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  • Zero à Direita

O Supercomputador do TSE deu pau?

Entenda porque um servidor de tamanha proporção pode não ter sido a causa da paralisação de domingo à noite.



Na noite do último domingo(15), dia de eleições municipais em praticamente todo o país, durante a apuração dos votos, houve uma interrupção do processo que gerou bastante burburinho; em todas as cidades, noticiários e cidadãos aguardando a atualização dos números para, enfim, saber quem estaria no poder municipal durante os próximos 4 anos.


Em uma coletiva de imprensa - feita de forma emergencial - o presidente do TSE e ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, declarou que a apuração estava paralisada devido a "um problema em um dos processadores do Supercomputador que faz a apuração dos votos". Para quem atua nos setores ligados à Tecnologia da Informação, esta informação pareceu imprecisa e estranha, afinal, um servidor com uma função de tamanha importância não trabalharia sem nenhum tipo de plano de contingência, certo?


Antes de qualquer coisa, que diabos é um servidor? E o que é um supercomputador?


Servidor - nos termos da tecnologia - é um computador de capacidades e características diferenciadas e aprimoradas, normalmente voltados para um tipo específico de tarefa. Por exemplo: um computador comum pode realizar diversos tipos de atividades, mas ele provavelmente alcançará um limite e travará ao fazer, simultaneamente, várias tarefas, a depender de suas configurações, uns suportam mais e outros menos. Isto não seria um problema para um servidor, uma vez que ele é preparado para executar dezenas, centenas, milhares e até milhões de operações ao mesmo tempo, sem travar. Claro, até os servidores possuem limites e tudo depende de como ele é montado e configurado, mas provavelmente você já deve ter entendido a diferença entre ambos.


Os servidores mais modernos - normalmente - trabalham com peças importantes em redundância para caso uma delas pare, a outra assume seu lugar sem necessitar de uma manutenção complexa e interrupção de sua função. Processadores, memórias, discos, placas de rede e fontes de alimentação são, na maioria das vezes, encontradas de forma duplicada em servidores; empresas que possuem uma boa infraestrutura, além destas redundâncias, possuem até mesmo servidores apenas para servir como redundância para outro, ou seja, o objetivo é nunca parar!


O supercomputador é um conglomerado de servidores de altíssima capacidade, trabalhando simultaneamente em uma mesma atividade, normalmente alimentada com quantidades gigantescas de dados complexos, trabalhando em simulações que exigiriam demais até mesmo de um servidor caso ele trabalhasse sozinho. Assim como servidores e computadores, o supercomputador possui configurações especificas de acordo com a tarefa que ele irá executar. O exemplar mais potente do mundo se encontra nos Estados Unidos e pertence à IBM. Chamado de Summit, este titã digital tem um desempenho de inacreditáveis 200 PetaFlops, equivalente a 1 milhão de notebooks comuns.


A título de curiosidade, o Brasil possui 2 entre os 100 mais poderosos supercomputadores do planeta, ambos pertencendo à Petrobrás: Atlas em 56º com 8.8 Petaflops de potência e o Fênix, que ocupa a 82ª posição do ranking, com 5.4 PetaFlops.


Voltando ao TSE e o seu problema com a apuração de domingo. Segundo informações iniciais do ministro Barroso, o tal supercomputador do TSE, que faz as apurações dos votos, teria tido um problema e precisou parar suas operações para que fossem feitos os reparos necessários. Tudo isso é muito estranho porque servidores comuns possuem planos de redundância e um processador não faria a operação para por mais que um par de minutos, imagine um supercomputador, normalmente recheado de peças extras e feito justamente para não parar.



Hoje(17) houve uma nova coletiva de imprensa onde o secretário de TI do TSE, Guiseppe Janino Dutra, declarou que o "supercomputador" é na verdade um servidor em nuvem, com altas capacidades de desempenho, porém, não está fisicamente operacional em dependências do TSE e sim em um host da Oracle, empresa americana que presta este tipo de serviço. Se trata de um contrato de prestação de serviço e não de aquisição, ou seja, toda a manutenção e funcionamento do equipamento é de responsabilidade da empresa Oracle.


O Diário Oficial de 25 de março, mostra que o TSE fez a contratação do serviço sem licitação. O serviço inclui a operação de um servidor Sun Oracle Exatada X8, no valor de R$ 26 milhões. De acordo com a mídia padrão, o serviço foi executado com atrasos e sem a execução de todos os testes necessários.


E aí, a culpa é da Oracle? É do TSE? Houve interferência? Infelizmente, nunca saberemos.