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  • Donald Duck

Pequeno manual de sobrevivência aos tempos de crise

Atualizado: Abr 15


Soluções massivas, gerais, autoritárias, de cima para baixo, terminam sempre muito mal.


É impossível, numa sociedade extremamente complexa e cheia de variáveis que escapam, inclusive, à natureza humana, dar uma solução simplista, generalista, global.

Urge ter um olhar multidimensional sobre o estado de coisas que, per se, é multidimensional.


A mentalidade positivista, niilista de hoje, provoca uma visão de mundo simplista e generalista, onde toda a complexidade do universo se resume a meia dúzia de normas técnicas dadas por burocratas desconhecidos.


O cuidado na investigação das mazelas da sociedade deve ser cuidadoso e assistido por pessoas competentes para tal. Pessoas que possuem essa noção multidimensional.


Quem é apto? Aquele que tenha um olhar amplo às necessidades e complexidades que o momento exige e, ainda assim, desconfia se não está deixando alguma nuance de lado.


O desejo maluco de estar livre dos sofrimentos da vida é mais prejudicial que os próprios sofrimentos da vida. É mais deprimente. Torna-nos mais impotentes, mais inertes, mais pessimistas. Quem vive com medo da morte já está morto!


Nós sempre vivemos com risco de vida. É inerente à condição da vida humana. No entanto, isso NUNCA foi motivo de paralisação. Até agora.


É este o resultado de uma vida e mentalidade materialista, niilista. Se tudo acaba com a morte e esta vida aqui é tudo, entra-se em desespero ao menor sinal de ameaça à vida terrena.


O mundo material é o mundo da instabilidade. Nós não temos praticamente nenhum controle sobre as consequências das atitudes humanas, pois isso varia de acordo com cada organismo e possui influências, inclusive externas, e desconhecidas pelos seres humanos. O tratamento precoce não vai funcionar para todo mundo, assim como as vacinas. Não existem soluções universais para o mundo material.


Com ou sem COVID, você e os seus VÃO morrer. É inevitável. Só se preocupa com a morte, quem vive mal, quem quer ter o controle de tudo. E em nome do controle de tudo se faz um monte de atrocidades, que para tanto se tornam “justificáveis”.


Uma pessoa só se desespera diante da morte porque ela vive mal. Essa vida é mais do que ela aparenta ser. Importa mais a nós morrer como heróis do que debaixo da cama, com medo.


Nós vamos morrer de qualquer jeito.


Mas como queremos morrer? Como homens de fibra ou como covardes, cãezinhos indefesos?


Ao fim e ao cabo, poderemos, como São Paulo, dizer que “combatemos o bom combate, completamos a corrida, guardamos a fé”?


Só a religião nos provoca este tipo de reflexão. Agora, fecham as igrejas e nos impedem mesmo de refletir sobre as coisas mais profundas da vida, obrigando-nos a viver numa superficialidade doentia.


Sobreviverá quem for mais adaptável. Quem abrir mão da vida em sociedade, da religião, do contato físico, quem conseguir se adaptar ao home office, quem tiver serviço essencial. Aos demais, a morte.


E pior: a morte sem os sacramentos, sem Deus, sem os entes queridos. A morte, fria e solitária. Sem direito sequer a um velório.


Esta é a essência de qualquer totalitarismo. Foi isso que desencadeou o evolucionismo, a eugenia, os fascismos.


Precisamos parar de nos deixar enlouquecer. Encorajar os líderes religiosos a continuarem com suas funções. Fortalecer as consciências individuais, encorajar o povo a se unir em nome de bens comuns e nobres, sobretudo. Largar mão de toda a polarização causada pelas ideologias, pelas mídias, propagadoras do caos.


E se morrermos lutando por isso, ao menos nossas vidas terão um fim nobre. Teremos um bem maior pelo qual lutamos até o fim. Essa vida não é tudo.


É claro que precisamos ajudar a todos que se aproximam e necessitam. Como bem previu Chesterton, o momento em que precisaremos provar que a grama é verde e o céu é azul chegou, e é aqui, agora.


Mas precisamos, urgentemente, parar de dar soluções globais e simplórias para tudo. Não vai funcionar. E encaremos quem trate as coisas desta maneira com todo o desprezo merecido.


“Nas coisas essenciais, unidade. Na dúvida, liberdade. Em tudo, caridade”.

- Santo Agostinho