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Precisamos de mulheres que sejam “Novas Marias” – parte 1


Imagem: Getty Images


A partir desse artigo, trabalharei o vício da pornografia e masturbação na perspectiva feminina, o porquê de mulheres até mesmo casadas estarem afundadas nesse vício, e como iniciar um caminho para se desprender dessa prática, que destrói a essência feminina e, aos poucos, faz da sua vítima um mero objeto sexual.



Contexto geral da pornografia


A pornografia, num contexto mais amplo, cria desejos perversos nas pessoas que a consomem, — desejos esses que estas mesmas pessoas outrora não possuíam — fortalece-os naqueles que já tinham em si tendências mais violentas, e inflama-os a tal ponto de encorajar as práticas mais horríveis em busca do “prazer”.


Em outras palavras, a pornografia não é um “escape” como muitos afirmam, mas sim serve para fortalecer ou desencadear tendências sexuais mais violentas. Além disso, um estudo feito pelo Departamento de Medicina Ambiental da Universidade Poznan de Ciências Médicas, na Polônia, detalha a destruição que a pornografia tem causado em nossa Cultura. E ainda confirma o consenso crescente de que a pornografia é, sim, um problema de saúde pública, — o que, como observamos em nosso país, é ignorado solenemente.


O estudo entrevistou 6423 estudantes, sendo 2633 homens e 3830 mulheres, em idades entre 18 e 26 anos, e indica que quase 80% deles já foram expostos à pornografia. Os efeitos disto são enormemente preocupantes.


Um dos resultados da pesquisa evidencia algo que precisamos ressaltar aqui: a pornografia atua como uma droga, e os usuários tendem a procurar conteúdos cada vez mais pesados e “hard-core”, à medida em que já não se sentem mais satisfeitos com aquilo que consomem e a fim de alimentar o próprio vício.



Tolerância e intensificação


Os efeitos adversos mais comuns da pornografia, reconhecidos pelos próprios usuários são:


a) Necessidade de estímulos mais prolongados (12%): à medida em que o usuário tem contato com o material pornográfico e obtém prazer ao consumi-lo, com o passar do tempo ele tem uma necessidade de ter o “prazer por mais tempo”.


(b) Estímulos sexuais mais numerosos (17,6%): estão diretamente ligados ao anterior uma vez que, para manter o prazer por mais tempo, o usuário se “estimula” mais vezes para conseguir chegar ao orgasmo.


c) Diminuição no prazer sexual (24,5%): pessoas que consomem pornografia tendem a não mais sentir prazer com seus cônjuges, e tão pouco se relacionam de forma intensa com alguém; tendem a ser mais individualistas, egoístas, a ponto de se julgarem autossuficientes.


Esse mesmo estudo nos sugere que exposições prematuras a esse tipo de conteúdo podem estar diretamente ligadas à dessensibilização a estímulos sexuais (como indicado acima). Isso acontece pela necessidade de estímulos mais prolongados e numerosos para se alcançar o orgasmo ao consumir o material explícito. Também sugere a correlação com o decréscimo de satisfação sexual.


Constatam-se ainda várias mudanças no padrão de consumo da pornografia durante seu período de exposição, tais como:


a) Escolha de um gênero de material explícito (46%): tende a ser diferente a cada vez que se busca consumir esse tipo de conteúdo;


b) Uso de materiais que não concordam com sua orientação sexual (60,9%): a pessoa que se expõe ao material pornográfico tende a querer conhecer formas variadas de se obter prazer, primeiramente guiados pela curiosidade e, depois, pelo vício.


c) Necessidade de utilizar conteúdos mais extremos, isto é, violentos (32%): mais uma vez aqui, pela objetificação gerada pelo consumo da pornografia, constrói-se uma imagem de que o outro é apenas um objeto de prazer. E por isso é possível realizar coisas absurdas e violentas com ele, já que o outro perde o seu valor humano, na visão do viciado.


Já há estudos comprovando que assistir a pornografia, com o passar do tempo, faz aumentar no indivíduo que a consome comportamentos violentos, agressivos, que vão desde as fantasias violentas, chegando ao ponto de realmente cometer ataques do gênero.


A título de conhecimento, um estudo conduzido pela Universidade de New Hampshire constatou que norte-americanos que consumiam pornografia em maior número, também cometiam maiores taxas de estupro.


Caso Ted Bundy



Teddy Bundy sendo escoltado em saída do tribunal. Imagem: internet


O caso desse assassino em série, da década de 70, ilustra bem as consequências horríveis geradas pelo uso de pornografia violenta. Em vários momentos, Ted afirmava que a pornografia violenta o fazia desenvolver um desejo compulsivo por assassinar suas vítimas após o abuso.


O material, segundo ele, foi “um elo indispensável na cadeia de comportamentos” que o levou aos ataques e assassinatos. Era também um fator comum a outros infratores violentos que ele encontrou na prisão. Nas palavras de Ted:


“Vivi na prisão por muito tempo e conheci muitos homens motivados a cometer violência, assim como eu e, sem exceção, todos eles eram profundamente envolvidos com pornografia. Sem dúvida, sem exceção, profundamente ligados, consumidos pelo vício da pornografia”.

Em suma, analisar casos como o de Ted faz com que nos acenda um sinal de alerta para o perigo que se corre ao deixar que pessoas cada vez mais novas tenham acesso a esse tipo de conteúdo.


Na próxima parte, trataremos de maneira mais resumida a pornografia virtual, bem como o mercado de “bonecas sexuais”, fazendo relação direta a tudo o que vimos até aqui.


Conto com você.


Deus te abençoe!