• Davi Eler

O Que É Ser Livre? (3/3)



Antes de iniciar o texto, convoco vocês a lerem o meu artigo sobre Igualdade, e sobre Fraternidade. O leitor não conseguirá abstrair todo o conteúdo nestas palavras, caso não leia as anteriores.


Você com certeza anda ouvindo muito nesses dias a palavra “Liberdade”, mas qual o real significado desta expressão tão forte. O Olavo nos deu uma pequena aula neste vídeo sobre signo, significado e referente, um aprendizado fundamental para que possamos interpretar um texto e até a mesmo a realidade de forma correta, e também exprimir nossos pensamentos utilizando os vocábulos de forma mais precisa que conseguirmos.


E algumas pessoas conectam liberdade à um falso ensino iluminista do que é a liberdade. Os revolucionários tentaram passar a imagem de que ser livre é: não estar debaixo da opressão do rei e da Igreja. Tentaram passar a impressão que a régua moral da monarquia e do cristianismo é a verdadeira algema de nossa liberdade, e a chave para nos libertarmos é a total emancipação destes princípios. Adotando o Estado e a razão como nossos novos deuses, e a ciência como a nova religião, e esses entes ditariam nossa nova régua moral.


Sendo assim a Revolução Francesa e a Revolução Iluminista pregavam freneticamente a destruição destas instituições maquiavélicas (cof cof). Vemos essa intenção na famosa frase revolucionária “ O Homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre” esta frase pode ser encontrada em um livro chamado Extrait des sentiments de Jean Meslier, que inclusive foi editado pelo grande nome da Revolução, Voltaire.


Percebem agora qual a ideia que eles tinham de liberdade? Essas pessoas não queriam ter práticas de negócios livremente, nem mesmo escolher se seus filhos iriam estudar em casa ou em alguma instituição, elas não estavam preocupadas com liberdades que nós estamos hoje em dia. O conceito de liberdade para esses perseguidores do cristianismo era a morte deste.


E esse conceito esdrúxulo e fétido da liberdade atravessou os séculos, até chegar ao seu ápice no século passado, com por exemplo a Revolução Sexual, o movimento feminista e os Hippies (que tinham intercurso sexual em locais públicos, e temos inclusive relatos de pedofilia e estupro. Além do abuso de todas as drogas, desde maconha até ácidos e cogumelos).


Então aquela liberdade que era “somente” matar reis e padres, se tornou também a liberdade de poder me relacionar sexualmente com quem e quantos eu quiser, e poder usar todas as drogas que eu conseguir. Não há conceito mais satânico de liberdade que esse.


Porém além de introduzir um conceito demoníaco em uma palavra com aparência bela (que eles fizeram com todas, diga-se de passagem), eles ainda destruíram o real significado de liberdade.


A verdade é que nunca seremos livres, sempre estaremos presos à algo, nem que seja à nossas limitações humanas (fome, sede e sono por exemplo). Dessa forma, a liberdade não pode ser um valor absoluto, pelo motivo de que ela nunca será verdadeiramente alcançada. Além disso, ela também necessita de um outro ente para defende-la ou pelo menos mantê-la, normalmente esta ação é feita através do poder. Outro motivo para não colocarmos ela como um princípio elementar, como os liberais, da linha de Locke por exemplo, à colocam; é a forma como adquirimos a liberdade. A verdade é que o único meio de elevarmos nosso nível de liberdade, é através da autonomia, porém quantos mais autonomia mais responsabilidade, e nós ficaremos inevitavelmente “presos” à essas coisas.


Para facilitar a compreensão do último ponto falado acima sobre como obtemos a liberdade, gostaria de oferecer-lhes uma ilustração. Pensem na evolução da vida de um ser humano. Ele nasce totalmente dependente da mãe e do pai, ou seja, sem qualquer liberdade, nem mesmo sobre o próprio corpo, já que ele não sabe segurar a própria urina. Ao decorrer da vida ele vai conquistando liberdades como: andar, ir ao banheiro sozinho, comer sozinho e outras coisas, mas também adquiri com isso novas responsabilidades, pois ele é o responsável por não cair no chão ao andar, por não evacuar em suas próprias roupas, entre outras. E a medida que ele vai crescendo, estes dois objetos o acompanham durante sua vida, evoluindo em conjunto. Obviamente temos em nossa sociedade aquelas pessoas que ignoram esta face da realidade, e tentam desfrutar somente das liberdades, com isso vemos algumas aberrações, como um homem de 50 anos morando com a mãe, sem conseguir conquistar nada em sua vida, e vivendo às custas da explorada senhora. Este vagabundo que nunca quis trabalhar, só quer usar drogas, assistir vídeos adultos online e outras coisas abomináveis, usufruindo de sua “liberdade” e transferindo suas responsabilidades para sua mãe. Porém a responsabilidade e a liberdade continuam ali, caminhando de mãos dadas.


Bom pessoal, dado este conteúdo sobre liberdade acho que precisamos gravar dois pontos principais. Primeiro: A liberdade para a Revolução Francesa e a Revolução Iluminista era a emancipação da régua moral da Igreja e da monarquia, nem preciso dizer o quão destrutivo esse pensamento foi para nossa civilização, basta olharmos as artes de hoje em dia. E mais tarde este conceito foi expandido e escrachado por movimentos de esquerda em todo o mundo, e foi ser consolidado nos dias atuais. Segundo: Não podemos nos deixar enganar pela imagem utópica de liberdade que foi construída em nossos imaginários. Lembremos que não há liberdade sem responsabilidade. E que entendamos que ela não pode ser um princípio elementar como Locke a coloca. A liberdade é necessária e bela, mas somente com o entendimento correto do que ela é poderemos aplica-la de forma saudável. Então que nós possamos estudar e entender este elemento esplêndido de nossa realidade, através dos ensinamentos de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.


Fiquem com Deus e até a próxima.

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