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  • Mr.Blue

O Que É A “Direita”?



Nos é ensinado na escola que direita e esquerda nasceram na Revolução Francesa, e ganharam esses nomes pois os burgueses sentavam à direita do parlamento revolucionário, defendendo que o Estado intervisse menos na vida do cidadão, e do lado esquerdo do congresso ficava os camponeses, que defendiam um Estado mais forte e que ajudasse os pagadores de impostos em tudo.


A questão é que essa é só mais uma mentira que nos foi contada. Direita e esquerda são diferenciados por seus modos de ver o mundo, e não pelo lugar que sentavam no parlamento da Revolução Francesa. Os professores em nossas escolas tentam passar a ideia de o mundo civilizado começou no Iluminismo, e que antes éramos alienados pela religião e a monarquia (por isso alguns imbecis insistem em chamar a Idade Média de Idade das Trevas).


Outra narrativa mentirosa que me foi ensinada na escola é: que a Revolução Francesa foi burguesa, igualitária e defensora da liberdade. Quem quiser saber mais sobre as mentiras que nos são ensinadas sobre o evento mais terrível de nossa história, é só clicar aqui.


Destruídas então estas histórias deturpadas sobre a “Direita”, podemos agora focar em descrever o que é este fenômeno hoje. Poderíamos definir a direita pelas pautas que ela levanta, ou pelas políticas públicas que ela defende. Mas eu prefiro defini-la por seus líderes políticos, os homens que representaram esta ideia política na ação de fato. Importante dizer que eu só falarei da “Direita” brasileira na política, não falarei diretamente dos intelectuais e nem do cenário político de outros países.


A “Direita” no Brasil mudou muito desde a fundação do primeiro partido conservador, que foi fundado no império por um mineiro chamado Bernardo Pereira de Vasconcelos. O intuito do partido era conservar as riquezas da tradição portuguesa que herdamos, mas também preservar a nossa própria identidade brasileira. O partido visava também combater as políticas erráticas, apressadas e precoces do partido Liberal.


Com a queda do império através de um golpe de Estado de líderes militares traidores da pátria, o partido Conservador teve que se adaptar, mas não perdeu força. Dois presidentes conservadores foram eleitos no período da velha república, o qual Afonso Pena, também mineiro, mais se destaca.


O problema começa a engrossar quando Getúlio chega no poder, um fascista que muitos tentam enquadrar como conservador, mas na verdade foi um esquerdista de primeira linha, Lula inclusive se diz filho ideológico de Vargas. O presidente faxista que tivemos conseguiu transformar toda a estrutura estatal, e até mesmo parte significativa da estrutura social. Nessa época os conservadores já tinham perdido grande parte de sua força política, faltavam grandes nomes, grandes líderes.


É quando surge o grande opositor de Getúlio, seu nome era: Carlos Lacerda. Ele era dono do jornal Tribuna da Imprensa, fundou a editora Nova fronteira e é o grande responsável pela queda de Vargas. Lacerda em sua juventude era comunista e fez defesas fervorosas dos pontos de vista socialista, mas apesar disso quando ele estava mais velho disse: que comunismo é coisa para pessoas com menos de 18 anos (estou parafraseando).


Carlos Lacerda foi um dos grandes articuladores para incentivar a massa a apoiar a entrada dos militares na política, para impedir que os comunistas dominassem nosso país, o problema é que os milicos não cumpriram com sua promessa de devolver o poder.


Então apesar de Carlos ter sido um gigantesco líder da direita que lutou contra os avanços comunistas de João Goulart e companhia, e também enfrentou o faxismo de Getúlio, ele já não era mais aquele exemplo de líder conservador que tivemos algumas décadas atrás. Lacerda sem dúvidas ajudou o Brasil, mas não sei se podemos coloca-lo no mesmo nível dos outros nomes conservadores do passado, como o próprio José de Alencar, ou o Visconde de Uruguai. A partir daqui já conseguimos ver através dos líderes políticos uma distanciação entre conservadorismo e a “Direita” no nosso país.


E daí pra frente a coisa só piora, depois de Carlos Lacerda o próximo grande líder da “Direita” brasileira é Paulo Maluf. Ele foi prefeito e governador do estado de São Paulo, e se associou a “Direita” por fazer parte do ARENA, mas também por discursos do tipo: bandido bom é bandido morto. Mas apesar disso, Maluf nunca foi um político realmente conservador, ele fazia sim parte do espectro da “Direita” no Brasil, mas não chegava nem perto de Visconde de São Vicente ou Visconde do Rio Branco. Apesar de compartilhar algumas pautas e políticas públicas com o conservadorismo, mas no final parecia mesmo só discurso político.


Depois da queda do Regime Militar a “Direita” no Brasil mudou completamente, ela passou a carregar nomes como Sarney e Collor por exemplo. E mais recentemente tivemos Alckmin, Serra e FHC como nomes direitistas, e realmente, no período em que estavam eles eram os mais à direita que existiam.


Para concluir então este artigo gostaria de dizer que: ser de direita e ser conservador são duas coisas completamente diferentes. A direita abarca todo um espectro de pensamento político, já o conservadorismo faz parte da direita, mas difere em vários pontos das outras teorias políticas direitistas. Se analisarmos as lideranças políticas brasileiras de “Direita”, veremos que esse espectro no Brasil foi caminhando para o centro e para à esquerda. Então para responder nossa pergunta do início, eu diria que: podemos definir a “Direita” como um espectro político que se movimenta mais para o lado leste ou oeste dependendo do momento histórico de seu país, e devido à essa oscilação é difícil de darmos um conceito fixo, o melhor que podemos fazer para entende-la é estudar seus líderes políticos.


Fiquem com Deus e até a próxima.

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