• Shock Wave News

O GATINHO

Por Isabel Conceição



A História que contarei agora não costuma ser muito incomum, mas ela também não pode ser apresentada como óbvia para todos. Mas por favor, se atenha apenas aos fatos, nada de ficar fazendo imensas elucubrações querendo aprender algo ou já sair por aí afirmando como fazem aqueles que de tão diminuídos por soluções fáceis acabam sendo engolidos por um funil.


O caso aconteceu em uma cidadezinha chamada...- Me esqueci o nome... algo em torno de final ópoles: Vernópoles ou verdinópoles. – Observastes que toda memória é falha, no entanto podemos dizer e sabemos com certeza que é uma dessas. Pois é nesse pequeno povoado que vive nosso anti-herói seu nome é Lindoslau, embora a primeira parte de seu nome não combine com o restante da obra. Sim, pois sua estatura era baixa, olhos distantes e escorregadios, boca pequena escondendo um sorriso impreciso e urgente, quase como que estivesse tremendo, nariz um pouco largo e pequeno, ralos cabelos, mãos pequenas e grossas, seus braços estavam equilibrados com as pernas, ambos pequenos e grossos, embora as pernas tivesse um pequeno circulo ao meio. Ocorre que ele era mais um entre nós, todas as maluquices e manias também faziam parte de sua rotina; uma delas era acordar antes que todo mundo, mal a madrugadinha dava adeus ele já estava pronto. Perdia o sono completamente e olha que ele nem era tão velho assim!


No lugarzinho pitoresco, onde estavam atentos todos os olhares, porque quanto mais pequeno é o lugar, menor é a diversão e o que sobra a seus moradores se não uma novidade. Ora, ninguém ali passa forme, não se trata disso o que se quer é diversão, novidades ...Esses curiosos e famintos se punham a dar um pouquinho mais de atenção a essa seresta. Mas não ponhamos a culpa ao pobre povo já tão sofrido de mãos calejadas e tudo para alimentar muitos ingratos da cidade, não todos alguns! Além do mais nunca foi fácil viver da terra e há de haver alguma alegria nem que para isso se tenha de inventar. Precisamos estar atentos, no entanto, porque se você não está lá na roça nunca vai saber se a terra que você arrendou produziu o que lhe entregaram ou esse feijão é o do ano passado e o novo eles levaram para dentro de suas casas e lá riram à vontade desse povo que pensa que é muito esperto só por ser da cidade.


O pequeno povoado se debatia dia e noite de casa em casa para saber as novidades. Nesse caso o tal gatinho, como foi batizado carinhosamente Lindoslau, o que provocou muitos risos e censura de uma dona que ora parecia querer esganá-lo; essa era a tal e dona Matilda. Por falar nisso, ela iria fazer muita falta por aquelas bandas caso resolvesse picar a mula, era ela que tinha os olhos de águia e sabia apontar todos os defeitos e qualidades de cada ser vivente. Quando falava apontava seu indicador para cima e para baixo, caso alguém fizesse algo que lhe aborrecesse. Era para ela que todos corriam quando gostariam que uma notícia se espalhasse. Como ela era necessária ali.- Não acreditas? Então me diga: - Quem aguentaria ficar só com o canto do galo? Se as galinhas estão ciscando no terreiro há de se achar alguma coisa! Não nos iludamos, todos são necessários, não foi pra isso que esse povo inventou a tal de diversidade! Bem, foi essa amada que gentilmente foi cedendo a quem possa interessar um pouco da vida de nosso gatinho.


Segundo Matilda, ela iria descobrir por que Lindoslau não se comportava como os demais, conforme ela mesma dizia: - Tem um gatinho pelas capoeiras...E assim ela imitava direitinho o modo como o homem se agachava e andava de cócoras. Ainda hei de descobrir por que ele anda desse modo pelas capoeiras, está assolar e assombrar a vizinhança; andava assim pelas guanxumas e capoeiras...aquele que não deseja o mal anda em duas patas! E ela acabava de ver Lindoslau transformar-se em um gatinho, o que lhe causou um assombro tremendo. Sim ele não era um homem cresceram seus pelos, seus pés foram se transformando em enormes garras, sua barba ficou maior e uns bigodes cresceram, os olhos ficaram animalescos. Passaram se os dias e a cena se repetia antes de amanhecer o animal aparecia pelas capoeiras.


A sorte pode bater a porta quando menos se espera, o marido de Matilda esta na capina de cada dia, quando avistou o gato se escondendo entre os arbustos. Temendo e tremendo mesmo assim resolveu segui-lo, qual foi a surpresa ao saber que o gato não era analfabeto e havia ido até a casa da sobrinha de Matilda entregar um bilhetinho pela janela. – Como assim? – Pensou ele, sentiu suas faces perderem a cor natural, e um ódio cresceu em sua mente. Mas resolveu pensar friamente e com a ajuda de sua conselheira ver o que deveriam fazer para descobrir o resto. Chegou em casa com os olhos esbugalhados e esbaforido contou a Matilda, que apesar de já ter um roteiro para as próximas visita não deixou de se impressionar com a história.


Qual foi a surpresa ao descobrir que o gato era casado. E sua esposa jamais sonharia com essas escapadelas. A vizinhança estava com coceira na língua pra contar que ali havia algo, não se sabia o que. Por aqui se diz que o traído é o último a saber. Mas deixemos o mal alheio e sigamos. Nossa Matilda se prontificou em descobrir tudo, afinal essa era sua missão ali naquele povoado. E tudo que se quer se pode ela foi a melhor detetive do povoado. Pelas matas ela passou a olhar, cheirar e escutar. Seguia o gato pelas capoeiras Entretanto seu marido que já pegava o gosto pela investigação desde que conheceu Matilda largou na frente e achou dois sacos de linhagem no meio da mata. E mais tarde, foi descobrindo outros de modo que ficou sabendo que os sacos nada mais eram que a cama do gato. Toda vez que ele se transformava tinha que fugir, se esconder e ali mesmo sua humanidade sumia e imediatamente ocorria a metamorfose. Um dia estava Matilda caminhando em frente a mata Atlântica, e viu sua sobrinha indo em direção ao mato, resolveu segui-la. Ali se deparou com uma cena dantesca, o gato se punha em cima de sua sobrinha e com ela copulava. O que fazer? Avisa imediatamente a vizinhança para que juntos todos possam de uma só vez abrir a boca e juntos soltarem seus bá...bá...o quê? Aguardava e a cada visita contaria de uma vez e pediria segredo, sem querer que isso aconteça realmente? Arriscaria a felicidade e o amor conjugal de um gatinho safado?


Passaram se muitos anos e do romance do gato, no meio do mato foi concebido seu rebento. Mas antes disso, a esposa de Lindoslau já sabia e só dizia um dia Deus vai vingar, mas mesmo assim não o abandonou, tinha que pensar nos filhos que ainda eram crianças. O rebento foi crescendo e observando tudo o que estava ocorrendo. Foi sendo criado assim, o gato a mãe e ele. Uma família se criou entre mato e povoado. Com o tempo o filho foi ganhando a confiança da primeira esposa e por lá foi sendo criado, pois sua mãe não possuía as faculdades para criar uma criança. Além disso, as mulheres que antes eram inimigas passaram a se visitar e até chimarrão uma toma na casa da outra. Ás vezes o povo se pergunta onde será que o ciúme se esconde? Ele perde as forças? Ele dá lugar para a humildade? Ele foi parar aonde? Hoje em dia o povoado nem se digna espiar entre as frestas ou se cansa dar uma chegada no mato. A calmaria e os pássaros cantam alegremente e a brisa vem encher de graça o lugar, as flores e seu colorido são os encantos dos beija flores e daqueles que se dignam dar atenção as pétalas de uma flor, e as borboletas convidam a todos um minuto de contemplação.

Adicionar um título (1).png

© 2020 by  ShockWave Radio.

Faça parte de nossa Newsletter e receba as últimas notícias do Brasil e do Mundo