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O TEATRO DIALÉTICO

Por Junior Velozo


A Política é uma arte da escuridão e como tal, seus praticantes são especialistas em ocultar seu real interesses, por isto, o Professor Olavo de Carvalho insiste em lecionar sobre a Dialética do Discurso, que é consiste em encontrar o caminho entre as ideias do orador. Estamos enfrentando especialistas na arte de maquiar as verdadeiras intenções, ardilosos e manipuladores passam quase imperceptíveis pelas fileiras adversárias, no caso a recém nascida e desorganizada turba auto intitulada "Direita Conservadora".


Estamos familiarizados com os termos "teatro das tesouras", "desinformação", são repetidos como mantras em reuniões e núcleos da nova direita, outro que é utilizado aos montes para sustentar discursos pomposos de autoridades emergentes, a bendita Dialética e como são enfadonhos, quando repetidos sem sentido e sem a carga didática necessária para ensinar os adeptos a encontrar o caminho entre as ideias e ações do adversário.


Neste momento, acompanhamos o julgamento na Corte Suprema onde o recém promovido Ministro do STF Nunes Marques concedeu, as vésperas da Páscoa Cristã o principal feriado religioso do planeta uma liminar em uma ação da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure), para, veja bem, permitir que a imensa maioria de cristãos do Brasil pudessem celebrar seu feriado, outrora garantido por cláusula pétrea constitucional, está que vive em suspeição em tempos de pandemia. A decisão acompanhada pelo Procurador Geral da República Augusto Aras e apoiada incondicionalmente com acalorada sustentação oral do novo velho Advogado Geral da União André Mendonça, o personagem principal reflexão e motivo do título clickbait em tela e que recebeu atenção especial da mídia.


E após a longa introdução e com o sugestivo título, o texto tornou-se autoexplicativo, ainda assim, cabe ressaltar que às vésperas do maior feriado cristão, um indicado por um presidente cristão, concede um direito aos cristão que já o tinham fundamentados desde 1988, e, é acompanhado por dois candidatos ao cargo de ministro terrivelmente cristão, escolha que acontecerá em exatos sessenta dias com a aposentadoria do Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos participantes do teatro dialético terrivelmente evangélico poderá enfim deixar a cena.


Enfim, todos com a mínima carga horária de estudos básicos, entenderam que o teatro com vários participantes supremos e tem como objeto manter a escolha entre seus atores.


"Mas, quando passa pelas simplificações requeridas para se adaptar ao QI dos militantes, a dialética de Hegel volta a mostrar aquilo que era no fundo: a arte de proferir enormidades com uma expressão de fulgurante inteligência. Daí derivam algumas artes secundárias: a de cometer crimes para fomentar a justiça, a de construir prisões e campos de concentração para instaurar a liberdade, a de condenar o terrorismo dando-lhe prêmios etc. etc. Só um profano vê aí contradições insanáveis. Para o dialético, tudo se converte no seu contrário e, quando isso acontece, fica provado que o contrário era a mesma coisa. Quando não acontece, ele faz uma forcinha para que aconteça, e em seguida arranja uma explicação dialética absolutamente formidável." -


Trecho do texto Dialética Formidável Olavo de Carvalho

O Globo, 27 de março de 2004