado por muitos de “Arquivos Secretos”). A última versão imprensa do BHG é da cidade de Bruxelas, da Sociedade dos Bollandistas, de 1909. Os escritos de Miguel sobre Nicolau estão no original em grego com interpolações em latim da página 187 e seguintes a quem possa interessar. Na internet há vários estudos dedicados a Nicolau, alguns inclusive para instruir crianças. O principal deles é do St. Nicholas Center.


Nicolau viveu entre 270dC e 350dC e seus restos mortais estão hoje custodiados em Bari, na Basílica que leva o seu nome. Suas relíquias foram trazidas por 62 heróis cruzadores marinheiros de Mira para Bari em 1087. A consagração dos marinheiros de Bari pelo papa Urbano II é talvez uma das mais remotas cruzadas marítimas, que deram início a uma tradição que foi culminar nas Grandes Navegações.


Nicolau é por isso um fiel representante das virtudes cardinais da Coragem e da Justiça e assim devem se portar os seus seguidores.


Há uma série de milagres que Nicolau nos deixou, como sinal de sua santidade: milagres envolvendo crianças, marinheiros, mercadores e estudantes. Intercedeu sempre pelas almas que estavam perdidas e foi absolutamente vitorioso em convertê-las, todas.


O maior presente que Nicolau dava não eram videogames, bolas, bonecas ou carrinhos: era a Luz.


E esse presente foi extirpado das novas “tradições de Natal”.


Como patrono dos estudantes, Nicolau retirava pessoas simples das trevas e as obrigava a estudar, para que no estudo, encontrassem O Caminho.


A tradição da ressurreição de três crianças é hoje uma das maiores tradições em Guimarães, o local que carrega o fardo e o orgulho de ostentar no muro da antiga cidade a inscrição: aqui nasceu Portugal. E por isso, essa mesma torre hoje está desenhada na bandeira de Portugal (apresentada simbolicamente entre 1 dos 7 castelos em volta dos cinco besantes azuis que contem cinco pontos brancos cada um, representando, cada ponto, uma das Chagas de Cristo).







É lá, em Guimarães, que a tradição nicolina se vê ainda preservada quando meia de dúzia de devotas oram pelo milagre de São Nicolau, que trouxe de volta a vida para três crianças abandonadas à própria sorte e literalmente mortas de fome.


Para o mundo de hoje, cercado de canalhas, estúpidos e hereges, a vida do Taumaturgo tem uma lição importante: foi sua contribuição, como doutor da Igreja, para o Concílio de Nicea.


Durante esse concílio, em que a doutrina cristã se assentou e a Santíssima Trindade foi aceita como o Caminho de Cristo, em oposição às teses arianas, Nicolau enfrentou o próprio Ário e suas teses... arianas.


Após acalorado debate teológico, Nicolau resolveu a discussão da única forma possível diante de tantas heresias que ouviu: esmurrou Ário no rosto, levando-o a nocaute em pleno Concílio de Nicea. Essa passagem é retratada na Catedral de São Nicolau em Bari como se fosse um bofete, um tapa na cara ou, como dizem os cariocas, uma “bolacha”. Mas o que ocorreu, na verdade, foi literalmente um nocaute.


Sim: São Nicolau de Mira, hoje pintado como o “fofinho” Papai Noel, nocauteou não um simples herege, mas “o” herege essencial, Ário.


De 325dC até a sua morte, em 350dC (há controvérsias se Nicolau morreu em 343dC ou 350dC), o Bispo de Mira seguiu trabalhando pela Verdade e pela Luz, tendo sido perseguido pelos romanos pagãos, pelos hereges e arianos, pelos líderes católicos que repeliram a sua atitude no Concílio de Nicea (espécies de “moderados” e “isentões” daquele tempo) e, last but not least, pelos satanistas de então.


Nesse tempo Nicolau notou que a sua santa dedicação só iria render frutos se ele se voltasse para louvar o casamento e, sobretudo, a educação moral das mães.


Nicolau fez então intensa dedicação para que as mães de todo o mundo guardassem as tradições (qual seja, os rituais santos de sacrifício em forma de tradição) para que elas passassem aos filhos a importância da prática do bem e da retidão moral, bem como de odiar e repelir o mal, mantendo-o distante da casa da família, aquele pequeno simulacro da Sagrada Família.


Nicolau notou isso no fenômeno da diáspora que se iniciava e tomou da lição judaica que o matriarcalismo era, de fato, a única saída para o mal que paira sobre a Terra.


Nocauteie um herege e proteja as mães: esse é o verdadeiro presente que o Papai Noel nos deixou.


Amém!

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