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O ANEL DO NIBELUNGO, DE P. CRAIG RUSSELL

Obra ganhadora do prêmio Eisner em 2001 por Melhor Minissérie e que deu a P. Craig Russell o Eisner de Melhor Desenhista/Arte-Finalista no mesmo ano, O ANEL DE NIBELUNGO é uma adaptação das quatro óperas de Richard Wagner: O Ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses.



Antes de tudo, vale esclarecer: entre 1848 e 1874, Wagner, o grande mestre da música, escreveu O Ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e o Crepúsculo dos Deuses, que formam um dos grandes épicos alemães, muito inspirado nos Eddas germânicos. As óperas foram apresentas entre 13 e 17 de agosto de 1876 no Festival de Bayreuth.


Graduado pela Universidade de Cincinnati, com diploma em pintura, P. Craig Russell fez fama no mundo das histórias em quadrinhos. Depois de se estabelecer na Marvel Comics em títulos como Killraven e Doutor Estranho, ele inovou o meio com sua estética calcada na pintura clássica e no design art nouveau em adaptações de óperas, como A Flauta Mágica, de Mozart, Salomé, de Strauss e O Anel do Nibelungo, de Wagner. Russell também é conhecido por suas séries de contos de fadas de Oscar Wilde, bem como as adaptações para graphic novel dos romances Sandman: Caçadores de Sonhos, Deuses Americanos e Coraline, de Neil Gaiman, e desenhos para histórias dos personagens Batman, Conan, Hellboy e Elric.


Em suas mais 440 páginas, a adaptação em quadrinhos traz a arte maravilhosa de Russell e as cores de Lovern Kindzierski.



Está praticamente tudo aqui, desde o roubo do ouro do Reno por Alberich, a transformação do ouro em anel de grande poder, os deuses do Valhalla, Logé, os gigantes Fafnir e Fasolt, a renúncia de Voton, a valquíria rebelde Brunhilde, o casal proibido Siegmund e Sieglinde, o herói Siegfried e seu esquecimento, o fim.



A HQ de P. Craig Russell é magnífica e, mesmo sem o som da música de Wagner, Russell consegue transpor o ritmo ao quadrinho, causando mais impacto e dando mais expressão às páginas. Pra quem conhece as óperas, vai se deliciar. Pra quem não conhece, talvez se inspire em buscar conhecer.


A edição possui extras essenciais que auxiliam no entendimento de como a obra foi forjada, mostrando como Russell é um perfeccionista ímpar.



Infelizmente, até o momento, é a única adaptação de P. Craig Russell publicada no Brasil. Ainda há esperança que alguma editora traga a sua adaptação de A Flauta Mágica, obra-prima de Mozart.


Leitura mais do que recomendada!


Caso busque assistir às óperas, recomendo as produções de 1990 dirigida por Otto Schenk, conduzidas por James Levine e com o tenor Siegfried Jerusalem no Metropolitan Opera Orchestra.



O ANEL DO NIBELUNGO foi publicado em 2018 pela Editora Pipoca e Nanquim, reunindo os quatro números de The Ring of the Nibelung, lançados originalmente entre 2000 e 2001 pela Dark Horse Comics.


Nota: 5,0/5,0.