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O liberalismo está morto

Por Adão Boavontade



Um propositor da volta do feudalismo seria tratado como louco. Em geral, um defensor da monarquia parlamentar já é um estranho, um excêntrico. Agora imagine a proposição de cidades-estados. Tudo muito arcaico.


Liberalismo clássico já é feudalismo. Não está mais no grupo dos conhecimentos práticos concorrentes, mas dos conhecimentos históricos; bons para ter referências, reconhecer padrões, mas são inalcançáveis no futuro.


O liberal está hoje destinado a ler sobre questões abstratas enquanto paga cada vez mais impostos, tem menos direitos individuais e, muitas vezes sem perceber, berra contra assombrações de estados nacionais enquanto é derrotado por organizações mundiais. Depois, por um estado mundial. Será silenciado por empresas privadas, e não reclamará por uma questão de princípios. “A empresa pode ser ruim”, dizem, “mas o estado é pior!”


O pensamento liberal pressupunha que o carrasco, enquanto funcionário público, deveria ser libertado, pois suas asas recém adquiridas o levariam a abrir uma padaria ou banca de jornais, e todos viveriam felizes para sempre, porque a maldade do estado haveria de ser reprimida pela concorrência privada. Mas o que aconteceu é que o carrasco enriqueceu com ajuda estatal, formou um oligopólio com outros carrascos, também empresários corporativistas, e agora era proprietário de suas próprias forcas, espadas, machados. Possui mais tecnologia e capital do que nunca para oferecer às cabeças… digo, pessoas.


Mortos, como Mises ou Hayek, gritam do túmulo “mas isso não vale… isso não é economia”. Os carrascos respondem: “hmpf”, e continuam a fazer o que fazem de melhor, como se realmente não ligassem para o fato de que a teoria econômica não gosta de agentes políticos egoístas com intenções perpétuas. Não é democrático, para começo de conversa. “Sr. G*****, gostaria de concorrer de igual para igual conosco? As regras do jogo são: ganha quem ofertar liberdade de expressão e maximizar a utilidade. Um, dois, três e já!”


Devemos admitir que é muito mais saudável sair pelas ruas bradando uma espada de bronze à procura da Hidra de Lerna, desafiados por um senhor que jurara-nos a mão de sua adorável filha  —  desde que matemos o monstro que perturba a vizinhança.


Em vez de cometer um sonho com o mínimo de dignidade e masculinidade, o sujeito prefere vestir uma camisa polo, gritar “Fora Bolsonaro” porque o Congresso Nacional votou alguma lei estupidamente inócua e se lambuzar, na segurança de uma boia em forma de dinossauro, na onda laranja. Discute também os importantíssimos limites da liberdade individual enquanto João Doria, com auxílio de seu amigo Chow Chow Ling, realiza nele um teste anal de Covid-19 televisionado ao vivo pela Rede Bandeirantes  —  com os comentários do Datena.