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  • Alexandre Nagado

O Japão reage contra a cultura do cancelamento

Atualizado: Mar 24

No Twitter, começou uma reação de artistas japoneses contra os justiceiros sociais.

Boa Hancock, de ONE PIECE.


No ocidente, a cultura do cancelamento avança a passos largos. O gambá Pepe Le Pew e o rato Ligeirinho, da Warner, foram as mais recentes vítimas dos SJW - Social Justice Warriors - militantes incansáveis de uma "justiça social" ideológica que busca destruir e apagar a existência de tudo o que possa ferir as sensibilidades daqueles criados em uma cultura de profundo vitimismo e autoritarismo.


Por outro lado, o Japão sempre se pautou mais pela autorregulamentação, reconhecendo na liberdade de expressão o grande elemento a fomentar o surgimento de novos talentos e alimentar uma gigantesca indústria cultural. Mas, também existem por lá aqueles que almejam uma "conscientização social" repleta de feminismo, racialismo e apelo LGBTQ, buscando destruir qualquer coisa que não leve essas posições ideológicas em consideração antes de criar histórias e personagens.


Por enquanto, a grande diferença do Japão para o ocidente é que lá esse tipo de movimento bate de frente com uma larga tradição de respeito irrestrito à liberdade de criação, mesmo que muitos excessos já tenham sido cometidos em termos de violência e sexualização. Grandes e reverenciados mestres como Osamu Tezuka, Shotaro Ishinomori, Go Nagai, Kazuo Koike e tantos outros já se posicionaram pela defesa da liberdade de expressão, especialmente no mangá e no animê.


A maioria das editoras, estúdios e empresas japonesas acaba tendo certos cuidados com produtos que são exportados, mas no geral, não se deixam pautar por questões ideológicas externas. Ainda assim, vários perfis de Twitter têm atacado artistas japoneses, entre profissionais e amadores, por postarem imagens que "sexualizam a mulher", "trazem estereótipos machistas", "perpetuam papéis de gênero" e etc... Em grupos, atacam perfis exigindo que retirem as ilustrações do ar, pedindo que o perfil seja banido, que se retrate, enfim, fazendo o que os SJW fazem de melhor, que é o BULLYING.


Neste fim de semana, começou a circular pelo Twitter no Japão uma reação a esses ataques. Com uma linguagem precisa, é exposta toda a agressividade dos justiceiros sociais, definindo-os como pessoas que querem obrigar os outros a seguir seus padrões fluidos, demonstrando falta de maturidade e estabilidade emocional. A resposta começou com perfis que lidam com material adulto (+18), mas viralizou rapidamente, pois muitos artistas japoneses têm sido intimidados por justiceiros sociais querendo calar suas vozes e cancelar suas visões artísticas.


A mensagem também ensina a identificar o tipo de pessoa pelas descrições de perfis, cheios de siglas e pronomes adotados por militantes, quase sempre ocidentais. Não raro, são pessoas bem jovens que se declaram socialistas e portadoras de distúrbios emocionais e de identidade.


Aqui, a série de imagens que já foi compartilhada mais de 13 mil vezes em poucas horas. A frase final é arrebatadora: "Continue trabalhando duro. Ignore as crianças que acreditam ter mais poder do que realmente têm."

"A liberdade de expressão é perigosa. A alternativa é pior."

- Jordan Peterson


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