• Shock Wave News

O Monopólio da Mentira.


Embora provavelmente utilizado desde o final do século XIX na América, o termo

“Fake News” tornou-se moda na mídia contemporânea durante o processo eleitoral norte-americano de 2016, quando a mídia deste país usou e abusou do termo para monopolizar o direito à mentira e à desinformação, numa tentativa desesperada de manipular a opinião pública frente às demandas contrárias de boa parte da população de seus interesses políticos, ideológicos e econômicos, então ameaçados como nunca antes visto na história.


Desde então, o termo, que em livre tradução para a nossa língua portuguesa significa

“Notícias Falsas”, vem sendo adotado como uma espécie de bordão semântico para designar qualquer distorção, escrita ou falada, da realidade ou mesmo para substituir palavras já existentes em nossa língua, como mentiras, boatos, fofocas etc.


A mídia, sobretudo a partir do século XX e de forma bem exacerbada durante o início

do século XXI, parece querer substituir, em influência e em função, a ordem sacerdotal da Idade Média, que se dedicava à salvação espiritual das pessoas, exercendo grande influência na cultura e na vida de todos, aquela que deveria rezar pela salvação da humanidade, através da defesa e manutenção da verdade purificadora, logo, redentora.


A partir dessa constatação, ela, a mídia, parece autoproclamar-se a guardiã da verdade absoluta e do direito à manipulação da informação, usando e abusando dos mais diversos recursos narrativos e dos modismos linguísticos, não raro até adotando neologismos retóricos, criando um dialeto próprio e o impondo ao senso comum, primeiro de forma coloquial e, aos poucos, absorvido pelos padrões formais da comunicação, sobretudo quando essa “novilíngua orweliana” estabelece uma relação mutualística e mimética com a classe positivista dos especialistas e intelectuais das áreas contempladas por essa reengenharia comportamental.


Com frequência, observa-se a adoção e a imposição de termos propostos pelo

progressismo e pelas ideologias revolucionárias na linguagem midiática sob a tolerância e até celebração de parte significativa das intelectualidades acadêmica e cultural da sociedade, para em seguida os reverenciarem e, aos poucos, os formalizarem como um padrão linguístico a serem adotados pelo resto da sociedade. É justamente aí onde a realidade torna-se fluida e susceptível às distorções, tão ilusórias quanto manipuladoras, intrujices linguísticas, por vezes disfarçadas de eufemismos, endrôminas banhadas pelo politicamente correto e amparadas desonestamente pela escusa espúria de uma tolerância simulada e burlista.


Pura impostura intelectual, copiosamente dissociada da realidade e dolosamente remota da verdade, rigorosamente resistente ao contraponto e à refutação, não por consistência argumentativa ou por balizamento dos fatos, mas por densa impermeabilidade à autenticidade e apego arrojado ao monopólio da miragem.


Assim sendo, todo e qualquer questionamento, todo e qualquer desafio à distorção da

verdade, todo e qualquer pensamento adverso, terão de ser refutados, não com argumentos e fatos, mas com os chancelados jargões e bordões ideológicos, que de tão empregados, já se tornaram clichês supressores dos fatos e editores da verdade.


Tudo que não obedecer à burla oficial, mesmo que evidenciado pelos fatos, será tratado como assalto hostil à “verdade”, desacato à “realidade” e, por conseguinte, descredenciado e banido do debate. É este autoritarismo linguístico que configura o monopólio da mentira, o privilégio da desinformação, e quem ousar discordar será exilado do feudo da credibilidade ou condenado à bastilha do obscurantismo negacionista, sob a acusação de apologista da invencionice e propagador de “fake news”.


A tirania da “novilíngua” é implacavelmente impiedosa, não há contemporização misericordiosa com quem ouse desafiá-la ou mesmo questioná-la. Portanto, quem a detém, controla e modera o alcance da alucinação, logo, da manipulação, num ambiente de interpretações sintéticas e versões artificiais da realidade.


É por então, imperativo não deixar-se seduzir pelo hábito imoral da corrupção

semântica e resistir à tentação dessa depravação linguística, não adotando de forma alguma e sob quaisquer circunstâncias o desvirtuamento da língua culta padrão, os jargões e bordões maliciosos dessa perversão dialética, sob pena de submissão intelectual e renúncia de sua soberania de expressão e do seu vínculo com o real e com a verdade, tornando-se um fantasma de si mesmo num mundo fictício, desprovido de valores e da razão.


Infelizmente, o dialeto progressista tem se difundindo até em quem tem apreço e

obediências aos valores tradicionais civilizatórios. Recentemente, até o atual presidente da república, que embora não o considere um conservador propriamente dito, talvez, no máximo, um tradicionalista íntegro, proferiu em discurso na ONU o termo “cristofobia”, adotando um sufixo já sequestrado pelo dialeto progressista, ao invés de utilizar precisamente a língua e expressar claramente que há ódio, assédio e perseguição a cristãos.


Nota-se também a sedução do uso de termos típicos da novilíngua progressista dentre seus apoiadores e até dentre autoproclamados conservadores, como o amplo uso do estrangeirismo “fake news”, por exemplo. É, portanto, de causar apreensão e lamento esse fenômeno de submissão linguística, pois é sinal de que no combate cultural a estratégia adversária tem dado sinais de progresso e domínio.


Nada é mais inverídico e improdutivo que o chavão, “se não podemos com eles, juntemo-nos a eles”, ao invés disso, prefiro o bordão imperativo, “independência ou morte”! Evitar-se-á, a qualquer custo, pautar-se pelo adversário, que visa única e exclusivamente a tua aniquilação.


Manter-se lúcido, moralmente rijo e impermeável a tentações indecorosas é

fundamental para não privar-se da liberdade e da dignidade. Não sucumbas, então, à

tentação dos acordes maliciosos da sereia ideológica daqueles que reivindicam o monopólio da mentira e a tua escravidão existencial.


Mantenha-se espiritualmente elevado e repele os ardis materialistas, fica imune ao assédio da dominação linguística mal intencionada, seja da mídia, seja dos seus fomentadores intelectuais, e busca a verdade com o ânimo de tua vontade, sobre o suporte da razão e com o auxílio de tuas próprias pernas.


Leitor: http://filodoxia.home.blog/2020/11/27/o-monopolio-da-mentira/