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Percepções

Por Anônimo



Há um bom tempo percebo um comportamento no mínimo curioso acerca da audiência

alinhada a um pensamento ideológico conservador. Autodeclarado “conservador”. Ou

simplesmente “Direita”.


Pode-se contar com a presença deles aonde for: do Twitter ao Telegram, passando pelo

Facebook. E, em praticamente todos os casos, quando observado por mais tempo em outras interações, notável é a argumentação desses usuários, a qual centra-se ao redor do que os canais acompanhados FALAM. Preste atenção, caro leitor. A argumentação gira ao redor daquilo que os canais falam.


O que isso quer dizer? Significa que essa audiência meramente repete ad eternum o que

seus apresentadores favoritos falam – aqui é o sentido mais literal o possível. Realmente apenas o áudio.


Lembram-se do professor Olavo de Carvalho, nos idos de 2018 e 2019, comentando que

a sociedade brasileira “possuía a mais aguçada inteligência política do mundo”? Lembram-se do que houve poucas semanas depois do professor anunciar que não mais comentaria sobre política interna? Sim, o nível das discussões caiu assombrosamente.

A “sociedade de inteligência política mais aguçada do mundo” regrediu assustadoramente – coincidindo com as primeiras conversas sobre confiar em planos. O que valesse para manter elevada a moral do povo nas redes sociais. Assim como foi feito na França, durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial – mentiras na mídia sobre a real situação, para manter o território calmo.


Quantos dessa audiência realmente prestam atenção no que é passado, e quantos

interagem apenas por fazê-lo? Para repetir de novo e de novo as mesmas coisas que comentam em qualquer outro lugar? Quantos minimamente se dão ao trabalho de seguir leituras ou vídeos indicados pelos apresentadores? Quantos apenas reagem bovinamente, num automatismo estúpido, porque possuem uma necessidade física de falar o que for?


A audiência dos canais que possuem como norte o “confia no plano” é ridicularizada

com razão. Porém, e quanto àqueles que estão em outros canais reconhecidos como conservadores, como a Shock Wave e o Comunicação & Política? Não ficam muito atrás, pelo que vi. Apenas encontraram alguém que fala o que querem ouvir. E foda-se recomendações de leitura e participações que agregam ao programa. O que importa é seguir nas redes sociais e doar para eles, né?


É irônico. Realmente irônico....


E tenho certeza de que alguns que estiverem lendo este texto já estarão, raivosos,

comentando como “Não é todo mundo que tem tempo para ler”; “Livro é caro”; “Não tenho tempo de ver essa ou aquela aula indicada”...


E, POR ACASO, O FATO DE QUE NEM TODOS CONSEGUIRÃO ESTUDAR

MAIS A FUNDO (o quanto puderem) IMPEDE VOCÊ DE SE APROFUNDAR MAIS? O QUE

VOCÊ PODE APRENDER É, PORTANTO, DETERMINADO PELO O QUE UMA MAIORIA

MÁGICA CONSEGUE OU NÃO ESTUDAR? VOCÊ PRECISA DE QUE “TODO MUNDO”

REALIZE A MESMA AÇÃO QUE VOCÊ QUER FAZER PORQUE ACHA QUE SOMENTE

ASSIM HAVERÁ UM EFEITO NO MUNDO REAL?


Pegue as referências e apenas se aprimore. Isso não é um concurso de popularidade por

quem está estudando o quê. Não devia depender de querer alimentar uma fogueira de vaidades.


O mesmo comentário sobre “ocupação de espaços”. A título de curiosidade, exemplos

como o da Shock Wave entram aqui. Mas, se quiser fazer ocupação em escolas públicas, faculdades, etc., é melhor começar a prestar concursos públicos. Melhor que de 100 pessoas que entram num concurso, que 1 delas não seja do mesmo grupo que sempre esteve no poder do que todos os que entrarem o sejam.


Eu gostaria de propor um exercício. À audiência e aos canais aqui citados. Quando

houver um comentário de um nível mais elevado – algum raciocínio com base histórica, por exemplo – seria interessante que o chat fosse fechado a todos. Não somente a quem não é membro.


Apenas para verificar como o programa seguiria. Um momento que forçasse a audiência a realmente prestar atenção do que está assistindo.


E uma crítica aos diversos canais que reclamam de censura no Youtube. Espelhem os

vídeos para outras plataformas, como o Bitchute, Gab e o Rumble. A justificativa de que eles não teriam tanta relevância não é válida quando o que atrai pessoas para uma plataforma dessas é o conteúdo que está ali (seja lá para qual finalidade). Porque plataforma X ou Y não é do tamanho do Youtube ou do Twitch, então ela não é digna de se colocar os vídeos lá também?


Pessoas vão aonde oferecem o que elas querem, mesmo que elas não saibam o que é.

Não é o oposto. Gab e Bitchute cresceram principalmene quando redes sociais iniciaram uma maior perseguição de quem fosse reconhecido como apoiador do então presidente Donald Trump.


“Mas podem me reconhecer lá”. Gab e Bitchute aceitam cadastro usando Tor. Tor é

gratuito. E, creio, usar nome real em redes sociais não é exatamente recomendado hoje em dia.