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O “matador” da “liberdade”

Por Evandro Pontes

Imagem: Reprodução. AdultSwim

É premissa, para se compreender esse texto, que se entenda que eu não acredito em liberdade como “direito natural” – papo furado de liberal você vai procurar no Brasil Paralelo: nos meus textos não.


Estou há algum tempo em silêncio justamente porque minha paciência se esgotou e a minha liberdade de expressão, cancelada pela própria direita, já se foi há mais de 1 ano.


Hoje é dia de botar muita coisa em pratos limpos.


O título faz referência a um texto que Paulo Briguet acaba de publicar no BSM. A constatação de Briguet está correta: “O fim do Terça Livre e a morte da liberdade no Brasil”. Voi là, se você é neocon ou uma espécie de “liberal-conservador”, vai acreditar que as “liberdades” nascem com o sujeito e podem “morrer”. Eu não acredito nisso. Eu acredito em libero arbitrio.


Acreditar em liberdades inatas é coisa de “neocon”. É o caso de quem lê Santo Tomás de Aquino e não entende o que está escrito ali. Mas isso são outros 500. Não quero falar disso, mas quero falar, em si de um certo diagnóstico do texto de Briguet: ele fala sobre o “empastelamento” do Terça Livre e sobre a participação de Allan na CPMI das Fake News, onde ele faz a famosa pergunta ao deputag Davi Miranda, sobre “quem é o sujeito do verbo”. Briguet responde: “o sujeito é você, Allan. Somos nós. É o Brasil. Não naquela frase específica, mas na história recente do Brasil”.


Que lindo! Que emocionante! Que tocante! Que divino!


E ainda fala que “a esquerda é a Hidra de Lerna: corta-se uma cabeça, nascem duas no lugar”.


Ahhh, essa esquerda danadinha, safadinha, astuta; sempre a atrapalhar os planos mirabolantes da direita “temos que governar com o que tem”, a direita “não reclama senão o PT volta”.


Briguet faz o diagnóstico correto de que, se há alguma liberdade inata no entender kantiano dele, essa liberdade teria morrido com os inquéritos ilegais do STF.


Mas a causa motriz da ação que envolve as ilegalidades praticadas no inquérito, que resultou da morte de um veículo de imprensa, não foi a censura praticada pelo STF em si – quem matou a liberdade foram vocês.


Ao impedir que vozes dissonantes apontassem o esquerdismo que se instalou no governo Bolsonaro, a imprensa neocon, a turminha do briefing, praticamente alimentou a Hidra de Lerna que ele reclama hoje.


Hoje não interessa mais diagnosticar que há censura pois o problema não é e nunca foi ontológico, mas deontológico – qualquer idiota com 2 neurônios sabe que há censura, que o inquérito é ilegal, que extradição em inquérito sem crime e com negativa da PGR é um absurdo que o governo escolheu participar e mover a roda sob o argumento “se rejeitarmos o pedido de extradição eles tiram a gente”. Isso é o ser, é a ontologia, é “a coisa como ela é”.


Outro tema é como ela deveria ser e outro ainda é verificar que ela está assim porque alguém motivou que isso acontecesse.


E o sujeito dessa frase, Briguet, é você.


Quando a imprensa neocon resolveu se assumir bolsonarista, quando decidiu, por puro bolsonarismo patético defender pautas LGBT, defender políticas esquerdistas que o próprio governo combatia na campanha de 2018, quando abriu mão de valores para defender pessoas e, sobretudo, quando resolveu calar vozes dissidentes, a imprensa do briefing tomou o caminho lastimável da eutanásia libertária – vocês, Briguet, desligaram os aparelhos de um doente morfético, moribundo e aleijado.


Para tomar esse rumo entre Fabio Faria ou Roberto Jefferson, vocês tomaram a decisão de censurar e calar quem não aceitava nem uma coisa, nem outra.


Você acha que “hoje são eles, amanhã será qualquer um de nós” – e eu te digo: qualquer um de vocês talvez sim, nisso você tem razão; mas dos demais, vocês mesmos procuraram censurar e agora estão ai entre defenderem a si próprios ou manter esse bolsonarismo tosco, medíocre, cheio de “assistencialismo”, cheio de “veja bem”, repleto de retórica de Fariseus, sambando entre defender um Ministro da Justiça que ajuda na extradição de um homem que sequer foi denunciado, não há processo penal contra ele, não há provas, não há sentença condenatória, não há defesa, não há direito de recurso, não há trânsito em julgado, não há fundamento para uma preventiva, não há o papo furado da “prisão em segunda instância” para ele, ou, defender o próprio homem. O governo está ajudando a implementar isso mas você não pode apontar essa filhadaputice que o governo está praticando com um amigo seu. Se bobear, nem seu amigo pode apontar essa canalhice que estão praticando contra ele mesmo, assumindo assim que um governo cuck precisa de uma caixa de ressonância equivalente na soi disant “imprensa independente”.


Você não apenas tem que calar outros que apontem isso – você tem que se calar sobre isso.


Briguet, a pior “morte da liberdade” não é aquela que um tirano pratica contra nós – a pior é aquela que nós temos que praticar contra nós mesmos, colaborando indiretamente contra os tiranos e diretamente com os “amigos dos tiranos”.


Lamentar sobre a prisão de quem quer que seja, ainda mais sendo amigo, culpando exclusivamente o Ministro Moraes sem mencionar que no mesmíssimo dia o Presidente Bolsonaro declarou que está “cercado de amigos no Judiciário”, é praticar sofisma jornalístico. Não adianta mais varrer a causa disso para baixo do tapete.


A imprensa neocon e agora assumidamente bolsonarista faz aquilo que sempre disse ser um erro nos outros: nunca dependa intelectualmente de quem paga as suas contas – pois bem, ao se entregar ao mais deslavado bolsonarismo boomer, aceita jogar a culpa no STF e livrar o Chefe de Estado desse resultado que ora chegamos.


Briguet comenta de uma palestra que deu em Santa Catarina chamada “O Preço da Liberdade” (como se, sendo a “liberdade” um direito natural, é viável a precificação de um direito natural, em outra contradição que não quero me estender) notando que o TL é quem está pagando esse preço agora – mas muito cá entre nós, meu amigo: preço se estabelece em função de oferta e procura e quando vocês resolveram meter a colher e censurar parte da direita, vocês interferiram nessa oferta de informações e portanto, esse preço é resultado direto da interferência que vocês e inclusive o TL, vítima de hoje, dizem estar pagando. Essa parte do “liberalismo”, a da oferta e da procura por liberdade, acho que vocês esqueceram nos cursos “liberais-conservadores” que andam ministrando por ai. Mas isso também são mais outros 500...


Minha parte eu paguei à vista há 1 ano atrás.


Me sinto livre desse “Serasa do briefing”.


E não aplaudo aqui a ditadura em que fomos metidos e que, em parte, vocês colaboraram ao abandonar valores e defender pessoas sem valores (incluindo ai o Chefe de Estado).


Minha postura perante o que sempre chamei de corrupção da inteligência jurídica é ainda a mesma, não mudou. Os valores que defendo são os mesmos. As pessoas que os abandonaram, não (se é que em algum momento os tiveram).


E se quer uma sugestão, a única forma de sair dessa situação é defender o afastamento do Presidente da República.


Já sei! Vocês vão dizer, “você está louco? se tirar ele, entra o Mourão e aí a esquerda volta!”.


A esquerda volta pra fazer o que? Ampliar o Bolsa Família? Fazer um PAC? Arrombar a Petrobrás? Desviar montanhas de dinheiro para campanha eleitoral de vagabundo (seja dentro do orçamento ou seja fora dele, foda-se, tanto faz)? Promover políticas LGBT? Destruir a economia do país com inflação e desemprego? Cagar na segurança pública com o aumento desenfreado da criminalidade com mais de 50 mil homicídios ao ano? Ajudar artista vagabundo com Lei Aldir Blanc? Promover política internacional com xiitas e sunitas? ou... extraditar conservadores?


Do meu lado, se só o Mourão fizer isso, eu pelo menos posso voltar a criticar o governo sem ter jornais como o seu ao lado de tantos fariseus e sofistas, enchendo o meu saco para não fazê-lo.



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