• Davi Eler

O culto ao “individualismo”

Atualizado: Abr 1





Uma grande mentira contada para nós é que o indivíduo forma a base da sociedade. Sendo assim, esta entidade abstrata constitui a estrutura mais importante. O problema, contudo, está na própria premissa.


A base de nossa sociedade não é o indivíduo, mas sim o casamento e a família. Por qual motivo eu digo isso? Pois um ser humano sozinho, não forma NADA, ele nem mesmo consegue viver sozinho. Somos seres insuficientes, isso significa que, nós mesmos não existimos por ação própria, nem mesmo individual.


Foi necessário que papai e mamãe, em uma noite apaixonada e romântica, dormissem juntos, para que eu e você nascêssemos. Nós não conseguiríamos existir por nós mesmos, o que parece óbvio eu sei. Mas hoje em dia temos que explicar o que é nítido até para os animais.


Creio eu que essa imagem individual e autossuficiente que temos atualmente é uma tentativa de nos colocar no lugar de Deus. Uma reação automática e típica de uma sociedade ateia (ou à toa, como diz a Amandaverso). Quando tiramos Deus do nosso altar, sempre colocaremos outro deus lá, nem que seja nós mesmos. Já abordei este tema da idolatria em VÁRIOS artigos, ao final deixarei o link de alguns.


Mas de onde veio essa ideia de que o primordial é o indivíduo? Tudo começa na minha opinião com a revolução francesa e iluminista, que passa a introduzir uma mentalidade de não-necessidade de Deus, Igreja e família. Homens como Rousseau e Voltaire tentaram a todo custo destruir a ideia de comunidade e comunhão cristã, substituindo por uma fraternidade estatal. Abordei este problema neste artigo aqui.


A verdade é que esse peso exagerado que dão ao indivíduo, colocando-o como autossuficiente acabaram por destruí-lo. Pois pensem comigo: para algo ser a base de nossa sociedade, isto precisa ser, por natureza, o fim e o começo em si. Por isso o que molda um povo é sua religião, pois no deus deles, está o começo e o fim. E se ele for um deus falso, eles terão muitos problemas.


Por isso o casamento primeiro e por consequência, a família, são as bases do ocidente. Pois o Cristianismo (religião que moldou nossa civilização) começou com um casamento, que automaticamente resultou em uma família. Dessa forma, um indivíduo sozinho não é nada, porém ao se unir com outrem, eles juntos passam a constituir uma família, que se transformará em um clã, depois em uma tribo, e só então em uma cidade.


Todavia, alguém pode argumentar: “Mas um casamento é formado de dois indivíduos, então a base de tudo é o indivíduo.” Isso é verdade, o problema é que um indivíduo sozinho não é autossuficiente, ele precisa de uma mãe e um pai, precisa crescer em um ambiente seguro. E o casamento e a família proporcionam isso, assim eles são a verdadeira base de nossa sociedade.


Dessa forma, toda a narrativa liberal cai por terra, pois eles (os liberais) se baseiam tanto na ação individual e na liberdade, que não entendem que estes pontos, apesar de importantes, não são absolutos. Sobre o indivíduo, nós já provamos o motivo. E a liberdade sempre anda de mãos dadas com a responsabilidade, o que naturalmente tira alguma liberdade, entendem? Falei sobre isso neste artigo.


E era aqui que eu queria chegar: o grande problema do conformismo, que falei no meu último artigo, tem sua base neste individualismo. Pois o Cristianismo tem se tornado uma religião individual e não comunitária como realmente é. Principalmente entre os protestantes, essa questão tem se acentuado bastante, as pessoas acham que por acessarem a pregação da palavra, via online, está tudo bem.


Elas não sentem necessidade de conversar com os seus irmãos em Cristo, de ver se eles precisam de oração em algo, de louvar ou orar em comunhão com os santos. Tudo isso não é mais necessário, pois para eles, se o seu indivíduo está “bem”, então não há problema.


Elas até entregam o dízimo, então sentem que estão sendo a mão de caridade de Deus, não entendem que este propósito vai muito além disso. Se você entrega o dízimo, mas não ajuda seu amigo sabendo que ele está com problemas, sejam eles quais forem, não agirá com caridade. Mas devido à entrada quase que absoluta deste pensamento no imaginário das pessoas, elas estarem recebendo a palavra online já é o bastante. Até pelo motivo de “estarem salvando vidas”.

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