• Davi Eler

O Lápis E A Borracha



Era uma vez um Lápis e uma Borracha, eles não sabiam, mas eram utilizados pelo maior escritor do mundo, o problema é que viviam em briga. O Lápis era novo, ainda com espinhas no rosto, e estava sempre querendo escrever algo revolucionário, e a Borracha era uma senhora que já usava dentadura, e sempre repreendia o garoto e apagava o que eles escrevia, sempre dizendo que ele devia escrever algo retrógado e do passado.


O escritório aonde eles vivam era lindo, uma casa de madeira no alto de uma colina, sendo que a vista da principal janela daquele cômodo dava para ver o vale inteiro. Ele como toda a casa era de madeira, assim como os móveis, a mesa aonde nossos dois personagens viviam era cheia de entalhes na madeira, um móvel digno do escritório de um rei com certeza.


Esta eterna briga entre os dois de, sempre escrever algo novo totalmente diferente do que já havia sido feito e, copiar os escritos antigos parecia não acabar mais. As vozes dos dois ecoavam por toda à casa, todos escutavam suas discussões acaloradas.


O Lápis argumentava: “Se não fizermos algo novo, ninguém vai querer ler.”


A Borracha contra argumentava: “Isso não importa, o que interessa é fazermos algo de qualidade, e para isso temos que seguir a receita dos antigos, pois eles já provaram que deu certo”


Nenhum dos dois parecia mostrar qualquer sinal de que arredaria o pé, e aconteceu que todos na casa ouvindo seus argumentos, começaram a discutir um com o outro também. Tinham pai brigando com filho, marido e mulher debatendo sobre isso, e no final ninguém chegava à uma resposta, e muito menos conseguia convencer o outro lado.


Essa luta eterna durou 4 semanas na casa, tudo estava um caos, famílias se dividindo ao meio por causa deste tema. A coisa ficou tão séria, que muitos já falavam em um conflito armado, as emoções estavam a flor da pele por toda aquela casa.


Foi quando o escritor chegou de sua viagem para conseguir uma editora nova para publicar seu último e melhor livro. Então toda a casa teve que se aquietar, e fingir que nada estava acontecendo. Até que chegou a noite, e todos se reuniram na sala de jantar em cima da mesa para chegarem em uma solução.


Os melhores argumentadores de cada lado estavam apostos, cada um com uma ou duas folhas de pontos importantes para se lembrar. Começou obviamente com o Lápis e a Borracha, foi decidido na moeda quem começaria, e o garoto ganhou.


E então já começou seu discurso de imediato dizendo: “Não podemos nos prender as coisas do passado, ou então cairemos nos mesmo erros idiotas que cometeram”


A Borracha quando chegou sua vez, sem perder tempo logo disse: “Se estamos aqui é graças ao que os antigos fizeram por nós, o mínimo que podemos é preservar seus ensinos repetindo-os”


O Isqueiro defendendo o abandono do passado falou de forma acalorada: “Se nos fixarmos nessa história de preservar o passado, nunca descobriremos coisas, sabemos que o mundo está em constante evolução, e senão acompanharmos ele seremos esquecidos”


Então um dos livros da biblioteca se levantou para contradizê-lo: “Você não sabe o que fala, se o senhor ler as minhas páginas descobrirá centenas de coisas dos antigos”


Então o Isqueiro se encheu de ira e disse: “Ah é? E se eu colocar fogo em você? Do que suas págininhas irão adiantar?”


E foi neste momento que uma grande confusão começou, porém quando um conflito bélico estava prestes a começar, o sol surgiu no horizonte. E todos sabiam que João se levantava junto com ele, então todos começaram a correr desesperados para seus lugares, e devido a um milagre todos conseguiram.


Porém quando ele foi começar a escrever seu livro, todos viram que ele estava com o Lápis na mão direita, e a Borracha na esquerda. E começou a escrever utilizando os dois, e no papel ele construía uma argumentação exatamente sobre a discussão dos objetos da casa, e ele disse o seguinte:


“Não podemos ser progressistas e esquecer o passado, isso seria uma idiotice completa, pois eles construíram o caminho que nos fez chegar até aqui.”


Nesse momento a Borracha disse baixinho para o Lápis: “Eu te disse”. Para eles era de extrema importância a fala de seu deus, pois todos confiavam e acreditavam nele, o que ele dizia se tornava uma verdade absoluta.


Porém ele não parou ali, mas continuou sua escrita:


“ Contudo não podemos ser regressistas e saudosistas com o passado, achando que ele representa o bem supremo e que os antigos não cometeram erros”


Nesse instante Lápis e Borracha se olharam sem entender mais nada. Não entendiam como os dois podiam estar errados, deviam ter entendido algo errado. E então João continuou:


“Devemos ser conservadores, temos que preservar as lições e ensinos dos antigos, mas entender que algumas precisarão de reformas. Alguns detalhes precisarão ser revistos. Mas nunca, jamais, devemos descarta-los por completo, nem achar que eles são perfeitos e livres de erros”


Quando ele terminou de escrever esta frase, sua esposa o chamou e eles saíram para almoçar fora, já que era aniversário de casamento do casal, eles passariam todo o dia longe de casa.


Lápis e Borracha completamente embasbacados com o acabaram de ler, se entreolharem e entenderam aonde haviam errado. Então chamaram todos para uma reunião de emergência, e os dois juntos explicaram para toda a casa a importância de preservar o legado antigo, mas também de fazer as reformas necessárias através dos novos conhecimentos obtidos. E então todo habitante dali entendeu, e eles viveram uma vida agradável novamente.


Moral


Que não esqueçamos a importância dos ensinamentos clássicos, mas que os guardemos em nossos corações. Contudo devemos lembrar também, que somente a Bíblia é isenta de erros, todos os outros ensinamentos estão sujeitos a reformas.


OBS: Os conceitos de: progressista, regressista e conservador foram baseados no livro; Construtores Do Império de João Camilo De Oliveira Torres.

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