• Davi Eler

O Rei




Era uma vez um rei que governava um pequeno feudo na região dos Pirinéus, seu nome era Thomas, ele tinha altura média,cabelos loiros como o sol, olhos azuis como safira, pele branca como um bebê recém-nascido e não era muito forte nem muito fraco, porém mesmo assim ele era um excelente guerreiro que fazia questão de estar na frente de seu exército. E apesar de ter nascido no norte da Vestfália, ele se casou com a filha primogênita do antigo rei. Todas que moravam sob sua autoridade gostavam dele, e diziam que ele era um ótimo governante, inclusive melhor que o anterior.


Uma coisa muito boa aconteceu na vida do rei, ele era uma pessoa extremamente cética à qualquer narrativa metafísica, apesar de seus pais serem cristãos fervorosos. Ele seguia e concordava com os preceitos morais, mas tinha dificuldades em aceitar a existência de uma divindade que criou todas as coisas, porém ao se mudar para esse feudo ele conheceu um bispo chamado: Nathan, ele tinha baixa estatura, cabelos castanhos, assim como seus olhos, ele não chamava atenção pela beleza, mas sim pela sua inteligência fora do padrão que era falada em todo o continente. E este sacerdote o ajudou a enxergar as verdades nas Escrituras. Dessa forma ele com o tempo se tornou um cristão mais apaixonado que seus pais, e era comprometido em fazer com que seus filhos também o fossem.


Thomas se identificava com Nathan, pois os dois foram separados desde pequenos para serem pessoas importantes. Não tiveram muitos amigos, estavam sempre estudando, tendo aulas e esse tipo de coisa. Esse isolamento foi bom para fazer eles crescerem intelectualmente e espiritualmente, mas eles sentiram falta de amizades verdadeiras. Então a união dos dois foi algo que pareceu completar ambos, um com sua visão espiritual, e o outro com uma visão política e militar.


Contudo havia um problema, o seu reino estava bem na divisória da França com a península ibérica, que na época estava quase que completamente dominada, com exceção de alguns malucos que resistiram nas Astúrias. E o ataque em suas terras era iminente, porém o rei estava extremamente preparado, pois ele era um estrategista de primeira linha.


Quando o primeiro ataque chegou nas portas de seu território, ele conseguiu fazer com que os muçulmanos recuassem, pois ele utilizou as florestas para esconder seus guerreiros que atacaram na hora certa, expulsando o primeiro ataque.


Depois do décimo ataque impedido pelo rei Thomas, seu nome estava famoso em toda Europa, e também em todo reino Árabe. Os muçulmanos queriam a cabeça dele, estavam com muita raiva do sucesso militar de um rei de um pequeno feudo, que todos achavam que seria facilmente dominado.


O problema é que toda essa fama e sucesso mexeu com a cabeça do rei, ele passou a se tornar soberbo, arrogante, orgulhoso e prepotente. Aquele governante antes tão bondoso e humildade, agora era uma pessoa que se sentia superior à todos as pessoas ao seu redor.


Antes ele cobrava baixos impostos e quase nunca interferia nas vidas de seus cidadãos, e agora ele utiliza a guerra contra os muçulmanos como desculpa para aumentar os impostos, quando na verdade ele usava esse dinheiro para si próprio.


Quando um dia de repente Nathan empurra as portas do salão do rei com força, fazendo muito barulho e com isso todos olharam para ele. O bispo do feudo entra furioso e vai direto para o rei, os soldados da guarda pessoal o impediram de chegar até ele deixando o sacerdote com ainda mais raiva.


Thomas se levanta de seu trono, coloca sua taça de vinho e sua coxa de frango na mesinha ao lado, e vai com um olhar arrogante e com um riso irônico para cima de seu amigo, ele foi caminhando à passos lentos. Desceu as escadas, mandou seus guerreiros abrirem caminho, e se aproximou de seu amigo, chegou bem perto de seu ouvido e disse: “Quem você pensa que é? Este é o meu reino, o meu palácio. Se você não quiser que eu te mate, melhor se ajoelhar”.


Nathan ainda com a cabeça erguida e sem se deixar atingir pela autoridade e arrogância do rei, se afasta do rei e diz em voz alta para que todos do salão escutem: “Você não é o dono deste reino e sim Deus, este palácio não pertence a tu majestade, mas sim ao rei dos reis. E o senhor não pode tirar a minha vida, o único que a da e tira é Deus, minha vida pertence ao meu Senhor Jesus Cristo e só ele pode tirar ela de mim.”


Todos no palácio se assustam com a ousadia do sacerdote, e um silêncio estarrecedor se instaura no salão, porém Nathan continua: “Vossa majestade precisa se arrepender de seus pecados. O senhor tem caído no orgulho e na idolatria. O nosso rei tem se colocado no lugar de Deus e adorado a si mesmo, perdeu a noção de que tudo que tens, inclusive sua inteligência estratégica foi entregue pelo Nosso Senhor”.


Ao ouvir as palavras do bispo lágrimas começaram a rolar por seu rosto, pois ele se lembrou de seu pai, que sempre lhe dizia que a idolatria a si mesmo era o pior pecado que um homem poderia cometer, pois estaria se colocando no lugar de Deus, achando que ele tem o mesmo poder e é até mesmo tão bom quanto.


O rei então devastado ao reconhecer seus crimes, e ver que tinha se tornado exatamente o que ele mais odiava. Se tornou um rei frio para com seu povo, tirano e opressor.


Thomas então se coloca de joelhos, leva suas mãos seu rosto, começa a chorar como uma criança e grita para todos no salão: “SAIAM”. Porém Nathan continua pois sabia que seu amigo precisaria dele.


Os dois se sentam ao pé das escadas do trono e se abraçam, o rei se arrepende de seus pecados e o sacerdote ajuda ele à se recuperar. Após toda essa cena, o rei fez um discurso para todo seu povo pedindo o perdão deles, e avisando que abaixaria os impostos e que ajudaria os mais necessitados través de dinheiro do seu próprio bolso.


Thomas depois desses acontecimentos voltou a ser o governante bondoso e humilde que era antes, e para melhorar mais ainda sua situação o mordomo do palácio (uma espécie de primeiro ministro da época) francês Carlos Martel, foi em auxílio dele com uma boa quantidade de guerreiros.


Dessa forma o reino retornou à um reinado gentil, e agora tinha paz e muito mais riqueza que antes. Toda essa fama e sucesso militar tornaram aquele pequeno feudo um grande ponto de comércio, e um ponto estratégico fundamental. Com isso a cidade se tornou um lugar ainda melhor para se viver que antes.

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